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Sunday, November 1, 2026

As notícias das 4h

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Quatro horas. As notícias com Maria Miguel Marques. Começamos pelos protestos pela habitação. Já passam mais de três horas de enorme tensão no Porto e em Lisboa. A PSP exigiu aos manifestantes do movimento A Campada para retirarem as tendas da Praça do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto. A decisão dos manifestantes manteve-se. As tendas são para ficar. E são ainda dezenas de tendas e centenas de pessoas que ocupam, neste momento, as praças da capital e da Invicta. Esta ação sucede manifestações que reuniram milhares no Porto e em Lisboa neste fim de semana. Ora, começamos na capital. A PSP acaba de dar cinco minutos para os manifestantes retirarem as tendas. Na Praça do Rossio está o repórter David Bilé. David, neste momento, há sinais de que estará para breve uma intervenção?

Há sinais de que está para breve uma intervenção, Maria, e também que vai haver aqui o segundo aviso por parte da PSP. O primeiro aviso foi feito há poucos minutos. Neste momento, reúnem-se várias pessoas aqui aos polícias. Os polícias têm aqui o megafone, provavelmente vão fazer agora este segundo aviso para avisar as pessoas que vão ter de retirar as tendas e desmobilizar. Portanto, neste momento, estamos a ouvir o aviso.

Atenção, senhores manifestantes. A Polícia de Segurança Pública reitera a ordem de dispersão anteriormente comunicada. Não obstante a advertência efetuada, verifica-se que a reunião permanece na Praça Dom Pedro IV, para além do horário permitido, mantendo-se igualmente a ocupação do espaço público por estruturas instaladas sem a necessária autorização municipal. É novamente ordenado a todos os participantes que cessem a reunião e abandonem o local de forma pacífica. Reitera-se expressamente que o incumprimento desta ordem legítima de dispersão constitui crime desobediência previsto e punido pelo artigo 304 do Código Penal. Senhores manifestantes, por favor, retirem as tendas. É concedido o prazo adicional de cinco minutos para retirarem as tendas.

Fica aqui o segundo aviso por parte da PSP, um prazo adicional de cinco minutos. Aqui há muita contestação por parte dos manifestantes que estão aqui na Praça do Rossio. Já há pouco, no primeiro aviso, também tinha havido essa mesma contestação e vários cânticos de pessoas a dizerem: "Daqui não saio, daqui não me tiram". E, portanto, agora temos de esperar para ver quando é que a PSP vai intervir, sendo que essa é já uma certeza, e também porque vemos aqui, na entrada, na Praça do Rossio, várias carrinhas de intervenção da PSP. Portanto, é já uma certeza que essa intervenção vai acontecer, Maria.

A reportagem de David Bilé a partir da Praça do Rossio, a dar conta do segundo aviso da PSP. Cada vez mais fica mais certo que a polícia vai intervir nos próximos minutos. E no Porto, os manifestantes da acampada também não arredam pé. Na Praça D. João I, está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, também cada vez mais vemos o reforço policial nesta praça.

A praça está, neste momento, rodeada de polícias. São carrinhas e carrinhas da Unidade Especial de Polícia aqui na Rua de Sá da Bandeira, por exemplo, perdem-se de vista estes veículos da Polícia de Segurança Pública, que chegou há menos de meia hora, há alguns minutos, aqui à Praça D. João I, e que prontamente fez esse primeiro aviso e, instantes depois, cumprindo esses cinco minutos entre um aviso e o outro, o que não se verificou, por exemplo, na última intervenção policial aqui na Praça D. João I. Os polícias fizeram o primeiro aviso e deram esse prazo de 10 ou cinco minutos, mas que depois acabaram por esperar. E hoje fizeram esse primeiro aviso, justamente igual àquele que ouvíamos à boleia do David na Praça do Rossio. Agora vamos ouvindo, são audíveis esses gritos de: "25 de abril sempre, fascismo nunca mais". E como eu dava conta, quando foi feito esse primeiro aviso, a polícia usou uma das carrinhas aqui estacionadas e esse aviso não foi audível. Alguns manifestantes reclamaram porque não se ouvia. A polícia utilizou outra carrinha, acabou por fazer novamente esse aviso e, entretanto, o advogado Tiago Machado falou com a polícia e explicou, disse que não se ouvia e foi aqui um diálogo, conseguimos captar há pouco entre a polícia e o advogado Tiago Machado.

O pessoal queixava-se que não conseguia ouvir quem está lá ao fundo na última fila.

Doutor Tiago, isso já foi transmitido pra vocês, à meia-noite e meia. Já foi conversado, foi votado. Todas as instruções que eu estou a dar aqui foram precisamente transmitidas àquela hora. Segundo percebi, fizeram uma votação e decidiram que não iam acatar.

E é precisamente esta justificação da PSP para, desta vez, esse prazo que deram de cinco minutos entre um aviso e o outro, ter sido rigorosamente cumprido. Porque, diz a polícia, e é comprovável pelo tempo que já passou desde que foi feito esse diálogo, esse primeiro diálogo, não aviso, distanciando o que é esse diálogo que acontece regularmente, depois com esse aviso, esses três avisos que acontecem aqui na Praça D. João I, e a polícia diz que já fez esse aviso informal, esse diálogo, há muito tempo e que por isso não há justificação para deixar passar mais tempo. Fizeram o primeiro aviso, fizeram o segundo, aguardamos, como tem sido habitual, um terceiro, para ver se estes polícias que estão aqui estacionados na Praça D. João I vão sair destas carrinhas, que, como dizia, são muitas e cercam neste momento a Praça D. João I, com muitas ruas cortadas, enquanto os manifestantes, é audível, continuam com gritos de ordem.

Jornalista Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, a partir da cidade do Porto, que assim como Lisboa, vive momentos de tensão entre a PSP e os manifestantes da acampada. Passaram agora três horas do limite para o protesto e as tendas permanecem nas Praças Dom João I e na Praça do Rossio. Este cenário, recordo, levou a uma carga policial violenta há exatamente uma semana. E a PSP já tinha garantido que ia ter tolerância zero. E regressamos a Lisboa para saber com o nosso repórter, David Bilé. David, neste momento também há um maior reforço policial, agora que esperamos o terceiro aviso da PSP?

Sim, há o maior reforço policial, mas creio que a grande mudança aqui acontece da parte dos manifestantes, que se preparam para formar um cordão humano. Muitos deles estão munidos de capacete, a prepararem-se também para o caso de bastonadas na cabeça. E, portanto, os manifestantes mudaram completamente a atitude que estavam a ter. Estiveram toda a noite completamente pacíficos, à conversa, e nem sequer estavam a fazer grande barulho, mas a partir do momento em que houve estes dois avisos por parte da PSP, há aqui uma grande manifestação por parte deste movimento, que se colocam agora para tentar resistir à ação da polícia, que parece que está muito para breve, na medida em que há várias carrinhas de intervenção da PSP estacionadas à entrada na Praça do Rossio. Portanto, foram de facto três horas de espera para que chegasse a este momento, mas uma coisa é certa, ele chegou, Maria.

Sim, exatamente, David. E também recordo que, durante esta noite, a PSP efetivamente tinha deixado a promessa de privilegiar o diálogo e acabou por acontecer até com deputados, certo?

