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Saturday, October 10, 2026

Candidato à Fazenda, Kayath causa insatisfação entre bolsonaristas

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Entre os cotados para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), Marcelo Kayath causa estranhamento, e até insatisfação, entre apoiadores do filho do ex-presidente, segundo relatos de pessoas próximas à campanha do candidato. O desconforto vem do histórico e da postura atual do ex-banqueiro.

No passado, Kayath já apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas à gestão do ex-ministro Paulo Guedes e sua equipe, quando à frente do Ministério da Economia, a superpasta organizada durante a gestão de Jair Bolsonaro que acumulava diversas funções.

Ex-executivo do Credit Suisse e atual sócio da gestora QMS Capital, Kayath aproximou-se, nos Estados Unidos, de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Nesta eleição, passou a apoiar o presidenciável à direita. Organizou encontros de Flávio com banqueiros, investidores e empresários, incluindo um jantar em sua residência, em São Paulo.

Os críticos ainda se lembram das falas de Kayath no passado. Em julho de 2021, por exemplo, disse ao jornal Valor Econômico que "a Faria Lima gosta de se iludir", quando avaliou a gestão do então ministro Paulo Guedes.

"Guedes criou uma percepção a curto prazo e todo mundo ficou animado, mas a realidade chegou depois de um tempo", disse Kayath ao jornal.

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O mundo sofria com a pandemia da Covid-19. Era grande a expectativa sobre os rumos da recuperação. A economia global havia mergulhado em 2020, sob o efeito de paralisações de atividades essenciais, como parte da produção industrial e até do transporte marítimo intercontinental.

"A recuperação vai demorar. A gente vai ter um alívio, mas logo voltam os mesmos problemas estruturais de sempre, que não foram resolvidos. Esse governo não tem mais tempo nem condições de dar respostas estruturantes. Vejo a situação com bastante preocupação. Só vai se resolver nas eleições, com um novo governo."

Em 2022, Kayath declarou voto em Lula e participou de encontros com empresários em apoio à candidatura do petista. Ao mesmo Valor, em janeiro daquele ano, deu outra entrevista com críticas à gestão bolsonarista.

Lembrando que as suspeitas contra Lula já haviam sido superadas graças a dois mandatos bem-sucedidos, afirmou que o Brasil tinha de resolver as contas públicas. "O problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula", disse. Na sequência, detalhou seu ponto de vista.

"É só ver o que aconteceu em 2003. [Henrique] Meirelles puxou o juro pra cima e [Antonio] Palocci fez um superávit de 5,3%. O Brasil estava quebrado. Hoje não está. Roberto Campos [presidente do Banco Central] está segurando sozinho com juro porque não tem esforço fiscal. Um juro de 12% no fim de 2022 quebra o país, mas Lula tem mais condição de fazer um ajuste para derrubá-lo do que um cara de direita. E no momento em que houver confiança, o juro longo começa a cair, as expectativas mudam e o juro curto desce".

Disse ainda que a esquerda não tinha "monopólio do bem", pois muita gente de direita era preocupada com o Brasil, menos Bolsonaro. "Ele não é de direita, é maluco."

A resistência dos bolsonaristas aumentou com as entrevistas recentes concedidas por Kayath, segundo os relatos feitos à Folha.

À CNN Brasil, nesta quarta-feira (7), ele apresentou avaliações sobre os desafios econômicos do Brasil e apontou estratégias de um eventual governo Flávio para solucionar os problemas. Destacou, por exemplo, a importância de um choque de gestão, a redução de ministérios e disse que não bastava fazer cortes de gastos porque o país precisa reestruturar o Orçamento.

Afirmou ainda ser contrário à figura do ministro "Posto Ipiranga", expressão usada por Jair Bolsonaro para se referir a Paulo Guedes durante a campanha presidencial de 2018. Kayath disse que não fazia uma crítica pessoal ao ex-ministro, por quem declarou ter respeito, mas defendeu um modelo de gestão econômica menos concentrado em uma única pessoa.

Apesar de afirmar não ter tratado com Flávio de uma eventual indicação para o cargo de ministro da Fazenda, a percepção de quem ouviu a entrevista foi que se comportava como se já o fosse.

Entre pessoas próximas ao candidato, há críticas à antecipação do debate econômico. A avaliação é que a exposição de nomes e propostas neste momento cria desgastes desnecessários a Flávio.

Quem acompanha a campanha afirma ainda que Flávio não pretende discutir a composição de um eventual governo antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A orientação seria concentrar os esforços em ganhar a eleição.

Procurado para comentar esse desconforto, Kayath não se manifestou até a publicação deste texto.

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