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Monday, November 2, 2026

Mulheres têm mais medo de errar no trabalho quando homens são maioria, aponta estudo

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Um estudo liderado pela London School of Economics (LSE), do Reino Unido, e publicado na revista Frontiers in Organizational Psychology analisou de que forma o gênero e a proporção de homens no ambiente de trabalho influenciam a percepção dos erros profissionais.

"Em equipes nas quais três quartos ou mais dos integrantes são homens, as mulheres relataram sentir menos conforto para admitir um erro e menos confiança de que a experiência resultará em aprendizado. Já em ambientes onde as mulheres são maioria, essa desconfiança desaparece", afirma Grace Lordan, autora principal do estudo.

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O fator do gênero

Para realizar a análise, a equipe entrevistou mais de 1,4 mil profissionais do setor financeiro de Londres, dos quais 81% eram mulheres.

Os resultados apontaram dois padrões consistentes:

  • ser mulher e trabalhar num ambiente dominado por homens está associado a uma percepção mais negativa dos erros;
  • homens demonstraram uma visão mais positiva das falhas em todas as dimensões analisadas.
As mulheres relataram sentir menos conforto para admitir erros, mostraram maior tendência a acreditar que seriam punidas por cometê-los e estavam menos inclinadas a encará-los como oportunidades de aprendizado.

Segundo a pesquisa, quanto maior a predominância masculina no ambiente de trabalho, mais acentuadas se tornam essas diferenças.

"Em equipes nas quais mais de três quartos dos integrantes eram homens, as mulheres relataram menor nível de conforto do que os homens nas mesmas condições", acrescenta Lordan. "As mulheres também eram menos propensas a enxergar os erros como oportunidades de aprendizado."

Já em ambientes com baixa proporção de homens, "as opiniões das mulheres são tão positivas quanto as dos homens, ou até ligeiramente mais positivas". A percepção masculina, por outro lado, variou muito pouco independentemente da composição do local de trabalho.

Receio de consequências informais

O único aspecto em que a equipe não encontrou diferenças entre homens e mulheres foi na expectativa de aplicação de sanções. Ambos os grupos acreditavam enfrentar as mesmas consequências formais diante de um erro equivalente.

O fato de as mulheres se sentirem mais desconfortáveis e menos confiantes em sua capacidade de aprender com os próprios erros, mesmo esperando as mesmas punições que os homens, indica que a diferença de gênero está no campo psicológico, segundo o estudo.

Embora homens e mulheres presumam que as políticas disciplinares formais sejam aplicadas de maneira semelhante, as mulheres sentem que ocupam uma posição mais vulnerável em termos de reputação informal.

Elas também temem que admitir um erro gere questionamentos sobre sua competência ou produza estigmas implícitos capazes de afetar seu status profissional.

As mulheres temem "ser percebidas como menos competentes e que o erro seja usado contra elas de maneiras não escritas", afirma Lordan.

O que as empresas podem fazer

O estudo alerta que a falta de segurança psicológica entre mulheres que trabalham em ambientes predominantemente masculinos pode trazer consequências negativas para toda a organização. "Aprender com os erros é a base da inovação. Se as mulheres se sentem menos livres para admitir equívocos, a organização não perde apenas confiança, mas também lições valiosas", afirma Lordan.

Para apoiar funcionárias e reduzir essa percepção negativa, o estudo sugere que líderes de equipe, especialmente homens que comandam grupos majoritariamente masculinos, contribuam para mudar o ambiente de trabalho ao demonstrar transparência sobre os próprios erros.

O estudo também recomenda que as empresas criem redes de mentoria e espaços de apoio nos quais mulheres possam discutir falhas profissionais com confiança e sem receio de julgamentos.

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