É verdade. A polícia esteve aqui largos minutos em conversas com vários deputados que estiveram aqui, do PS, Pedro Alves, Eva Cruzeiro, o Fabiano Figueiredo, do Bloco de Esquerda, e também os deputados Jorge Pinto, Isabel Mendes Lopes e Paulo Costa e Olivas estiveram a falar com as autoridades, juntamente com membros da Provedoria de Justiça, que estão aqui exatamente para fiscalizar a atividade das forças de segurança. Foi, de facto, privilegiada essa via do diálogo por parte das autoridades durante este início da madrugada, mas esse limite parece que chegou ao fim. A PSP já avisou duas vezes que os manifestantes devem retirar as tendas. A PSP baseia-se numa lei de 1974, ainda do tempo do PREC, e os manifestantes dizem que a Constituição lhes garante o direito a estarem aqui, a pernoitarem aqui na Praça do Rossio e a montarem tendas. Portanto, é de facto uma tensão de pontos de vista entre a posição dos manifestantes e a posição das forças de segurança. E continuamos aqui na praça a aguardar para ver o que vai acontecer. Aqui alguma movimentação, não sei se vai acontecer alguma coisa, um terceiro aviso, talvez.

Aguardamos.

É um terceiro aviso, creio eu, mesmo. De facto. Vamos escutar. Sim.

Atenção, senhores manifestantes. Esta é a última advertência da Polícia de Segurança Pública. Repito: esta é a última advertência da Polícia de Segurança Pública. Apesar das ordens anteriormente transmitidas, mantém-se a reunião na Praça Dom Pedro IV, em violação do limite horário estabelecido no artigo 11º do Decreto Lei 406, de 74, de 29 de agosto. É, pela última vez, ordenado a todos os participantes que cessem imediatamente a reunião e abandonem o local de forma pacífica e ordeira. Ficam expressamente advertidos que a persistência do incumprimento desta ordem legítima de dispersão constitui crime de desobediência previsto e punido pelo artigo 304º do Código Penal. Caso a ordem não seja voluntariamente acatada, a Polícia de Segurança Pública poderá proceder à sua execução coerciva, mediante o recurso aos meios legalmente admissíveis, observando os princípios de legalidade, necessidade, adequação e proporcionalidade. Esta é a última advertência. Cumpram a ordem de dispersão. Cumpram a ordem de dispersão.

Fora a ditadura! Fora a ditadura! Fora a ditadura! Fora a ditadura!

Fica aqui o último aviso por parte das autoridades. Reiterou várias vezes que é este mesmo o último aviso e que depois as forças de segurança pública vão ter de intervir. Esperam-se então momentos muito parecidos àqueles que vivemos e que vimos no último sábado. Neste momento, os últimos dois avisos, a verdade é que tinha sido dado um prazo de cinco minutos. No primeiro aviso, tinha sido dado cinco minutos, no segundo, um prazo adicional também de cinco minutos. Neste momento, não houve esse prazo. Também, se nos recordarmos, no último sábado, de facto, no terceiro e último aviso, a polícia não tinha dado nenhum limite de tempo e, portanto, aqui mais uma razão para considerarmos que, de facto, após este aviso, a intervenção policial vai começar para breve, Maria.

Exatamente, David. David Bila, que está em direto a partir do Rossio, onde acaba de ser comunicado pela terceira vez um aviso da PSP de que podemos esperar, nos próximos minutos, uma intervenção das autoridades. Também no Porto, acaba de anunciar pela terceira vez este aviso, a PSP. Lá está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, exatamente semelhante ao que aconteceu em Lisboa, a PSP acaba de avisar, pela última vez, a possibilidade de uma intervenção.

Foi uma coreografia muito sincronizada. Eu estava a ouvir a emissão e foi exatamente ao mesmo tempo em que começaram a fazer esse aviso em Lisboa, começaram também a fazer esse aviso aqui na Praça Dom João I. Deram esse prazo de cinco minutos e depois desses cinco minutos poderão atuar e poderão remover as tendas. Foi pedido aos manifestantes que retirem, por uma última vez, as tendas e todos os seus pertences. Do outro lado da praça, a polícia está estacionada de um dos lados e do outro lado não há qualquer reação, pelo menos nesse sentido. Há uma reação, há críticas, há protestos, há cânticos e há gritos de ordem, mas não há nenhuma mobilização no sentido de acatar essas ordens da polícia, no sentido de retirar as tendas. E, em comparação também com os outros avisos, hoje, a PSP, ou no primeiro aviso, a polícia não montou propriamente um cordão de segurança à volta do polícia que estava a dar esse alerta e esse aviso. E, nesse primeiro momento, vimos várias pessoas que se aproximaram dos polícias e que estiveram a poucos metros do polícia que fazia esse aviso ao megafone. E depois, nos seguintes avisos, tanto no segundo como no terceiro, agora mesmo, alguns polícias posicionaram-se a proteger esse agente para evitar que houvesse essa interação com manifestantes, que, da primeira vez, gritaram e não se percebeu quase nada desse aviso, porque os gritos dos manifestantes foram mais altos do que esse megafone, do que essas colunas instaladas numa das carrinhas da unidade especial de polícia, e são várias as carrinhas da unidade especial de polícia. Há também aqui, pelo menos um autocarro, mas a verdade, e para ter noção dessa grande mobilização, olhando desde o cruzamento entre a Rua Passos Manuel e a Rua de Sá da Bandeira, perdem-se de vista, na Rua de Sá da Bandeira, a quantidade de carrinhas da polícia. São muitos agentes, é uma mobilização maior do que aquela que vimos na semana passada, mas que, para já, só é perceptível através dos carros, das carrinhas, destes veículos. Porque, por enquanto, os agentes, alguns que já estão à espera fora das carrinhas, parece que estão a tentar perceber se havia alguma mobilização nesse sentido, porque começam agora a sair alguns agentes das carrinhas e de uma delas, pelo menos, eram audíveis latidos de cães, cães que estiveram aqui presentes na última intervenção da polícia na Praça Dom João I. E é mesmo isso que está a acontecer agora. Os polícias começam todos a sair das carrinhas que estão estacionadas perto da Praça Dom João I, e são muitos e vêm equipados. E hoje também há essa nota de diferença em relação ao último sábado. Hoje vemos também uma carrinha do INEM que está estacionada entre duas carrinhas da polícia, estão aqui também presentes. Vão estar presentes nessa intervenção, recordando também que na intervenção do último sábado houve críticas, porque os manifestantes disseram que não foi permitido o apoio da equipa de socorro médico que esta manifestação, que esta acampada tem. Não foi permitido o socorro por parte dessa equipa. Talvez por isso estão aqui vários elementos do INEM, também devidamente equipados e prontos para qualquer carga mais violenta. Para já, eu dava conta de que se ouviam, eram claramente audíveis esses latidos de cães. Foram saindo agentes dessa carrinha, mas não saíram os cães. Continuam aqui muitos polícias e há grande expectativa na praça. E como eu dizia, do outro lado, os manifestantes vão cantando, sendo que no centro da praça estão sentadas quatro mulheres que têm um cartaz a dizer: "Mãe pela acampada". E há pouco falávamos com uma delas, falávamos com Isabelle, que explicava, e agora há momentos de maior tensão, porque começam a aproximar-se cada vez mais polícias da Praça Dom João I. E como eu dizia, estas quatro mulheres são mães de manifestantes e há pouco uma delas explicava-nos que hoje está mais tranquila porque não tem o filho, o filho está a trabalhar, por isso não está aqui na manifestação, mas explicava desse nervoso, dessa angústia e desse medo que sentem quando há esta investida policial destes manifestantes que dizem: as mães estão a protestar por causas justas e estão a protestar de forma pacífica. Vão-se repetindo aqui os gritos de 25 de Abril sempre, vão cantando os manifestantes enquanto os polícias se posicionam e neste momento estão muitos na Rua de Sá da Bandeira, recordando que foi precisamente aí que, no último sábado, na última intervenção policial, foi a partir desse lado, desse lado da Praça Dom João I, que os polícias se infiltraram, ou que entraram, ou que furaram este cordão humano e perspetivando que isso se possa repetir, há pouco ouvimos uma organização dos manifestantes, através do megafone, e davam essa indicação para os manifestantes se concentrarem também nesse lado, que é para, eventualmente, conseguirem proteger e impedir. Eu acho que neste momento também são já audíveis Os latidos dos cães estão a ser preparados a ser retirados em momentos. Já estão a sair das carrinhas da Unidade Especial da Polícia. São vários os agentes e vários os cães que se aproximam aqui, ainda a uma larga distância dos manifestantes, como estiveram na última manifestação, na última carga policial, mas dava conta disso. Há uma preocupação em tentar reforçar o número de manifestantes desse lado da praça, onde pode surgir de novo essa entrada dos polícias, essa organização tática que permitiu, da última vez, retirar todos os manifestantes numa questão de minutos da praça. Neste momento estão apenas dois cães, três, aliás, aqui na Praça Dom João I, os cães da polícia que vão ladrando e que são recebidos do outro lado com muitos assobios dos manifestantes que foram se equipando na última hora. Há muitos que estão com capacetes, muitos também com máscaras, estão com luvas também, estão se a preparar para essa carga policial. Lembrando também que já foram feitos esses três avisos. O prazo de cinco minutos estará a esgotar-se dentro em breve e, por isso, há esse nervoso por parte dos manifestantes, que agora é cada vez mais perceptível. Vão assobiando esta presença policial, que se traduz de uma forma mais audível também nos latidos dos cães que estão aqui segurados por agentes da Polícia de Segurança Pública. Repetindo isso, os manifestantes do outro lado estão equipados, estão com capacetes e estão de braços dados, prontos para uma eventual entrada da Polícia, Maria.

