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Friday, November 6, 2026

Por que técnicos usam a estratégia de 'queimar os próprios barcos' para motivar atletas?

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Uma frase sobre queimar os próprios barcos virou discurso motivacional no esporte. A expressão foi usada recentemente por Bob Chesney, técnico de futebol americano da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), antes de uma partida contra Oregon. A equipe venceu por 17 a 15, e o vídeo do discurso motivacional viralizou nas redes sociais.

Diante dos jogadores, Chesney contou a história de um comandante que, ao chegar com seus soldados ao atual território mexicano, teria ordenado que os barcos fossem destruídos. Sem possibilidade de voltar para casa, os homens precisariam vencer a batalha.

A mensagem era direta: não havia plano de fuga. Era preciso seguir em frente.

A estratégia não é nova. Treinadores de diferentes modalidades já recorreram à mesma metáfora, inclusive em equipes campeãs da NFL, da NBA e do futebol americano universitário. O técnico Luke Fickell, de Wisconsin, por exemplo, também adotou a expressão como lema de sua equipe na pré-temporada.

Veja o discurso do técnico que viralizou

De onde surgiu a história de queimar os barcos?

A narrativa costuma ser associada ao conquistador espanhol Hernán Cortés, que chegou ao atual território mexicano em 1519 durante a expedição que culminou na conquista do Império Asteca.

Mas existe um detalhe: ao The Athletic, Matthew Restall, professor de história colonial latino-americana da Universidade Estadual da Pensilvânia, apontou que a versão de que Cortés incendiou suas embarcações não corresponde exatamente aos registros históricos.

O que teria acontecido, segundo os registros históricos, foi que Cortés ordenou a inutilização das embarcações após retirar delas componentes que poderiam ser aproveitados. Parte dos navios foi afundada ou encalhada. A imagem dos barcos em chamas ganhou força em relatos posteriores e ajudou a consolidar a versão popular da história.

Por que a frase funciona como motivação?

A metáfora tem relação com um conceito estudado pela psicologia: a mudança de comportamento depois que uma pessoa assume um compromisso.

Pesquisas sobre mentalidade deliberativa e implementativa indicam que, antes de tomar uma decisão, as pessoas costumam avaliar alternativas e possíveis consequências. Depois de se comprometerem com um objetivo, tendem a concentrar a atenção nas ações necessárias para alcançá-lo.

É justamente essa a mensagem que os treinadores procuram transmitir: eliminar as possibilidades de recuo e direcionar toda a energia para o objetivo.

A expressão, no entanto, também é controversa. Como a história é associada à conquista espanhola e à violência contra povos indígenas, seu uso já provocou críticas. Em 2026, por exemplo, uma equipe universitária de lacrosse nos Estados Unidos deixou de usar camisetas com o lema após questionamentos de ex-alunos.

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