O filme que salvou os jogos do Sonic do cancelamento

Diretor criativo da franquia relembra “luta” para manter universo de games em produção
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)
Em uma nova conversa durante a Tokyo Game Show, o grande responsável pela franquia de jogos do Sonic relembrou o período mais dificil do universo do ouriço azul. Segundo o diretor criativo da Sonic Team, segmento da SEGA responsável pelos jogos, a ida do personagem para o cinema salvou a franquia do cancelamento.
Em entrevista à Southeast Asian Media (via One More Game), Takashi Iizuka explicou que sua relação com o ouriço mais rápido dos videogames é uma das mais duradouras de sua vida. “Já se passaram 35 anos, o que significa que é mais tempo do que o nascimento dos meus filhos, então eu vejo essa franquia como se fosse meu próprio filho”, relembrou em comemoração ao aniversário do Sonic.
Entretanto, o chefe da equipe e o personagem já passarm por maus bocados juntos: “Houve bons e maus momentos”, contou Iizuka. “Durante os piores momentos, os superiores me disseram que deveríamos cancelar toda a série. Tive que lutar dentro da organização para manter a franquia o máximo de tempo possível”.
O cenário começou a mudar com o lançamento de Sonic: O Filme, em 2020. A recepção positiva do público à produção live-action ajudou a ampliar novamente a presença do personagem, e alterou os plano de desenvolvedora e produtora SEGA. “Foi um grande sucesso e definitivamente mudou o rumo desta franquia”. O executivo considera que o desempenho da adaptação foi determinante para a continuidade e expansão de Sonic também nos videogames.
Ao definir seu personagem favorito da franquia, o diretor criativo também revelou outro ouriço que poderia ter encontrado um fim prematuro: “Agora, o terceiro filme foi lançado e a popularidade do Shadow está em ascensão. Antes disso, os personagens mais populares eram Sonic, Tails e Knuckles, e sempre foi assim. Mas agora, Shadow está alcançando a mesma popularidade que o Sonic. E eu, pessoalmente… ele é o meu personagem favorito (Shadow). Quero que o Shadow tenha mais espaço para se destacar. Quero dar mais destaque a ele.”
A popularidade de Shadow sempre surpreendeu a Sonic Team. Na verdade, ele originalmente deveria morrer permanentemente m um game de 2001. “Se você jogou Sonic Adventure 2, talvez saiba que Shadow basicamente morreu no final do jogo. Inicialmente, nossa intenção era simplesmente ‘eliminar o personagem’ (matá-lo), mas Shadow era tão popular que decidimos ressuscitá-lo em Sonic Heroes. ”
Com o sucesso atual de Sonic em jogos, filmes e animações, Iizuka vê o aniversário como uma plataforma de lançamento para ainda mais expansão. “Anunciamos recentemente o desenho animado infantil na Netflix e, em março do ano que vem, lançaremos o quarto filme da franquia… Lançaremos algum tipo de conteúdo quase todos os anos daqui para frente. Sejam animes, videogames ou filmes. Tentaremos apresentar o máximo de conteúdo possível no próximo ano, então aguardem os anúncios oficiais. ”
Mesmo com a expansão do ouriço azul por diferentes mídias, o diretor insiste que as raízes da franquia permanecem firmemente plantadas nos jogos. “A própria franquia está enraizada nos videogames. Vamos basear tudo nos videogames. Esse é o nosso princípio fundamental.” Iizuka também percebe uma mudança no que os fãs esperam dos jogos do Sonic. Enquanto os jogadores veteranos esperam ação e plataforma, os fãs mais novos, especialmente aqueles que conheceram o jogo através dos filmes e animações, buscam uma abordagem mais focada na narrativa. “E para eles, a história é mais importante. Então, nos próximos anos, eu realmente quero criar um jogo que dê mais ênfase à história.”
No presente, os filmes de Sonic também se transformaram em uma importante fonte de receita para a SEGA. Sonic: O Filme arrecadou quase US$ 320 milhões (mais de R$ 1.66 bilhão) nas bilheterias — enquanto a sequência lançada posteriormente ultrapassou os US$ 405 milhões (cerca de R$ 2 bilhões). O próximo filme da franquia, Sonic 4, está previsto para chegar aos cinemas em março de 2027.
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Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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