Exatamente. E também é um cenário muito parecido que vemos em Lisboa. Agora acabava de falar conosco o repórter Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, no Porto, e também agora regressamos ao repórter David Bileu, que está em direto da Praça do Rossio. David, exatamente como o Miguel descrevia, neste momento em Lisboa estão a ser mobilizados muitos polícias, diria dezenas de polícias neste momento.

Exatamente, Maria. Estava aqui a ouvir o Miguel e é um cenário mesmo muito semelhante. Os polícias estão todos aqui em linha, eles mobilizaram-se para o lado sul da Praça do Rossio. É uma posição diferente do último sábado, também porque onde os manifestantes se encontram, não se encontram aqui ao pé do Teatro Dona Maria II, encontram-se do outro lado e, portanto, esta mobilização dos polícias também tem a ver com a posição dos manifestantes. Vemos aqui grandes cânticos, grande contestação por parte dos manifestantes, também eles munidos de capacetes preparados para a eventualidade de bastonadas na cabeça, aqui a formarem também um cordão humano e muitos deles inclusivamente a pegarem nas tendas e a colocarem as tendas na frente do cordão humano onde se encontram. Portanto, neste momento vemos a linha com dezenas de polícias da PSP preparados para intervir e para começar a carga policial a qualquer momento. Vemos um dos membros a chegar aqui perto onde se encontram os manifestantes, mas era apenas para retirar algumas garrafas. Neste momento, sim, eles estão completamente aqui a ocupar a zona sul da Praça do Rossio e não me arrisco a dizer que são mais polícias do que no último sábado, mas de facto parece serem mais os polícias que estão aqui mobilizados, talvez também por estarem num lado mais comprido, mais longo, dá essa sensação, mas de facto parecem ser mais os polícias que se encontram aqui, Maria.

Sim, exatamente. E até mais do que na semana passada, recordo exatamente, o cenário repetia-se apenas com menos uma hora de espera neste momento. E nesta noite vimos também um diálogo entre a polícia e alguns deputados que estão também ainda neste momento na Praça do Rossio, também dávamos conta há pouco. E voltamos agora ao Porto. Continuamos a ver o mesmo cenário de reforço policial. E neste momento a polícia está diante os manifestantes na Praça Dom João. Miguel Pinheiro Correia está em direto da Praça Dom João I. Miguel, e neste momento continuamos a ouvir uma certa contestação por parte das pessoas na Praça Dom João I.

Sim, ainda há pouco, Maria, os manifestantes estavam a cantar, a provocar aqui esta mobilização dos cães, aqui nesta forma mais musculada, eles cantavam a criticar precisamente essa presença destes cães que, aliás, já foi notada nessa última intervenção policial. Desde então, desde os últimos instantes, continuamos a ver mais polícias, olhando aqui para o desenho da praça, para este retângulo, estando virados de frente pro edifício do Millenium, tendo à esquerda o Revoli, à direita, na Rua de Sá da Bandeira, vemos muitos e cada vez mais polícias Sendo expectável, por parte dos manifestantes, que a intervenção policial volte a acontecer por esse lado da praça. Têm essa expectativa e vemos também um homem que, há pouco, dava conta desses protestos perto dos polícias quando era feito o primeiro aviso da polícia, e esse manifestante, que protestava em inglês, não falava em português, está sentado com um cravo desenhado num papel que leva na mão e está, neste momento, sentado precisamente nessa zona por onde pode intervir a polícia ou, pelo menos, por onde atuou, começou a atuação no último fim de semana e, por isso, por parte dos manifestantes, acreditam que conseguem assim antecipar essa mobilização da polícia, que é incerta, não é perceptível para já por onde é que vão atuar desta vez, por onde é que vão começar essa intervenção, mas é certo que continuam muitos mais polícias do lado da Rua Sá da Bandeira do que do outro lado. E do outro lado, concentram-se muitas pessoas a assistir, simplesmente, a partir das escadas em frente ao Rivoli. São muitos os manifestantes que estão a assistir. Manifestantes e não só, também alguns curiosos que foram passando por aqui numa noite muito movida na baixa portuense, sendo noite de Halloween. Vimos também muitas pessoas mascaradas e agora ouvimos um aplauso, porque um manifestante foi, de certa forma, provocar a polícia e os cães, e colocou aqui um cão de corda no chão a andar enquanto provocou a polícia. Entretanto, voltou para o cordão humano, onde continuam muitos manifestantes, como eu dizia há pouco, de braço dado, não cedem a posição, não recuam, mantêm-se em frente às tendas e, neste momento, são dezenas de tendas que já não conseguimos ver. Ainda há pouco, quando os manifestantes estavam sentados e de um ponto vista mais por cima da praça, era possível ver claramente essas tendas. Agora já não, porque os manifestantes estão de pé, mas estão precisamente em frente a essas tendas, a proteger as tendas que, entendem eles, e é isso que têm dito, e disseram também no primeiro diálogo com a PSP, que é o símbolo maior do seu protesto e, por isso, mantêm-se a protegê-las, mantêm-se a encarar a polícia à espera de uma intervenção, sem recuarem, mantêm essa posição, enquanto, e como eu também dava conta há pouco, quatro mulheres permanecem bem no centro da praça, quatro mulheres, mães de manifestantes que permanecem no centro da praça a cantar numa atitude pacífica e, há pouco, uma delas aceitou receber da organização do movimento um capacete para alguma proteção. É certo que continuam e dizem que não vão sair dali, que não temem a atuação da polícia, que temem, sim, pelos filhos, que têm neste cordão humano que está alguns metros atrás delas e, por isso, é que estão neste desafio simbólico, nesta posição simbólica de protesto, enquanto cantam sentadas em bancos, enquanto atrás delas uma grande multidão, sobretudo de jovens com capacetes e com máscaras, continuam de braço dado a encarar a polícia à espera, eventualmente, de uma ação da polícia, numa altura em que já passaram muito desses cinco minutos e por isso vamos perceber quando é que haverá essa intervenção.

