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Friday, September 11, 2026

O restaurante no topo do World Trade Center que mudou Nova York

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Poucos negócios da gastronomia americana somaram tanta ambição arquitetônica e resultado financeiro quanto o Windows on the World. Instalado nos andares 106 e 107 da Torre Norte do World Trade Center, o espaço nasceu como aposta em um cenário improvável e terminou como o restaurante de maior faturamento dos Estados Unidos, segundo registros da época citados pela Wikipedia e pelo site especializado Grokipedia. Este ano marcaria os 50 anos de sua inauguração.

Em 1971, quando o restaurateur Joe Baum começou a desenhar o empreendimento ao lado do sócio Michael Whiteman, o entorno do World Trade Center vivia um momento de decadência. Em relato ao The Wall Street Journal, Whiteman, hoje com 88 anos, descreveu pichações hostis pela região, Wall Street em baixa e turistas evitando o sul de Manhattan. O próprio complexo das torres, erguido com dinheiro público em uma cidade endividada e atrasado por anos de resistência política, chegou a ser chamado por moradores de dois arquivos de aço enormes.

Baum e Whiteman transformaram esse ceticismo em espaço de liberdade criativa. O restaurante abriu em abril de 1976 e, já no início dos anos 1980, faturava cerca de US$ 20 milhões por ano (perto de R$ 103 milhões hoje). A trajetória seguiu em curva ascendente até o ano 2000, último período completo de operação, quando o faturamento anual chegou aos US$ 37 milhões, o equivalente a cerca de R$ 190 milhões na cotação atual, mantendo o Windows à frente de concorrentes como o Tavern on the Green na disputa pelo posto de restaurante mais lucrativo do país.

Assinaturas que definiram a estética do lugar

Mesas do Windows on the World com vista para Manhattan ao entardecer, um dos atrativos que ajudaram o restaurante a se tornar o mais lucrativo dos Estados Unidos (Reprodução/Instagram)

O projeto arquitetônico ficou a cargo de Warren Platner, responsável por um ambiente pensado para emoldurar a vista sem interrupções sobre Manhattan, o Brooklyn e Nova Jersey. A identidade visual coube a Milton Glaser, mesmo designer que criaria pouco depois o símbolo I Love NY, com louças e materiais gráficos inspirados nas cores do céu.

O complexo ocupava cerca de 50 mil pés quadrados e chegou a empregar por volta de 450 funcionários, muitos deles imigrantes que encontraram ali uma porta de entrada para o mercado de hotelaria e restaurantes em Nova York.

Uma festa de abertura que virou lenda urbana

O salão principal reunia decoração assinada por Warren Platner e arranjos florais que reforçavam a atmosfera de luxo do endereço (Reprodução/Instagram)

A inauguração, em 1976, reuniu a soprano Beverly Sills e o então prefeito Abe Beame, e ficou marcada por um episódio curioso contado por Whiteman ao WSJ. Parte das louças assinadas por Glaser desapareceu ao longo da noite, levada por convidados que as tratavam como souvenir da festa.

Nos anos seguintes, o endereço se consolidou como ponto de encontro de celebridades e figuras públicas, recebendo nomes como Frank Sinatra, Liza Minnelli, Andy Warhol e o casal Carolyn Bessette Kennedy e John F. Kennedy Jr.

O atentado que interrompeu a operação por três anos

Em fevereiro de 1993, um caminhão bomba explodiu no subsolo do World Trade Center, deixando mais de mil feridos e seis mortos, entre eles um funcionário responsável por recebimento de mercadorias do Windows on the World e quatro funcionários da Port Authority. O ataque comprometeu parte da infraestrutura de fornecimento do restaurante, que já precisava de adequações a normas de segurança vigentes na época.

O espaço ficou fechado por três anos. A reforma, orçada em US$ 25 milhões (cerca de R$ 128 milhões pela cotação atual), manteve a essência do projeto original e trouxe como principal novidade o The Greatest Bar on Earth, formado por três bares reunidos em um único salão, com piano ao centro e cardápio voltado a pratos para compartilhar e comida de rua de diferentes países. O restaurante reabriu ao público em junho de 1996.

O fim em 11 de setembro e o que ficou depois

Nos atentados de 2001, mais de 70 funcionários do Windows on the World morreram durante o turno da manhã. Entre os sobreviventes estava Fekkak Mamdouh, imigrante marroquino contratado em 1996, que nos dias seguintes ajudou a preparar e distribuir refeições para bombeiros, policiais e equipes de resgate que atuavam na região.

Em 2002, Mamdouh cofundou o Restaurant Opportunities Center of New York, organização voltada a apoiar ex-funcionários do restaurante e outros trabalhadores do setor de serviços do centro de Manhattan.

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