PunchGovernments would be better if women were in charge – ObamaESPNLet's predict the next five Super Bowl champs: Seahawks repeat in 2026? Chiefs get another by 2030?Bollywood HungamaRaza Murad questions Bollywood stars’ absence at Mushtaq Khan’s funeral: “Koi bada chehra nahin aaya”ESPN DeportesEN VIVO: Sigue el Gran Premio de Azerbaiyán 2026CNN TürkChery 24 Saat Tuzlu Su ve Darbe Testine GirdiUN NewsThe Takeaway: UN General Assembly debate Day 4The Jerusalem PostChina, US agree to $30 billion tariff cut, AI dialogue following Xi-Trump summit in WashingtonInquirerPagasa: Queenie nears typhoon categoryColliderThe True Story Behind Liam Neeson’s New Movie Left Him “Angrier and Angrier”매일경제“대게 2마리 37만원, 꽃게 다리는 1개”…소래포구 ‘바가지 근절’, 이번엔 성공할까경향신문성매매 업주와 고발자 연결 허위진술 조언한 경찰관 항소심도 징역 10개월Rai NewsMessina, donna getta acido sul suo avvocato: il legale è ricoverato in rianimazione
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, September 26, 2026

Vikings não eram apenas guerreiros: como museus recontam a história de uma sociedade complexa

Translate

Um homem de espada em punho, pronto para a batalha. Essa é uma das imagens mais conhecidas dos vikings, repetida por gerações e associada à Era Viking. Mas ela representa apenas uma parte de uma sociedade muito mais complexa.

Agricultores, comerciantes, marinheiros e mulheres também faziam parte desse mundo. Ainda assim, a figura do guerreiro masculino continua ocupando espaço de destaque nas exposições dos principais museus vikings da Escandinávia.

Uma análise de exposições na Dinamarca, Suécia e Noruega mostra como essas instituições tentam ampliar a maneira de contar essa história sem abandonar uma imagem profundamente enraizada no imaginário popular. A análise foi feita por Julia Håkansson, pesquisadora de Museologia da Universidade de Lund, e publicada no The Conversation.

Vikings eram muito mais do que guerreiros

As próprias exposições mostram que lutar era apenas uma das atividades desempenhadas pelos homens durante a Era Viking. Eles também aparecem como agricultores, comerciantes e marinheiros.

Na exposição sueca, há ainda uma distinção importante. Muitos homens e mulheres livres possuíam armas, mas apenas alguns se consideravam efetivamente guerreiros. Apesar disso, espadas, navios e objetos ligados a viagens e comércio continuam entre os elementos mais visíveis nas exposições.

Para Håkansson, essa escolha revela um desafio para os museus. Eles precisam apresentar uma sociedade historicamente mais complexa enquanto recebem visitantes familiarizados com guerreiros, batalhas e deuses nórdicos.

Em Copenhague, por exemplo, a exposição do Museu Nacional apresenta a Era Viking como um mundo marcado por uma cultura guerreira e por divindades como Odin, Thor e Freyja.

Mulheres vikings ainda recebem menos espaço

A tentativa de ampliar a história também passa pela presença das mulheres vikings, embora elas ainda recebam espaço mais limitado. Segundo a análise, exposições tradicionalmente deram maior atenção a figuras femininas consideradas excepcionais, como mulheres da nobreza ou possíveis guerreiras. Com isso, a vida das mulheres comuns se torna menos visível.

Quando aparecem, muitas representações estão relacionadas à casa, às roupas e à administração das propriedades. A exposição dinamarquesa, porém, também destaca que mulheres participavam da gestão das fazendas e viajavam.

Objetos encontrados em sepultamentos de mulheres ricas e aristocráticas apontam ainda para diferentes funções sociais. Para a pesquisadora, essas representações ajudam a ampliar a narrativa, mas ainda não ocupam o mesmo espaço concedido às histórias masculinas.

Como surgiu a imagem que temos dos vikings

A associação entre vikings e guerreiros não nasceu apenas com filmes, séries e outras produções da cultura popular. Durante o século XIX, a Era Viking ganhou importância na construção das identidades nacionais dos países escandinavos.

Nesse período, histórias sobre os vikings passaram a integrar narrativas sobre as origens de Dinamarca, Noruega e Suécia. Com o tempo, esses personagens se transformaram em símbolos reconhecidos muito além da região.

Essa relação com a identidade nacional permanece presente nos museus. As exposições não apenas apresentam objetos antigos, mas também ajudam a contar como cada sociedade interpreta o próprio passado.

Na Dinamarca, por exemplo, essa narrativa está relacionada à história de Harald Bluetooth, rei associado à formação do país e à expansão do cristianismo.

Era Viking também ajuda a contar a origem da Escandinávia

Outro tema presente nas exposições é a transformação política e religiosa ocorrida durante a Era Viking. Uma narrativa recorrente apresenta esse período como parte da passagem de grupos pagãos dispersos para reinos cristãos mais unificados.

A forma de interpretar esse processo, no entanto, não permaneceu igual ao longo do tempo. Desde a década de 1980, pesquisadores também observaram maior atenção aos contatos culturais entre escandinavos e povos muçulmanos.

Descobertas arqueológicas que registram esses encontros passaram a integrar discussões contemporâneas sobre identidade e nacionalismo na Suécia e na Noruega. Isso mostra como uma mesma época histórica pode receber diferentes interpretações conforme as questões presentes na sociedade que a apresenta.

Por que o mito do guerreiro continua tão forte

O desafio dos museus está em equilibrar o conhecimento histórico com uma imagem que o público reconhece imediatamente. Espadas, navios, batalhas e deuses nórdicos fazem parte do imaginário construído em torno dos vikings. Ao mesmo tempo, as evidências mostram uma sociedade formada por pessoas com atividades e papéis muito mais variados.

É nesse contraste que as exposições atuais tentam reconstruir a história dos vikings. Para Håkansson, a forma como os museus apresentam a Era Viking não depende apenas do que se conhece sobre aquele período. Ela também revela como as sociedades escandinavas atuais interpretam e usam o próprio passado.

View the original on Exame →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.