Exatamente. Reportagem de Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça João I. Também na Praça do Rossio, como dava conta há pouco, a PSP esteve reunida com dois membros do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, mas também com seis deputados, entre eles, Isabel Mendes Lopes, que agora fala aos media e vamos tentar perceber o que é que está a dizer.

Isto não faz sentido nenhum, não faz sentido nenhum num regime democrático. Isto é inconcebível. É inconcebível. E por isso é que nós estamos aqui mais uma vez e é inconcebível que se repita. Eu não percebo. Não percebo como é que isto pode estar a acontecer. Não percebo como é que algum democrata se revê nisto. Isto não é democrático. Eu não sei o que vos posso dizer mais, porque isto não faz sentido nenhum. Não faz sentido nenhum.

Acha que o Presidente da República está acordado a ver isto?

Espero que sim. Espero que o país todo esteja acordado a ver isto, porque já se sabia que podia haver esta possibilidade e aparentemente está-se a repetir. Espero que todos estejam acordados a ver isto, sim. Espero que o senhor Presidente da República também esteja.

O primeiro-ministro também?

Toda a gente. Eu não acredito que o primeiro-ministro não esteja a ver isto atentamente e a acompanhar de forma muito próxima. Eu não sei o que vos posso dizer mais. Acho que isto é completamente absurdo. Está do lado ainda de quem pode decidir que isto não avance, poder fazê-lo e que não avance de todo. Porque se há violência sobre estas pessoas, que não estavam a fazer nada, estavam pacíficas, estavam algumas delas a dormir, não há razão nenhuma para haver violência esta noite. Portanto, o meu apelo ao ministro da Administração Interna, aos comandantes da PSP, é que a coisa fique por aqui e que haja uma desmobilização. Isso é o que eu peço, é o apelo que eu faço. Não há razão nenhuma para haver violência esta noite. E esse não é o Portugal que nós queremos. Nós queremos um Portugal que continue a A ser um país pacífico, onde as pessoas conseguem manifestar. Portugal fez o 25 de Abril, portanto é isso que nós queremos, é continuar a garantir esse Portugal. Espero que, apesar deste aparato, que já de si é inadmissível, que a coisa não continue. É o meu apelo. É o meu apelo a todas as pessoas que nos estejam a ouvir e todas as que possam ter poder, para que não haja violência esta noite e que isto não avance.

O apelo da porta-voz do LIVRE. Ouvimos aqui a boleia da RTP, porta-voz do LIVRE, que está neste momento na Praça do Rossio, em Lisboa. Já passam alguns largos minutos desde o último aviso da PSP. A PSP já anunciou que poderemos ver ainda nos próximos minutos uma intervenção policial igual à que testemunhámos há uma semana, exatamente pela mesma razão, avisos da PSP para os manifestantes retirarem as tendas. Ora, os manifestantes ficaram com as tendas na praça e por isso a polícia, neste momento, está mobilizada no sentido de intervir. Ora, voltamos ao Porto, onde está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, a situação aí, como é que nós percebemos? Como é que estão os manifestantes neste momento? Qual é que é a posição dos manifestantes?

Continuam com gritos de ordem, de protestos contra a polícia e de críticas à autoridade policial. Depois de um diálogo que já aconteceu, desse diálogo que não chegou a bom porto. Mas para explicar também qual foi a conclusão desse diálogo, tenho comigo Tiago Machado, advogado que representa este movimento. Para perceber, falou há pouco com a polícia quando foi feito ainda o primeiro aviso. Acredita que é esta a solução a que se poderia chegar?

Não, a questão é que, venha para aqui. A questão é esta.

Só para perceber, estamos a recuar neste momento um pouco, porque a polícia está a aproximar-se da praça. Muitos polícias estavam a assistir à manifestação a partir da Rua Sá da Bandeira, entretanto aproximaram-se e por isso também nos afastamos um pouco.

Aquilo que foi dito na altura foi um aviso às 04:00 de que o direito à manifestação cessava à 00:30. Mas foi comunicado às 04:00. E, portanto, a questão é esta.

Miguel.

Neste momento, interrompo aqui a conversa com o Tiago Machado para dar conta que começa a carga policial ou começam a entrar. Repete-se exatamente o mesmo movimento que vimos na semana passada. Entram, descem as escadas, os polícias, pela Rua Sá da Bandeira e estão a empurrar as pessoas que se opõem a essa entrada da polícia, que vão mostrando mais resistência. Neste momento já foi pelo menos afastada uma pessoa, foi levada pela polícia uma pessoa. Mantém-se aqui. São muitos agentes, incomparavelmente mais do que nessa última intervenção, e estão agora a afastar as pessoas, estão a empurrar os polícias, e está a ser mais difícil essa penetração, digamos assim, neste cordão humano que se mantém. A polícia continua a tentar empurrar os manifestantes. Vemos essa carga policial. Os manifestantes estão alguns de braço no ar a pedir à polícia para que não tenha estes empurrões ou que não haja esta carga, mas para já a polícia ainda não conseguiu furar este cordão humanitário, sendo que, estão a alertar agora os manifestantes, esta carga desta vez não começou só pelo lado da Rua Sá da Bandeira. Estão muitos polícias neste momento exatamente no centro da praça, aproveitando talvez uma desatenção dos manifestantes que se voltaram para esse lado da Rua Sá da Bandeira e estão neste momento a tentar furar exatamente pelo meio da praça este cordão humano, enquanto ouvimos gritos de "Pacífico, pacífico, pacífico", que são perfeitamente audíveis e para já não se vê por parte da polícia algum sucesso nesta tentativa de furar o cordão humanitário.

Ainda está um impasse aí na Praça Dom João I, no Porto. Acabámos de falar com o repórter Miguel Pinheiro Correia do Porto. Está na Praça Dom João I e agora vamos falar com o repórter David Bileu em Lisboa. David, a intervenção neste momento em Lisboa está um pouco diferente. Conseguimos ver alguns petardos que neste momento criam uma zona com bastante fumo na Praça do Rossio. São imagens que chegam em vários canais de televisão e também consegues confirmar, certo, David?

Sim, confirmo. Tanto o lançamento de petardos como muito fumaça aqui. Neste momento encontro-me aqui junto de muitas pessoas que estão aqui a sair da Praça do Rossio. A polícia varreu literalmente a praça. É muito barulho neste momento. A tentar encontrar uma zona mais calma, mas de facto a polícia já está aqui nas ruas a impedir que os manifestantes voltem para a Praça do Rossio. Foram agora mesmo empurrados, não conseguiram resistir de maneira nenhuma. Diria mesmo que esta intervenção da polícia foi inclusivamente mais rápida do que a última Neste momento os manifestantes estão a dispersar pelas ruas, mas estão novamente a vir para a Praça da Figueira, onde também vieram no último sábado, depois de terem sido empurrados para fora da Praça do Rossio. Mas, de facto, a intervenção da polícia foi bastante rápida. Hoje, inclusivamente, teve aqui também a presença de cães. Um ponto a anotar é também o factode os manifestantes terem colocado as tendas à frente, ou seja, as tendas a proteger, de certo modo, os manifestantes que se encontravam aqui. Mas a polícia teve uma intervenção muito rápida, a varrer lateralmente a Praça do Rossio e os manifestantes a serem obrigados, portanto, a dispersar e a debandar. São muitas pessoas agora que chegam à Praça da Figueira. Portanto, neste momento, espera-se que a intervenção policial agora acalme um pouco, uma vez que creio que praticamente todas as pessoas saíram da Praça do Rossio.

