Juiz deve reduzir indenização de US$ 12,9 milhões concedida por júri no caso de ataque de cachorro a Chris Brown

Um juiz da Califórnia sinalizou nesta quinta-feira que pretende reduzir o valor para cerca de US$ 8 milhões, a menos que a empregada doméstica atacada opte por um novo julgamento
Nancy Dillon
Um juiz da Califórnia sinalizou nesta quinta-feira que estava prestes a reduzir drasticamente os US$ 12,9 milhões em indenizações que um júri concedeu a uma empregada doméstica que foi atacada por um cachorro de grande porte do lado de fora da mansão de Chris Brown em 2020.
O juiz Huey P. Cotton, da Corte Superior do Condado de Los Angeles, ouviu os argumentos do advogado da empregada doméstica nesta quinta-feira, mas indicou repetidas vezes que não estava convencido a mudar sua decisão provisória. Em sua fala ao tribunal, a advogada da empregada doméstica Maria Avila revelou o conteúdo da ordem não publicada.
“Se Vossa Excelência entender que algum [recuo] é justificável, então eu pediria uma redução menor. A magnitude da redução atual é de quase 40%. Isso é mais de US$ 5 milhões”, disse a advogada de Avila, Nancy Doumanian. “Dada a gravidade e a permanência das lesões que a Sra. Avila sofreu, pedimos uma redução para US 11 milhões, Vossa Excelência, e não o que o tribunal está propondo”.
Doumanian contestou a conclusão provisória do juiz de que não havia provas suficientes de que Avila teria sofrido dano nervoso permanente. Ela apontou para o depoimento do cirurgião que atendeu Avila na noite do ataque e seguiu cuidando dela durante procedimentos reconstrutivos no rosto e no braço.
No julgamento, o cirurgião disse aos jurados que Avila sofreu uma lesão grave no nervo radial, o que reduziu os movimentos do punho e dos dedos e prejudicou sua capacidade de segurar objetos, escrever, digitar, se vestir, se arrumar, limpar e realizar outras atividades diárias, afirmou Doumanian. Ele também testemunhou que Avila continuava a apresentar déficits neurológicos no rosto, incluindo maior sensibilidade à dor.
“Podemos refazer o julgamento, ou vocês podem concordar [com a decisão provisória]”, disse o juiz Cotton. “Eu só preciso de uma decisão”.
Quando Doumanian perguntou se os cortes propostos pelo juiz se aplicavam aos US$ 900 mil que o júri concedeu para despesas médicas futuras de Avila, o juiz Cotton disse que consideraria a questão mais adiante e permitiria que ela apresentasse uma proposta sobre como os cortes deveriam ser distribuídos entre as diferentes partes da indenização. Mas deixou claro que não estava pedindo mais argumentos sobre se a redução total deveria ser menor.
“Acho que seu tempo será melhor gasto definindo a alocação”, disse. “Vou considerar a alocação proposta”.
O julgamento de duas semanas que resultou na indenização de US$ 12,9 milhões concedida pelo júri ocorreu em um tribunal do Condado de Los Angeles em junho do ano passado, com Brown e Avila prestando depoimento. Avila caiu no choro ao relembrar aos jurados o ataque de 12 de dezembro de 2020 na casa de Brown, no bairro de Tarzana, no Vale de San Fernando. Ela disse que o ataque lhe deixou ferimentos graves no braço e no rosto, cicatrizes extensas e transtorno de estresse pós-traumático. “Eu nunca mais vou ser a mesma”, disse aos jurados em 24 de junho.
Falando baixinho, Avila disse que havia saído para esvaziar um saco de aspirador quando o grande Pastor do Cáucaso — também conhecido como Ovcharka da Ásia Central — avançou sobre ela sem aviso. Com as mãos visivelmente tremendo, ela arregaçou a manga esquerda e desviou o olhar para a parede enquanto os jurados examinavam a pele elevada e marcada que cobria seu antebraço. Em seguida, tirou os óculos e levantou a franja para mostrar um conjunto de cicatrizes que ia debaixo do olho esquerdo e subia pela testa.
Depoendo em espanhol com a ajuda de um intérprete, Avila descreveu uma recuperação extenuante. Ela disse que cirurgiões retiraram pele do abdômen para enxertar no braço dilacerado, deixando-a com dor extrema e incapaz de se curvar pela cintura. As lacerações no rosto exigiram dezenas de pontos. As restrições da pandemia impediram a família de visitá-la durante os cinco dias em que esteve internada, obrigando-a a enfrentar tudo sozinha.
Brown, 37, depôs como a primeira testemunha no julgamento. Ele disse aos jurados que ouviu o cachorro, Hades, rosnando do lado de fora e correu escada abaixo para encontrar Avila de bruços e imóvel no chão. Ele contou que prendeu o cachorro, chamou seu segurança para pedir ajuda e se abaixou para se certificar de que Avila estava respirando. Ele reconheceu que não ligou pessoalmente para o 911, afirmando que temia que uma gravação fosse vazada para a mídia. Disse que nunca tocou em Avila, mas que avisou que a ajuda estava a caminho.
Descrevendo os ferimentos de Avila para o júri, o cantor apontou para a própria testa e passou o dedo pelo nariz e abaixo do olho. “Estava cortado, tipo, decepado”, disse. “Eu sei que é gráfico, mas dava para ver a pele meio elevada. Dava para ver o corte e o sangue saindo… Era muito sangue”.
Brown afirmou que deixou a propriedade antes da chegada dos paramédicos porque seu empresário teria sugerido isso. Ele também confirmou que nunca pediu à equipe de segurança que preservasse o vídeo de vigilância de sua casa relativo ao incidente.
“Qual seria o problema de você ficar lá e esperar os paramédicos chegarem, com uma mulher sangrando na sua entrada? Por que isso seria um problema para você como celebridade?”, perguntou Doumanian, incrédula.
“Por causa de como a minha imagem é e sempre é usada. Eu não queria uma história enganosa, ou um circo, por causa do meu status. É bem complicado quando se trata disso. Então, foi aconselhado que eu saísse do caminho”, disse ele.
Antes do julgamento, Brown admitiu negligência com base na lei de mordidas de cachorro da Califórnia. Ele continuou contestando a extensão das lesões de Avila e afirmou que ela teve parte da culpa por ter saído sozinha.
Após o veredito, os advogados de Brown entraram com um pedido de novo julgamento alegando que a indenização de US$ 12,9 milhões era excessiva e que o juiz errou ao permitir que os jurados ouvissem que Brown tinha uma condenação por crime grave. A condenação foi pela agressão de violência doméstica de 2009 contra sua então namorada, Rihanna. Os jurados não ouviram detalhes desse incidente, apenas que a condenação constava em seu histórico.
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