Finais da Taça das Favelas no Rio têm pix por gol olímpico e falta à moda Ronaldinho

Em uma tarde de golaços e arquibancadas cheias, as finais da Taça das Favelas do Rio foram realizadas neste sábado, no estádio de Moça Bonita, em Bangu. No feminino, o Anaia, de São Gonçalo, venceu o Complexo da Coreia por 4 a 3. No masculino, o Taquaral, de Senador Camará, conquistou o bicampeonato ao bater o Santa Margarida por 1 a 0.
Na decisão masculina, o gol do Taquaral, o único do jogo, teve um quê de pintura e acaso. Enquanto aguardava a premiação, Vini ainda tentava processar o lance que deu a taça ao seu time.
— Sei lá, foi olímpico. Nem eu sabia que ia ser gol. Ah, sei lá, fui tentar cruzar no segundo pau. Nem nunca treinei, nunca fiz. Foi do nada mesmo. Eu nem bato escanteio. Eu bati porque um amigo pediu para eu bater, eu fui lá, bati e fiz o gol — disse ao ge.
Festa das torcidas na Taça das Favelas, em Bangu — Foto: Divulgação: Cufa/Yas Amarantte
A entrevista chegou a ser interrompida por um empresário de Senador Camará, que queria tirar uma selfie com a mais nova estrela do bairro e que também pagou um bicho de R$ 200 por pix pelo gol. Pouco depois, Vini recebeu o prêmio de melhor jogador da partida e acumulou mais R$ 500.
Aos 17 anos, o jogador treina em uma escolinha de futebol da região e ainda sonha com a possibilidade de se tornar um jogador profissional.
— Estou esperando aparecer uma oportunidade. Treinando muito para conseguir uma oportunidade em um time grande. Acho que de repente esse gol aí pode me ajuda. Vamos ver, tem que trabalhar mais também, tem que chegar firme e forte lá — considerou.
Vini, autor de golaço do Taquaral na Taça das Favelas — Foto: Ronald Lincoln
Sete gols e um campeão inédito no feminino
Juanny, volante da Coreia, abriu o placar da tarde com um golaço à moda do Ronaldinho Gaúcho, contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 2002. Em uma cobrança de falta da intermediária, ela bateu cruzado direto no gol e surpreendeu a goleira adversário ao acertar o ângulo. Ela ainda marcaria o terceiro gol da equipe em outra cobrança.
As batidas, ela conta, são de fato inspiradas em Ronaldinho Gaúcho e também em Juninho Pernambucano, uma de suas referências quando jogou na base do Vasco.
— Eu falei no vestiário que a primeira bola que tivesse eu ia tentar colocar lá dentro e foi o que aconteceu. Eu quis bater direto. Normalmente chute cruzado é um pouco mais difícil, mas quando pega curva, a gente consegue acertar. O sentimento que fica é que vivi uma experiência que quando eu tiver meus 40 anos, eu vou ligar a TV e vou me ver na Rede Globo e na Taça das Favelas.
Apesar de ter saído atrás no placar, o Anaia foi mais eficiente e conseguiu marcar quatro vezes. E também teve um golaço para chamar de seu, de outra volante, a Maiure Vital, de 26 anos. Ela cobrou uma falta com perfeição, em batida colocada que também atingiu o ângulo.
Maiure Vital, volante do Anaia, campeão da Taça das Favelas — Foto: Ronald Lincoln
Maiure é professora de educação física e dá aula no projeto Karanba, de São Gonçalo, cuja base compõe o time do Anaia. No ano passado, ela viu da arquibancada a equipe ser derrotada na final pelo Três Campos. Mas, desta vez, foi fundamental para alcançarem um resultado diferente.
— Cara, foi muito emocionante que na hora da falta eu falei, eu vou, vou bater essa falta, estou muito confiante. Minha companheira Júlia também falou: "esse é o seu momento, você vai fazer. E graças a Deus fiz o gol. Deus me abençoou, abençoou o time todo e saiu com a vitória.
— A gente é um projeto que tem muitas meninas, de várias faixas etárias, e a gente é inspiração para elas.
Em novembro, os destaques da edição estadual do torneio vão representar o time do Rio de Janeiro na Taça das Favelas Brasil que, neste ano, será realizada no Paraná.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.