E também consegues dar conta de que não há mais tendas?

Neste momento, não vejo nenhuma. Nenhum manifestante creio que tenha conseguido levar uma tenda, porque como eu estava a explicar, os manifestantes colocaram as tendas à frente, ou seja, umas tendas, de certa maneira, a tentar proteger os manifestantes e lá ficaram as tendas na Praça do Rossio.

Exatamente. Acabamos de ouvir o repórter David Vilela, em direto da Praça do Rossio, em Lisboa, e agora regressamos à Praça Dom João I, no Porto. A carga policial também é bastante neste momento. No entanto, no início vimos bastante resistência e agora, em direto, o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, como é que segue esta carga policial?

Mantém-se essa resistência, Maria, e vimos hoje a polícia adotar uma abordagem diferente daquela que aconteceu na semana passada, porque a polícia, a certa altura, ao mesmo tempo que empurrava os manifestantes desde a Rua de Sá da Bandeira até ao Rivoli, começou também a tentar furar o cordão humano pelo meio da praça. Ora, não foi possível e foi claramente percetível. A polícia tentou avançar, tentou furar o cordão humano, mas viu-se obrigada a recuar porque não conseguiu penetrar por essa zona da Praça Dom João I. Foi impossível e por isso voltaram a reunir forças no outro lado, junto à Rua de Sá da Bandeira, e então, à semelhança do que aconteceu na semana passada, começaram a empurrar os manifestantes. Mas é uma intervenção, apesar de ter muitos mais polícias, mais demorada. Os polícias estão a ter mais trabalho a conseguir furar esse cordão humano. Estão a impedir aqui também a passagem de jornalistas para uma zona mais afastada da praça, ou seja, uma zona atrás de onde estão estes polícias que se mantêm aqui a tentar empurrar. Neste momento, parece que pararam um pouco, estão a oferecer mais resistência a estes manifestantes, enquanto gritam, tem sido audível também a escritos de: "Pacífico, pacífico". E olhando agora também para a Praça Dom João I, está de rastos, as tendas estão desmontadas. Isto não foram propriamente desmontadas. A polícia retirou-as à medida que ia passando, à medida que ia limpando o caminho. A polícia está aqui a afastar também os jornalistas da zona onde estavam, está a tentar formar um cordão para impedir que as pessoas se posicionem atrás da polícia. Mantém-se essa carga policial que agora começa, finalmente, a chegar às escadas do Teatro Rivoli. Empurram os manifestantes também para essa zona, começam a limpar, propriamente dita, a Praça Dom João I. O cenário que vemos é uma praça virada do avesso, com tudo desmontado, o que ficou aqui. E, ao contrário do que vimos também na semana passada, ainda não entraram as equipas de limpeza da Câmara, porque na semana passada foi quase cronometrado, assim que a polícia empurrou os manifestantes para a fachada ou para a zona em frente ao Rivoli, entraram também as equipas de limpeza da Câmara, mas hoje foi totalmente diferente. A resistência dos manifestantes foi maior, demorou mais esta ação. Vejo neste momento um polícia, eles estão equipados com capacete, um polícia que ficou sem esse capacete, que o coloca novamente numa intervenção que é, e também já dei conta disso há pouco, assistida de perto por equipas do INEM, também devidamente protegidas para esta carga.

Exatamente. E também conseguimos perceber-

Só dar nota, Maria, ao contrário do que vimos da última vez, não vimos objetos arremessados, pelo menos do que me foi possível ver no meio desta confusão, mas não se notou, enquanto se continuam a ouvir esses cães que, à semelhança do que aconteceu na última ação, estiveram a assistir de longe, não interagiram propriamente com os manifestantes. Foi mais numa tentativa de dissuadir alguma investida dos manifestantes.

Sim, neste momento conseguimos perceber também pelas imagens que conseguimos ver na televisão, que já há detenções a acontecer neste momento. Também conseguimos perceber que são centenas as pessoas que ocupam a praça. Aliás, a carga policial, conseguimos perceber que neste momento foi recebida com maior resistência, foi mais difícil quebrar o cordão humano. Portanto, neste momento assistimos, inclusive, a pelo menos um detido, isto na Praça Dom João I, no Porto. E agora também tentamos perceber como é que a situação continua em Lisboa. Também há pouco, pela televisão, conseguimos perceber que a polícia já deitava ao lixo algumas tendas ou, no caso, já tinha tido acesso a algumas tendas. Também percebemos que os manifestantes foram dispersados para a Praça da Figueira. O nosso repórter David Biléu dava-nos conta exatamente disso há pouco e agora David, como está a situação? Os manifestantes continuam dispersados? A nível de carga policial, continua a mesma?

Neste momento, a Polícia de Segurança Pública já não se encontra a carregar sobre os manifestantes, mas aqui na Praça da Figueira, onde o mercado de Natal já estava a postos, a verdade é que neste momento o mercado de Natal está praticamente completamente desfeito. Os manifestantes chegaram aqui, pegaram nas barreiras que estavam aqui a delimitar o mercado de Natal e colocaram as barreiras à frente dos manifestantes, aqui na rua, para se protegerem de uma eventual nova avançada por parte da polícia, mas também aqui no mercado de Natal, onde já não existem essas mesmas barreiras, vemos muitos manifestantes a pegarem nas mesas e a atirá-las umas contra as outras. Este mercado de Natal que estava arranjado, está neste momento completamente desfeito. É uma reação por parte dos manifestantes que de facto não aconteceu no último sábado, também aqui não estava este mercado. A polícia neste momento encontra-se na entrada da Praça da Figueira e vemos alguma mobilização, a polícia a avançar pela rua. Não sei se está para breve uma nova avançada, mas de facto os manifestantes colocaram aqui uma espécie de barricada, uma barricada com as barreiras que delimitavam este mercado de Natal, caixotes do lixo, mesas que também estavam aqui no mercado de Natal. Esta barreira que está aqui, de certa maneira, a proteger os manifestantes de outra avançada da polícia e, portanto, neste momento, sim, começam a dispersar. Neste momento, há muito menos pessoas aqui junto a esta barricada. Começam a avançar para outras zonas, mais recuadas, não tão próximas das forças de segurança. Mas, portanto, Maria, vamos agora ver como é que as forças de segurança vão reagir a esta atitude por parte dos manifestantes.

Sim, exatamente. Conseguimos o que nos dá conta o repórter David Biléu, em direto, no caso agora já da Praça da Figueira. Isto porque o protesto que ocupava a Praça do Rossio, a acampada, foi entretanto dispersada pela polícia com uma carga policial. Houve um terceiro aviso da polícia e logo depois entraram pela Praça do Rossio. E também foi de uma maneira bastante semelhante que aconteceu esta intervenção do lado do Porto, na Praça Dom João I, onde está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, há pouco dávamos conta de uma intervenção que estava enfrentando uma maior resistência da parte dos manifestantes, algo que talvez em Lisboa não fosse tão assim, mas do lado do Porto a resistência foi suficiente ou entretanto a polícia conseguiu dispersar os manifestantes?

