Instituto Miguel Torga deverá integrar Univ. de Coimbra

A presidente da Câmara de Coimbra afirmou esta quinta-feira que o Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), instituição privada detida pela Comunidade Intermunicipal, vai provavelmente passar para a Universidade de Coimbra (UC).
“Este instituto vai passar, provavelmente, com todas as cautelas, para a Universidade [de Coimbra]. E, no fim do dia, vamos ter um polo da Universidade na Baixa e haveremos de ter mais”, disse Ana Abrunhosa, que falava durante a Assembleia Municipal, em que foi discutida e aprovada a proposta de cedência de dois edifícios da autarquia para a instalação do ISMT, na rua Ferreira Borges.
Na discussão do ponto, a autarca disse que foi condição do Ministério da Educação que o ISMT fosse integrado na Universidade de Coimbra e mudasse de instalações.
“O reitor [da UC] mostrou disponibilidade em acolher o Instituto Superior Miguel Torga num formato a decidir e nós, que também somos CIM [comunidade intermunicipal], encontrámos a solução em edifícios de que somos proprietários”, aclarou.
Apesar de o parecer jurídico associado à cedência defender uma avaliação prévia dos imóveis a ceder, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN) vincou que esse documento não é lei e que os políticos não se devem esconder “atrás de um parecer, só com medo de decidir”.
Além disso, a autarca salientou que o município não ficará “pobre por não receber a renda”.
A proposta de cedência foi aprovada com 41 votos a favor (PS, PSD, CDS-PP, Chega, Livre, PAN e Bloco de Esquerda), quatro abstenções (Nós, Cidadãos! e Iniciativa Liberal) e três contra (CDU e PPM).
Rui Rodrigues, do Nós, Cidadãos!, apesar de afirmar que o movimento Somos Coimbra (representado por aquele partido) é defensor do ISMT e da sua instalação na Baixa da cidade, disse olhar com alguma preocupação para a forma como o processo foi conduzido, considerando que não foi garantida “a segurança jurídica e financeira desta operação”.
“Voto favorável não é cheque em branco”, vincou, por seu turno, Paula Ferreira da Silva, do CDS-PP, afirmando que será importante perceber o impacto futuro da medida.
Já Graça Simões, do movimento Cidadãos por Coimbra e eleita pelo Livre, disse que o processo levantava dúvidas sobre os custos e investimento público real da mudança, expressando algumas reservas.
Pela CDU, Fernando Teixeira criticou que o município ceda de forma gratuita “imóveis a uma instituição de ensino superior privada”, alertando para a possibilidade de a medida poder vir a contribuir para a “pressão especulativa da Baixa da cidade, que a suspensão do PDM abriu portas”.
“Sabíamos que Coimbra estava à venda, mas não sabíamos que era de graça”, disse.
O ISMT registou uma quebra de mais de 30% nas novas matrículas no ano letivo 2025/2026 e um resultado líquido negativo em 2025 de 70 mil euros.
No passado, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) decidiu não acreditar o Instituto Superior Miguel Torga, determinando o seu encerramento, decisão que é contestada em tribunal pela instituição.
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