Seleção Brasileira regride taticamente contra a Índia

O grupo não consegue funcionar como uma equipe, mesmo sendo composto por craques que atuam em grandes ligas europeias e jogadores que apresentam alto nível nos times brasileiros.
Ainda se espera que a contratação de um técnico de qualidade, experiente e tarimbado possa montar uma boa equipe, porém até o momento Carlo Ancelotti não conseguiu que a Seleção Brasileira fosse minimamente competitiva, nem mesmo frente a Seleção da Índia, que é extremamente limitada tática e tecnicamente.
Nesses jogos amistosos o que menos importa é o resultado obtido, por isso apesar da vitória frente a Seleção da Índia por 4 a 0, o desempenho tático do Brasil pode ser considerado constrangedor. Não era esperada exibição perfeita neste último jogo, mas pelo menos que os brasileiros conseguissem mostrar a diferença técnica abissal que existe entre as duas Seleções. O mínimo esperado era que a Seleção Brasileira se mostrasse proativa, organizada e minimamente ofensiva em campo.
No futebol costuma-se dizer que a melhor forma de respeitar o adversário é fazer gols e ter boa atuação. Ao invés disso, o Brasil mostrou desinteresse na partida, principalmente no primeiro tempo, quando estavam em campo a maioria dos titulares habituais de Carlo Ancelotti.
Considero que essa tenha sido uma das piores atuações do Brasil desde que Ancelotti iniciou seus trabalhos. Nem ao menos, apareceram os indícios de adequação à um sistema tático, que era o objetivo do amistoso. Além de ficar estagnado, o grupo apresentou traços de retrocesso, o que denota o quanto incipiente está o estágio atual do time brasileiro.
Muitas vezes no primeiro tempo, a Seleção Brasileira insistiu em jogar pela esquerda do campo, procurando Vini Jr., o que denuncia que a equipe não sabia muito bem como evoluir ofensivamente. E, como o atacante não correspondeu a responsabilidade que lhe foi depositada, foi substituído no intervalo da partida.
Na verdade, foram sendo substituídos todos os jogadores, com exceção do goleiro Pedro Morisco. A formação que atuou no segundo tempo apresentou leve melhora de rendimento, fazendo trocas de passes mais rápidas, na tentativa de confundir a marcação adversária, mas nada que tornasse a atuação equilibrada coletivamente.
Desta forma, fica difícil destacar pontos positivos que poderão ficar para a sequência dos trabalhos. Procurando muito bem, a atuação dos atacantes Estêvão e Samuel Lino foram as melhores nas duas etapas da partida.
O fato de a equipe brasileira ter acreditado que poderia construir placar dilatado, sem o mínimo esforço, contribuiu decisivamente para essa atuação extremamente sonolenta e apática. A realidade foi bem diferente, pois a Seleção Brasileira chegou a ficar mais de 30 minutos sem efetuar uma única finalização ao gol.
Ainda temos o agravante de que três dos quatro gols convertidos, foram oriundos de falhas bizarras dos dois goleiros que atuaram pela equipe indiana. Atualmente, o peso histórico de títulos conquistados está alicerçando mais a equipe brasileira do que as atuações em campo, pois nem na América do Sul, a Seleção Canarinho consegue ratificar seu status de potência. O passado é importante, mas acaba tornando-se irrelevante para conquistas futuras.
Mais do que renovação de elenco, é imprescindível que seja alterada a atitude dos convocados para atuarem na Seleção. O técnico tem o papel de formar o grupo e orientar, mas se não existir o comprometimento e o sentimento de unidade coletiva dos jogadores, a construção de uma equipe vencedora é praticamente impossível.
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