Estão neste momento perfilados na Rua Doutor Magalhães Lemos, ou seja, em direção desde a Praça Dom João I até à Avenida dos Aliados, ainda dezenas de agentes. Isto porque os manifestantes foram sendo arrastados para esta rua, à semelhança do que aconteceu também nessa última intervenção. E também para completar aquilo que disse há pouco, porque falei que não tinha observado o arremesso de objetos e assim que terminou o meu direto, ouviu-se claramente uma garrafa de vidro a ser atirada, passou por cima das cabeças dos polícias, não os atingiu, mas foi atirada desde esse grupo de manifestantes que iam sendo empurrados para fora da Praça Dom João I e foram sendo empurrados e estão agora ainda com alguns gritos de ordem. Ouvíamos há pouco, gritavam: "O povo unido jamais será vencido" e continuam a gritar aqui em frente à polícia, que forma um cordão para impedir que os manifestantes regressem. E ouve-se agora os manifestantes cantam. São audíveis esses cânticos de "Somos todos antifascistas", mais um dos gritos de ordem que tem sido habitual aqui nesta manifestação pela habitação. E os manifestantes foram sendo empurrados, como dizia, já não há nenhum manifestante na Praça Dom João I, nem perto, e neste momento o cenário na Praça Dom João I é de limpeza. Vemos já várias carrinhas da Câmara Municipal a tratar da recolha desses objetos, dessas tendas e também muitos capacetes que vemos no chão. Eram os capacetes azuis e amarelos que usavam esses manifestantes que usaram para tentar resistir a esse avanço da polícia, mas que não surtiu efeito. Os polícias foram empurrando estes manifestantes e, pelo menos, há pouco víamos alguns a serem levados pela polícia. Ainda perceberemos, a seu tempo, se foram detidos ou não, mas vimos também uma pessoa deitada no chão e a ser socorrida pela equipa do INEM, que estava presente aqui durante esta intervenção policial. Chegou ao mesmo tempo que os polícias à Praça Dom João I e acompanhou, a par e passo, essa intervenção dos polícias, prestando socorro aos manifestantes que assim precisassem. Agora voltamos a ouvir gritos dos manifestantes, do "O povo unido jamais será vencido", também um reflexo da diferença que foi a manifestação ou a carga policial de hoje com essa da semana passada, ou pelo menos, não da carga, mas da resistência dos manifestantes, porque continuam aqui na Rua Doutor Magalhães Lemos e da última vez, assim que chegaram a esta rua, foram dispersando muito rapidamente. E para já os manifestantes continuam aqui, continuam com gritos de ordem enquanto estão

Dezenas e dezenas de agentes, não só a formar um cordão para impedir a passagem de mais manifestantes, mas também outros atrás, prontos para conter esses manifestantes, caso eles decidam avançar, o que para já não se verifica. Estão só a gritar, não estão a empurrar os polícias. Do que me é possível ver, porque a vista é tapada por alguns polícias e manifestantes, alguns já vão recuando e vão regressando à Avenida dos Aliados, onde na semana passada acabaram por se reorganizar, mas a verdade é que foi uma ação policial que encontrou mais resistência e, por isso, mais lenta. Faço essa correção em relação à da semana passada e com uma maior presença da polícia. São muitos agentes que foram cortando as ruas e, por isso, foi perceptível que haveria essa intervenção policial a qualquer momento, quando começamos a ver os polícias a cortar as ruas aqui perto da Praça Dom João I. É este o cenário, uma Praça Dom João I vazia de manifestantes, mas agora com as equipas de limpeza que rapidamente começam a recolher todos esses objetos, desde tachos a cartazes. Claro, as tendas, esse símbolo maior deste protesto pela habitação, vão sendo recolhidos pelas equipas de limpeza da Câmara.

Exatamente. O repórter Miguel Pinheiro Correia está em direto no Porto, dá conta do braço de ferro com a PSP, no caso, entre os manifestantes da acampada do Porto com a PSP. Isto após a carga policial que acabou por intervir na Praça Dom João I, que acabou por desmontar as tendas. Ora, em Lisboa o cenário foi semelhante. A carga policial também aconteceu após três horas depois da hora limite que a PSP tinha dado aos manifestantes. E é lá que está, neste momento, já não na Praça do Rossio, mas é lá que está a acompanhar as movimentações da polícia, o repórter David Bileu. David, a verdade é que a polícia acabou por fazer com que os manifestantes dispersassem e, por isso, neste momento, a polícia já segue os manifestantes por algumas ruas na capital.

Neste momento, os manifestantes quando abandonaram a Praça do Rossio, foram pra Praça da Figueira, onde começaram a criar uma barricada com as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado de Natal e também destruíram, de certa maneira, completamente o mercado de Natal. E a polícia avançou muito rapidamente e conseguiu também retirar os manifestantes da Praça da Figueira. Deslocaram-se pra Rua da Madalena, onde agora estão a subir. Estão aqui neste momento parados, mas muitos deles encontram-se aqui a subir na Rua do Poço do Borratum, que estão aqui nesta rua. A polícia encontra-se à entrada da Rua da Madalena e não sabemos se vai avançar mais pra além desta rua. De relembrar que no último sábado avançou até para o Martim Moniz. Portanto, neste momento, aquilo que vemos são manifestantes que continuam aqui a entoar cânticos e palavras de ordem contra a polícia. Vemos pelo menos aqui quatro pessoas já a serem detidas pela Polícia de Segurança Pública. Portanto, neste momento, os ânimos acalmaram um pouco na medida em que a polícia está aqui parada, mas está a cercar, de certa maneira, a rua e, portanto, só há aqui uma rua pra qual os manifestantes podem seguir, que é a subir. E, portanto, Maria, vamos agora esperar pra ver qual vai ser a reação a seguir das forças de segurança, que neste momento se encontram aqui a cercar a rua onde os manifestantes se encontram.

Exatamente. O repórter David Bileu, em direto, a acompanhar as movimentações da acampada de Lisboa, que foi desmobilizada há pouco na Praça do Rossio. Há pouco, digo, três horas após o limite máximo que a PSP tinha dado aos manifestantes. No caso, era à meia-noite e meia que os manifestantes tinham que tirar as tendas, tanto da Praça do Rossio como da Praça Dom João I, no Porto. E é na Praça Dom João I que esteve o repórter Miguel Pinheiro Correia, em direto. Agora junta-se ao nosso jornal. Há pouco dava conta de um braço de ferro entre a PSP e os manifestantes. Também um cenário parecido com a capital. E agora, Miguel, como é que está o ambiente no Porto?

