É #FAKE que mesários podem votar no lugar de eleitores ausentes após as 17h

Na gravação, de mais de 4 minutos, um homem afirma, sem apresentar provas, que mesários poderiam agir em conjunto para registrar votos em nome de eleitores ausentes após o encerramento da votação.
Em um dos trechos, o homem afirma:
“Depois que às 17 horas a sessão é fechada, quando os mesários, de uma forma em conluio decidem votar por quem não foi votar, a biometria ainda não é obrigatória. Ou seja, se você não é obrigado a colocar seu dedo lá, você pode simplesmente assinar. E aí vem o pulo do gato. O Tribunal Superior Eleitoral não faz o cruzamento com quem justificou, ou seja, não foi votar e o voto contabilizou na urna e muito menos de quem não foi votar e nem justificou. Ou seja, o voto pode ser contabilizado através de qualquer assinatura, que as assinaturas não são checadas em nenhum sistema. Apenas um papel que recebe uma assinatura".
Em outro momento, relaciona a redução da abstenção em 2022 à suposta fraude:
“Não é normal que haja uma diminuição da abstenção. E essa diminuição da abstenção aconteceu provavelmente por causa desses votos espíritas que aí estão.”
⚠️Por que é #FAKE?
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota explicando que existem diferentes mecanismos para identificar os eleitores, registrar os votos e fiscalizar a votação. O tribunal também esclareceu que votos registrados após as 17h e a redução da abstenção entre os turnos não são indícios de fraude.
Veja o que diz o TSE sobre as alegações do vídeo:
A identificação não depende apenas da biometria
Antes de liberar a urna, o mesário confere um documento oficial com foto e a fotografia do eleitor disponível no sistema da Justiça Eleitoral.
Se a biometria não estiver cadastrada ou não for reconhecida após quatro tentativas, o eleitor deve informar o ano de nascimento e assinar o Caderno de Votação. Nesse caso, a urna registra a impressão digital do mesário responsável pela liberação e a última digital apresentada pelo eleitor, quando houver falha no reconhecimento biométrico. Esses registros permitem apurar eventuais irregularidades.
O TSE cruza os dados de comparecimento e justificativa
Ao contrário do que afirma o vídeo, a Justiça Eleitoral confronta, após as eleições, os registros de quem votou com os de quem justificou a ausência. O procedimento permite identificar possíveis inconsistências, que são analisadas individualmente. Isso porque um eleitor pode justificar a ausência e, posteriormente, conseguir comparecer à votação.
Votos depois das 17h não indicam fraude
Às 17h, pelo horário de Brasília, os eleitores que ainda estiverem na fila recebem senhas e podem votar normalmente. A votação continua até que todos sejam atendidos. Por isso, o registro de votos após esse horário não representa, por si só, uma irregularidade.
Há fiscalização no encerramento da votação
Os dois últimos eleitores são convidados a acompanhar o encerramento dos trabalhos e receber uma cópia do Boletim de Urna. Representantes de partidos, federações e coligações também podem fiscalizar a votação. Além disso, os mesários devem registrar em ata qualquer ocorrência fora do padrão.
A queda da abstenção em 2022 não comprova fraude
A abstenção realmente diminuiu entre os dois turnos das eleições de 2022:
- 1º turno: 20,93% dos eleitores não votaram.
- 2º turno: 20,57% dos eleitores não votaram.
A redução foi de 0,36 ponto percentual. Segundo o TSE, o dado mostra que houve maior comparecimento proporcional no segundo turno, mas não comprova que mesários tenham votado no lugar de eleitores ausentes.
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