PSP regista mais de 54.000 crimes contra idosos em 3 anos

A PSP registou mais de 54.000 crimes contra idosos nos últimos três anos, estando o furto por carteiristas a aumentar desde 2024, revelou esta quinta-feira a polícia, quando se assinala o Dia Internacional das Pessoas Idosas.
“A tendência é para uma relativa estabilização. Quando nós vamos analisar a criminalidade reportada contra idosos no período pós-Covid, sobretudo nos anos 23, 24 e 25, percebemos que há uma tendência para a estabilização entre as 17.500 e as 18.500 participações ao ano”, disse o chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP, Hugo Guinote, em entrevista à agência Lusa.
De acordo com os dados divulgados à Lusa, a Polícia de Segurança Pública registou 54.275 crimes contra idosos em três anos, tendo recebido 18.432 queixas em 2023, diminuindo para 17.613 em 2024 e no ano passado voltaram a aumentar para 18.230.
Em 2024, foram contabilizadas 2.488 queixas de burlas, 1.635 de burla informática e nas comunicações, 1.026 furtos em residência, 1.822 de violência doméstica, 1.243 por ofensa à integridade física simples e 859 por ameaça e coação.
No ano seguinte, a PSP registou 1.227 furtos por carteiristas a pessoas idosas, 938 furtos em residência, 805 burlas, 1.894 crimes de violência doméstica, 1.250 por ofensa à integridade física simples e 864 por ameaça e coação.
Em 2025, os furtos por carteiristas aumentaram para 1.227, seguidos por 1.894 crimes de violência doméstica, 1.248 de ofensa à integridade física simples, 997 furtos em residência, 853 burlas e 825 por ameaça e coação.
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Crime de violência doméstica “merece especial atenção”
Segundo a PSP, os idosos vítimas de crimes têm uma idade média de 73 anos e os homens são maioritariamente vítimas de crimes patrimoniais e as mulheres de crimes contra pessoas.
No ano passado, 44% dos crimes de violência doméstica eram de tipologia não conjugal, maioritariamente de filhos contra pais.
O aumento da violência doméstica contra idosos, designadamente nas situações em que os filhos são os agressores dos pais, é, segundo a PSP, um crime que “merece especial atenção”.
“Merecem uma especial atenção os crimes de violência doméstica. Temos assistido a um aumento das denúncias que são reportadas da violência filioparental, aquela que é cometida de filhos contra pais”, disse o chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP em entrevista à agência Lusa.
Hugo Guinote explicou que estas vítimas têm uma idade mais avançada, e os agressores são filhos adultos que na maioria vivem com os pais na mesma casa e muitas vezes em contextos de dependência económica, além de consumirem álcool ou drogas, o que “potencia os episódios de violência”.
Segundo o responsável, há uma prevalência da criminalidade patrimonial, sobretudo de furtos e burlas, enquanto nos crimes contra pessoas sobressaem as agressões e a violência doméstica.
Hugo Guinote indicou que a PSP tem feito “continuamente centenas de ações de sensibilização” nos centros de dia, lares e campanhas porta a porta.
“Nessas campanhas vamos alertando os idosos para determinados comportamentos de autoproteção, seja na sua residência, seja nos trajetos entre a residência e os locais que normalmente frequenta, como os locais onde vão fazer as compras diárias ou quando vão fazer o levantamento de quantias monetárias”, disse.
“O facto de termos cada vez mais idosos no nosso país, mas os números de criminalidade estarem relativamente estabilizados, sugere-nos que os idosos estão cada vez a adotar mais comportamentos autoprotetivos”, sustentou.
Segundo Hugo Guinote, a PSP tem em todo o país entre 300 e 350 polícias que, em exclusividade ou em acumulação com as funções da Escola Segura, vão colocando em prática o programa Apoio 65 – Idosos em Segurança, uma iniciativa do Ministério da Administração Interna criada para proteger a população sénior, num duplo contexto, enquanto vítimas de violência doméstica, com foco especial nos idosos que vivem isolados ou em situação de maior vulnerabilidade social.
“No âmbito deste programa, as nossas equipas vão sinalizando os casos que vão sendo reportados e vão procurando através de visitas regulares ou de contactos à distância quando isso é viável. Vamos fazendo estes contactos por forma a monitorizar o grau de risco que resulta da situação de cada idoso”, concluiu.
Cerca de 300 pessoas em situação de risco
A PSP sinalizou ainda este ano 461 idosos e encontrou 294 em situação de risco durante os dois meses de verão em que realizou a operação anual junto desta população.
A operação decorreu entre 27 de julho e 25 de setembro nos centros urbanos de todo o país.
Durante a operação, a PSP realizou 2.240 contactos individuais com a população mais idosa, dos quais resultaram a sinalização de 461 idosos e o encaminhamento para instituições de apoio social de 318, dos quais 294 encontravam-se em situações de risco.
“Destes contactos individuais procedemos posteriormente à sinalização e eventual encaminhamento dos casos mais vulneráveis”, disse o chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP em entrevista à agência Lusa.
Das situações de risco, a polícia encontrou este ano 139 casos com “falta de autonomia” e 68 com “ausência de rede de contactos”.
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