Estamos a acompanhar, já não na Praça Dom João I, mas perto, entre a Praça Dom João I e a Avenida dos Aliados, esse cordão que a polícia vai formando para impedir que os manifestantes regressem nesta direção, ou seja, em direção à Praça Dom João I. E há pouco os polícias estavam parados aqui na Rua do Doutor Magalhães Lemos, de frente para os Aliados, e avançaram um pouco. Estão a avançar muito gradualmente, pouco a pouco, para tentar encurtar esse espaço dado aos manifestantes para que também não tentem regressar aqui à Praça Dom João I. Neste momento, já estão longe, bem longe dos manifestantes ou dos polícias. Estes manifestantes já estão mais perto da Avenida dos Aliados, mas os polícias seguem aqui precisamente para impedir que os manifestantes regressem à Praça Dom João I, onde neste momento já estão várias carrinhas de limpeza da Câmara e também alguns polícias municipais que vão tratando desse trabalho de limpeza, essa recolha dos destroços naquilo que parece um cenário de um campo de batalha que está cada vez mais limpa. A praça, já se veem poucos vestígios desse protesto, dessa acampada, desse acampamento, dessas tendas, as muitas tendas que estiveram aqui montadas e que foram montadas ao longo da tarde, até lá está a ter surgido esta intervenção policial, que foi empurrando, empurrando os manifestantes para fora da Praça Dom João I, onde já não se encontra nenhum manifestante neste momento. E há pouco ainda ouvíamos alguns gritos de ordem dos manifestantes em direção à polícia. Gritavam a defender a união do povo e que essa mobilização, esse povo unido jamais será vencido, no momento em que começamos a assistir a um recuo desses polícias. Estão agora menos polícias do que estavam há pouco aqui na Rua Doutor Magalhães Lemos. Também tendo em conta que os manifestantes já não estão tão próximos e por isso alguns polícias foram recuando. Mas mesmo assim são muitos os agentes que aqui continuam e que estiveram presentes nesta ação policial. Vamos também tentar perceber se esses polícias

Se poderão deslocar para outro local. Alguns vão só descansando depois desta intervenção policial que acabou na Praça Dom João I há instantes, sendo que hoje, ao contrário do que aconteceu na semana passada, não se vê uma grande barreira, um grande cordão de polícia na Rua do Bom Jardim, outra rua que segue em direção também à Avenida dos Aliados. E aqui não se nota esse cordão antes dessa aproximação à Avenida dos Aliados e por isso não há tantas pessoas desse lado. Vemos apenas os polícias concentrados do outro lado do Rivoli, a impedir esse regresso dos manifestantes à Praça Dom João I, que está cada vez mais vazia e cada vez com menos vestígios desse protesto, desse acampamento que esteve aqui nos últimos dias.

Exatamente. No caso, neste momento, a dar conta da situação na Praça Dom João I, aliás, nos arredores da Praça Dom João I, o repórter Miguel Pinheiro Correia. E agora também regressamos a Lisboa. No caso, também houve uma mobilização da polícia que acabou por perseguir os manifestantes, no sentido de os dispersar, algo que também recorda a intervenção da semana passada. David, pergunto-te, porque há pouco dávamos conta que foram mobilizados dois membros do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, no sentido de controlar a ação da polícia. E eu queria saber, neste momento, já fora da Praça do Rossio, se consegues perceber se esses membros, que vimos que eram duas pessoas, se consegues ver algum sinal da presença da Provedoria de Justiça neste momento, em que já vimos a carga policial.

Neste momento consigo ver alguns elementos da Provedoria de Justiça, estão aqui sinalizados com coletes cor-de-laranja. Procuro aqui ver quantos membros é que podem estar aqui. Vejo aqui pelo menos um membro da Provedoria de Justiça, que vem mesmo aqui para fiscalizar a atividade da Polícia de Segurança Pública. É o máximo que consigo ver aqui. É um membro da Provedoria de Justiça. Neste momento, os manifestantes subiram a rua em direção à Mouraria. Isto porque a Polícia de Segurança Pública cercou a Rua da Madalena, ou seja, impediu que os manifestantes seguissem o caminho que seguiram no último sábado. Ou seja, os manifestantes no último sábado foram para o Martim Moniz, mas esse caminho hoje estava bloqueado, estava impedido por parte da Polícia de Segurança Pública. Portanto, neste momento, os manifestantes reúnem-se aqui no Largo dos Trigueiros, exatamente depois dessa subida que foram obrigados a fazer, devido ao cerco por parte das autoridades. E, portanto, neste momento os ânimos acalmaram. Não creio que a Polícia de Segurança Pública vá subir esta rua. Creio que a intervenção já possa ter, neste momento, terminado e, portanto, os ânimos acalmaram. As pessoas estão aqui mais calmas, já mais reunidas. Já não há tantos ânimos exaltados, tantos cânticos, tantas palavras de ordem como foram ouvidas enquanto a Polícia de Segurança Pública avançava sobre os manifestantes, tanto na Praça do Rossio como na Praça da Figueira. Praça da Figueira que, devo lembrar, quando os manifestantes chegaram, a verdade é que retiraram as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado natal e colocaram-nas à sua frente para proteger de uma nova avançada da polícia e também destruíram, em grande parte, o mercado natal que estava já montado. Portanto, neste momento, como estou a dizer, as pessoas já estão aqui mais calmas. Neste momento não estão tão dispersas, já estão mais unidas e, como te estava a dizer, sobre membros da Provedoria de Justiça, apenas encontro um, mas não excluo que possa estar aqui mais no meio de tanta confusão, Maria.

Exatamente, David. É uma situação que acaba por recordar o que aconteceu há exatamente uma semana. E volto a perguntar-te, porque dávamos conta no início desta noite, principalmente no Porto, que haviam mais pessoas na rua e neste momento continua a haver, certo? Neste momento, após se terem dispersado, os manifestantes continuam a ser em grande quantidade ou já não são tantos?

Após terem dispersado, os manifestantes continuam a ser em grande quantidade, Maria. São muitos aqui, até porque não foi possível estes manifestantes se dispersarem para várias ruas e, portanto, a grande parte daqueles que se encontravam na Praça do Rossio, estão neste momento aqui em direção à Mouraria, neste Largo dos Trigueiros, como eu disse. E, portanto, de facto, é muita gente que se encontra neste espaço bastante reduzido e por isso é difícil a movimentação neste local. Aqui a olhar um pouco para Para o fim da rua, para perceber se de facto há alguma intenção das autoridades de avançar para esta rua, mas creio que não, apenas ficaram ali na Rua da Madalena a cercar e impedir estes manifestantes de avançarem para o Martim Moniz. E portanto, agora, crê-se que mais tarde ou mais cedo as pessoas vão começar a dispersar. Os ânimos também já estão mais calmos e portanto, o que se espera, Maria, é que em breve as pessoas comecem a debandar aqui do local.

Exatamente. O repórter David Bileu, agora em direto dos arredores da Praça do Rossio, onde estiveram os manifestantes da Acampada, o movimento pelo direito à habitação, que neste momento tentou, durante esta noite, passar a noite com tendas, apesar dos avisos da PSP, que tinha avisado que as tendas tinham que sair da Praça do Rossio, mas também da Praça Dom João I, no Porto, até à meia-noite e meia. Ora, os manifestantes acabaram por decidir entre eles, uma decisão que já vinha a ser anunciada, mas que acabaram por decidir após mesmo os avisos da polícia que iam permanecer com tendas, e após três avisos, uma situação muito semelhante ao que aconteceu há exatamente uma semana, a PSP acabou por intervir, desta vez com uma estratégia diferente, tanto em Lisboa como no Porto. E é exatamente para o Porto que vamos tentar perceber agora a situação. Isto porque também conseguimos perceber pelas imagens da televisão que a Praça Dom João I está vazia, completamente vazia. É um cenário completamente diferente também daquele que víamos no início da noite, onde estavam bastantes pessoas se comparado com ontem. E é nos arredores da Praça Dom João I que está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, o que é que fica desta noite de intervenção policial da polícia?

