Messi deixa a Seleção Argentina, jogando em alto nível

Não há dúvidas que Messi é um dos principais jogadores da história do futebol mundial. Sua ausência nos jogos da Seleção da Argentina será uma perda inigualável, tanto pela identificação que foi construída em retrospecto relativamente recente, como também pelo aspecto técnico, que trazia beleza ao futebol praticado. Jogando pela Seleção ele colocou a alma em campo, o que não era percebido nos clubes onde atuou, apesar da extrema contribuição tática e técnica que deixou em todos eles.
O desafio que a Seleção da Argentina terá pela frente é demasiadamente complicado, pois a aposentadoria de Messi, provavelmente mexerá em questões estruturais da equipe, que já estavam pré estabelecidas. A grosso modo, poderíamos dizer que a estrutura da Seleção orbitava em torno de Messi, que é um jogador de qualidade extraordinária e poderia decidir partidas com lances geniais, como fez nas duas últimas Copas do Mundo.
Em 2026, tivemos vários momentos em que o sistema montado pelo técnico Scaloni não funcionou da maneira esperada, o que obrigou o protagonismo de Messi ascender e salvar o time de eliminações iminentes. Acredito que a escolha de Messi em parar de jogar pela seleção de seu país em alto nível, se deve em parte à responsabilidade que lhe era depositada.
Se continuasse a atuar pela Seleção Argentina possíveis cobranças e críticas que ele não teria como sanar devido ao seu potencial ser reduzido pela idade e seu momento de carreira, poderiam abalar sua imagem como jogador e ferir unilateralmente, tanto a ele como a torcida que desgastaria sua imagem.
Em diversos momentos de sua carreira quando atuava no Barcelona, Messi chegou a ser publicamente rotulado como jogador que só conseguia demonstrar seu potencial com a camisa do clube. Tanto é que se afastou temporariamente após a Argentina perder título da Copa América em 2016.
A relação ficou estremecida até que o técnico Lionel Scaloni o convenceu de que ele seria importante para a reestruturação da Seleção Argentina. Messi não só aceitou a responsabilidade de ser importante para o grupo, como assumiu a faixa de capitão e se tornou peça central da equipe, com todo o esquema tático sendo desenhado em função de seu desempenho.
A partir deste momento a percepção que tenho é que Messi entendeu a sua função de líder e passou a exerce-la de forma magistral. Foram dois títulos da Copa América, na edição 2020/21 e 2024 e um título da Copa do Mundo em 2022. Ainda pela Copa do Mundo Messi auxiliou a Argentina a conquistar dois vice-campeonatos em 2014 frente a Seleção da Alemanha e em 2026 quando a Seleção da Espanha foi a Campeã do Mundo.
Lionel Scaloni foi o principal responsável pela recuperação da imagem de Messi junto a Seleção Argentina. Taticamente Messi passou a ter liberdade para flutuar em todas as regiões do campo, sendo desobrigado de efetuar qualquer função defensiva. Acredito que esse foi o diferencial decisivo para melhora vertiginosa de rendimento do jogador e da equipe argentina.
O treinador já busca nomes para suprir essa lacuna do meio-campo. O principal deles é Nico Paz, meio-campista ofensivo, que atua no clube Como 1907, da Itália e com chances de voltar a atuar no Real Madrid. Nico é muito bom no domínio de bola, na visão de jogo e na capacidade de executar finalizações assertivas. Tem feito algumas entradas em Amistosos de Seleções e demonstrou ter futuro promissor na equipe de Los Hermanos.
Particularmente fico triste com a aposentadoria de Messi na Seleção da Argentina, pois em várias ocasiões torci pela "Seleção Albiceleste", por seu espírito aguerrido e por admirar a estrutura formada por Scaloni. O lado bom é que Messi não se afastou definitivamente dos gramados e continua a atuar no Inter Miami. Mas, o futebol de Seleções perde muito com a saída de um jogador “extraterreno”, como Messi.
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