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Monday, November 2, 2026

Midterms 2026: os sete estados que vão decidir o Senado dos EUA e o futuro de Trump

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Nesta terça-feira, 3, os americanos vão às urnas nas chamadas midterms, as eleições de meio de mandato, que ocorrem dois anos depois da escolha do presidente e renovam o Congresso.

Serão preenchidas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, com mandatos de dois anos, e 35 das 100 do Senado, onde cada estado tem dois representantes eleitos para seis anos.

Quem controla as duas Casas define o ritmo da agenda de Donald Trump na segunda metade do governo. Os parlamentares aprovam leis e o orçamento, e os senadores ainda confirmam as indicações presidenciais, de integrantes do gabinete a juízes da Suprema Corte.

A um dia da votação, pesquisas e analistas apontam a Câmara encaminhada para a oposição democrata, enquanto o Senado segue em suspenso.

A maioria na Casa Alta, como é chamada a instituição, deve sair de sete estados. Nesse grupo, os democratas estão à frente em seis na pesquisa final do The New York Times com a Universidade Siena, divulgada no domingo, 1º.

No sétimo deles, Iowa, a diferença fica dentro da margem de erro, o que configura empate técnico.

Para virar o jogo no Senado, a oposição precisa chegar a 51 cadeiras. Hoje o Partido Republicano, de Trump, ocupa 53 dos 100 assentos, e os democratas, 45, além de dois independentes que votam com eles.

Uma divisão em 50 a 50 seria resolvida pelo vice-presidente, JD Vance, que tem o voto de minerva. Na prática, os democratas têm de preservar tudo o que já controlam e tomar no mínimo quatro vagas dos adversários.

Dos sete estados, Michigan é o único em que a cadeira em disputa pertence aos democratas. Fora dessa lista, a conta tende a favorecer a oposição.

A Carolina do Norte, onde o republicano Thom Tillis não concorre à reeleição, aparece como provável ganho democrata nas classificações do Cook Political Report, boletim apartidário de análise eleitoral.

Se a previsão se confirmar, o partido precisará virar apenas três dos seis assentos republicanos do grupo, desde que mantenha Geórgia, Minnesota e New Hampshire, onde também é favorito.

O que muda para Trump

O partido do presidente controla atualmente as duas Casas, o que lhe garante trânsito livre no Legislativo. Perder esse comando mudaria o tom da segunda metade do mandato, que termina em janeiro de 2029.

Com a Câmara, os democratas passam a presidir as comissões e ganham poder para convocar audiências, intimar testemunhas e abrir investigações. Os deputados cotados para esses postos já anunciaram que pretendem apurar os negócios da família Trump e a decisão de ir à guerra contra o Irã.

A Casa também é a porta de entrada de um processo de impeachment. O líder democrata Hakeem Jeffries, na fila para presidir os deputados, evita se comprometer com essa via contra o presidente, e o alvo mais provável é o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Uma vitória democrata também no Senado ampliaria o cerco a Trump. Com maioria ali, a oposição poderia barrar nomes escolhidos por ele para o gabinete e os tribunais federais, e é nessa Casa que se julga um eventual impeachment, com condenação condicionada a dois terços dos votos.

A guerra serve de termômetro. Neste ano, os senadores votaram 14 vezes resoluções para obrigar o presidente a encerrar as operações no Irã e aprovaram apenas uma, de caráter simbólico. Em setembro, essa medida caiu por um voto, 49 a 50.

Trump, porém, mantém o poder de veto. Para derrubar um veto, o Congresso precisa da mesma maioria de dois terços, agora nas duas Casas, patamar que nenhum partido deve alcançar. O presidente também segue livre para governar por decretos, dentro dos limites legais.

O resultado pesa ainda sobre a sucessão. Impedido pela Constituição de concorrer em 2028, o presidente tende a perder influência sobre quem herdará a candidatura republicana se sair das urnas derrotado nas duas frentes.

Para o Brasil, o equilíbrio no Senado também conta, já que cabe aos senadores confirmar embaixadores e ratificar tratados comerciais.

Mapa adverso, clima favorável

A geografia joga contra os democratas. Quase todos os sete estados votaram em Trump em 2024, e alguns não elegem um senador do partido há décadas.

O ambiente, porém, mudou desde então. A gasolina segue cara, a guerra com o Irã não terminou e a aprovação do presidente caiu a 32%, segundo pesquisa Reuters/Ipsos encerrada em 26 de outubro.

No conjunto de estados ouvidos pelo NYT, a percepção é de que os democratas inspiram mais confiança que os rivais quando o assunto é custo de vida, com folga de nove pontos percentuais.