Foi uma verdadeira montanha-russa aquilo que se viveu na Praça Dom João I, porque primeiro houve esse diálogo entre polícia e manifestantes, e a polícia perguntou aos manifestantes o que iriam decidir, se iriam retirar as tendas ou não, e a resposta dos manifestantes surgiu pouco depois. Disseram que não iriam retirar as tendas. E a partir daí foi primeiro um momento de alguma ansiedade na Praça Dom João I. Os manifestantes acreditaram que a intervenção policial surgiria em breve, mas demorou. Tivemos que esperar algumas horas até que se começasse a notar a mobilização da polícia para a Praça Dom João I e, nesse entretanto, os manifestantes estiveram parados, estiveram sentados, estiveram à conversa, até que, face a esse aviso, houve um alerta através dos megafones para que o cordão humano se mostrasse forte e se erguesse. E então as pessoas voltaram a levantar os braços, levantaram, estenderam os braços e estiveram a resistir à polícia, que surgiu em grande número. Foram várias e várias carrinhas da Unidade Especial da Polícia que marcou presença aqui na Praça Dom João I e foram, à semelhança do que aconteceu na semana passada, primeiro atuaram pelo lado da Rua de Sá da Bandeira, desceram as escadas e foram empurrando os manifestantes. Mas, e fazendo também essa comparação, foi uma atuação muito mais lenta. Os manifestantes ofereceram maior resistência, os polícias não conseguiram furar esse cordão humano inicialmente e depois, enquanto alguns polícias tentavam furar esse cordão humano, outros surgiram a meio da praça e tentaram também furar por aí, mas tiveram menos sucesso. Foi visível esse avanço e logo a seguir um recuo dos polícias que não tiveram sucesso nessa tentativa de furar o cordão humano pelo meio e então voltaram a reunir esforços no lado da Rua Sá da Bandeira e aí, enfim, com alguma insistência, acabaram por conseguir afastar os manifestantes numa intervenção da polícia que foi sempre acompanhada por equipas do INEM. Vimos aqui quatro elementos do INEM, também devidamente equipados para esta carga policial e que foram socorrendo pelo menos uma pessoa que vimos. Não sei se terão socorrido mais, mas foi visível esse apoio dado a uma pessoa. E foram empurrando os polícias, empurrando os manifestantes para fora da Praça Dom João I, até que os manifestantes se reuniram na Rua Doutor Magalhães Lemos, já fora da Praça Dom João I, e aí, ainda com alguns gritos de ordem a mostrar alguma oposição à ação da polícia, eventualmente os manifestantes acabaram por dispersar. Os polícias mantêm-se no início dessa rua perto da Praça Dom João I, mas na Avenida dos Aliados os manifestantes vão dispersando e também agora confundem-se com as pessoas que saíram nesta noite do Halloween. E são muitas as pessoas que estão aqui na Avenida dos Aliados. Depois dessa carga policial, mantêm-se aqui também muitos manifestantes e vão tentando fazer essa contabilização de feridos, de detidos, e são tudo números que vamos tentar perceber em breve, em concreto, quantas pessoas foram detidas e quantos feridos há.

Exatamente. Relembrando, esta intervenção policial começou às 16h30. Acabamos também por acompanhar todo este processo. Agora acabávamos de falar com o repórter Miguel Pinheiro Correia, que também acompanha a polícia, que continua em vigilância, continua a cortar rua, no caso, nos arredores da Praça Dom João I, no Porto e também em Lisboa, a polícia permanece vigilante, desta noite que foi também de intervenção policial, no caso na última hora, acabamos por ver uma intervenção da polícia que também do lado do Porto foi bastante mais perceptível que foi Que recebeu maior resistência da parte dos manifestantes. Em Lisboa acabou por ser um cenário praticamente igual ao de exatamente uma semana atrás, sendo que, neste momento, também percebemos isso com o repórter do Observador, David Bileu. David, neste momento, exatamente porque a intervenção acabou, os ânimos estão bastante mais calmos nas ruas de Lisboa.

Sim, os ânimos estão muito mais calmos nas ruas de Lisboa. Os manifestantes encontram-se aqui em direção à Mouraria. Uma grande parte daqueles que estavam na Praça do Rossio vieram para cá. Foram obrigados, porque foram cercados pelas forças de segurança na Rua da Madalena, após terem saído da Praça da Figueira. A verdade é que esta noite houve muitas dúvidas sobre se ia haver ou não uma intervenção policial, isto porque ela demorou bastante mais tempo do que na semana passada. A questão é que a Polícia de Segurança Pública já tinha avisado, antes mesmo deste dia e hoje, à equipa legal da acampada, que ia ter tolerância zero e não ia permitir que os manifestantes pernoitassem e montassem aqui tendas. Houve um plenário dos delegados desta acampada, que decidiu exatamente resistir, manter, ficar aqui, apesar do apelo da Polícia de Segurança Pública. Vale a pena dizer que ambos os lados acreditam que têm a lei do seu lado. A Polícia de Segurança Pública baseia-se numa lei de 1974. Já os manifestantes dizem que a Constituição lhes dá o direito de permanecer e de manter tendas, mas a verdade é que as mantiveram, e passado algum tempo, a polícia fez, como tinha feito no último sábado, três avisos, deu vários minutos para que os manifestantes retirassem as tendas, mas isso não acontecendo, de facto, a intervenção policial começou. E a PSP dirigiu-se para o lado sul da Praça do Rossio, uma vez que também era lá nesse sítio que estavam mais localizados os manifestantes, e ao dirigir-se para essa praça sul, ficou alinhada, pronta para intervir a qualquer momento, e os manifestantes mantiveram, formaram ali um cordão de segurança, colocaram inclusivamente as tendas à sua frente para tentar impedir esse avanço das forças de segurança, mas não conseguiram. O avanço das forças de segurança aqui na Praça do Rossio foi bastante rápido. Os manifestantes foram empurrados com bastante facilidade, diria eu, para a Praça da Figueira, onde ficaram durante algum tempo, e assim que chegaram à Praça da Figueira, começaram a retirar as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado de Natal e a colocarem à sua frente para impedir esse avanço da Polícia de Segurança Pública. O mercado de Natal, esse que também ficou praticamente desfeito, porque muitos dos manifestantes, não todos, importa dizer, mas alguns dos manifestantes aqui presentes destruíram completamente este mercado de Natal que aqui se encontrava. E passado muito pouco tempo, no último sábado, os manifestantes tinham ficado mais tempo aqui na Praça da Figueira, passado muito pouco tempo, a polícia voltou a avançar, voltou a obrigar os manifestantes a abandonar a Praça da Figueira e a irem para a Rua da Madalena, onde, como já disse, foram cercados e tiveram de subir aqui para a Mouraria, onde se encontra a grande parte destes manifestantes, Maria.

Exatamente. Deu conta agora mesmo o jornalista David Bileu, que esteve a acompanhar toda a intervenção policial sobre os manifestantes da acampada de Lisboa, que também aconteceu de forma quase exatamente igual no Porto. É um cenário que acaba por repetir o que aconteceu também há uma semana. A PSP efetuou esta intervenção policial sobre os manifestantes, tanto na capital como na Invicta, após três avisos. Em causa esteve exatamente as tendas, que hoje até eram bastante mais. E as tendas estavam a ocupar tanto a Praça Dom João I como a Praça do Rossio e por isso os manifestantes acabaram por decidir que as tendas iam ficar e por isso a PSP interveio. Ora, por isso mesmo, acabamos por assistir nesta última hora, exatamente porque a intervenção teve início às 16h30, e portanto nesta última hora, acabamos por assistir às estratégias da PSP a entrar no terreno e também percebemos que acabaram por dispersar os manifestantes e neste momento as praças estão completamente vazias e a serem limpas pelos serviços de limpeza da Câmara e também a polícia continua bastante vigilante nas ruas que cercam estas praças. E esta intervenção e as consequências é algo que também vamos continuar a dar conta ao longo das próximas horas. Agora, a próxima vez que voltaremos será às 17h30 em ponto e até lá, fique por aqui na Rádio Observador.

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