Ainda assim, os republicanos têm trunfos. O levantamento do The New York Times mostrou que eleitores que definiram o voto no último mês tendem a escolher o partido de Trump, que também teve mais dinheiro ao longo da campanha.

Só Elon Musk, o homem mais rico do mundo, destinou US$ 446 milhões a grupos alinhados à legenda do presidente, segundo registros da Comissão Federal Eleitoral (FEC).

É o maior valor já doado por uma pessoa física na história política recente do país, de acordo com o The Washington Post.

Quem lidera a disputa pelo Senado em cada estado

Michigan A vaga ficou aberta com a saída do democrata Gary Peters. O médico Abdul El-Sayed, crítico declarado de Israel, marca 53%, ante 42% de Mike Rogers, ex-deputado que perdeu a eleição de 2024 por menos de 20 mil votos. A reta final foi tumultuada pelo rompimento com Haley Stevens, derrotada por ele nas primárias, que neste fim de semana anunciou apoio ao candidato republicano. Se vencer, El-Sayed será o primeiro muçulmano eleito para o Senado.

Texas Nenhum democrata texano conquista uma dessas cadeiras desde 1988. James Talarico, parlamentar estadual de 37 anos, ex-professor e seminarista presbiteriano, soma 50%, frente a 43% de Ken Paxton, procurador-geral que tirou o titular John Cornyn do páreo nas primárias. Mais de seis em cada dez prováveis eleitores já haviam votado antecipadamente, e nesse grupo Talarico abre 53% a 43%.

Maine No cargo há cinco mandatos, Susan Collins é a única republicana que tenta a reeleição numa unidade da federação vencida por Kamala Harris. Seu oponente, Troy Jackson, ex-lenhador e ex-presidente do Senado local, assumiu a candidatura depois que o primeiro indicado deixou a corrida. Jackson tem 51%, e Collins, 45%. Ainda assim, ela é a única entre os republicanos dessas corridas com imagem mais positiva que a do adversário.

Ohio A eleição especial preenche a cadeira deixada por Vance ao assumir a vice-presidência. Jon Husted, nomeado para o posto pelo governador Mike DeWine, enfrenta Sherrod Brown, que representou Ohio por três mandatos e perdeu o assento em 2024. Brown registra 49%, e Husted, 44%, num território onde Trump venceu por 11 pontos há dois anos.

Kansas A última vitória democrata nesse tipo de eleição ali ocorreu em 1932. Adam Hamilton, pastor da maior igreja metodista unida do país, aparece com 49%; o senador Roger Marshall, obstetra de formação, com 44%. O libertário David Graham reúne 4%, fatia capaz de pesar na conta final.

Alasca É o cenário mais imprevisível. A ex-deputada Mary Peltola lidera com 48%, sobre 46% do atual ocupante da cadeira, Dan Sullivan, mas viu a vantagem encolher em relação a setembro. A cédula traz ainda um homônimo, professor aposentado sem parentesco com o republicano, e as regras locais adotam o voto preferencial, no qual o eleitor ordena os nomes. A apuração costuma se arrastar por dias.

Iowa Joni Ernst não buscou a reeleição, e a disputa ficou aberta. O legislador estadual Josh Turek registra 48%, e a deputada federal Ashley Hinson, 47%. Um ponto separa os dois.

Diferenças curtas, noite longa

Apenas em Michigan e no Texas a vantagem democrata é grande o bastante para não ser atribuída à margem de erro da pesquisa, que vai de 3,4 a 5 pontos, conforme o estado. Nos outros cinco estados, o resultado continua indefinido.

Na Câmara, o quadro é mais confortável para a oposição, que precisa de 218 deputados. As avaliações finais do Cook Political Report, compiladas pelo The New York Times, admitem até 240 cadeiras, o que seria a maior bancada democrata desde 2009.

As primeiras pistas devem aparecer ainda na noite de terça-feira, 3, segundo análise do Axios. Às 21h de Brasília, fecham as urnas na Carolina do Sul, onde a senadora republicana Darline Graham, que assumiu a cadeira do irmão, Lindsey Graham, morto em julho deste ano, enfrenta uma corrida apertada.

A derrota de Darline provavelmente afundaria a maioria governista. No mesmo horário, distritos da Flórida e da Virgínia devem indicar a dimensão do avanço democrata na Câmara. Às 22h, chega a vez do Texas. Se Paxton resistir, os republicanos ainda terão um caminho para conservar o Senado.

O Alasca pode adiar a resposta final, e a definição do Senado tende a avançar pela madrugada de quarta-feira, 4, ou ficar para os dias seguintes.

Até a posse dos eleitos, em 3 de janeiro de 2027, o atual Congresso segue em função e precisa aprovar até 11 de dezembro um novo orçamento para evitar a paralisação do governo federal.

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