Denúncia aponta falhas em operação que terminou com morte de agricultor e tornou 7 PMs réus no RS

Segundo a denúncia, os soldados Alexandro Bersch Schröder, Guilherme Esteves Sedrez e Rafael Martins Dias, integrantes do setor de inteligência, participaram da identificação da propriedade onde a ação seria realizada. O Ministério Público sustenta que eles realizaram reconhecimentos considerados "falhos, inconsistentes e incipientes" antes da operação.
Conforme a acusação, os três policiais identificaram a propriedade porque entenderam que ela tinha características semelhantes às informações repassadas pela Polícia Militar do Paraná, como uma casa de grande porte, porteira eletrônica e cães no local.
O MP afirma, porém, que "eles não verificaram a identidade dos moradores, não consultaram registros da propriedade e não fizeram checagens em bancos de dados antes de apontar o endereço como alvo da diligência".
Já o sargento Eduardo Barboza Roll, o sargento Felipe Pereira Lempek e os soldados Marcelo Silva da Silva e Michael Macedo de Moraes são identificados na denúncia como executores da operação. Segundo o Ministério Público, eles ingressaram na propriedade por volta das 3h sem "fundadas razões" e sem autorização judicial.
A Promotoria afirma que os policiais avistaram uma pessoa no interior da residência e efetuaram disparos de fuzis calibre 5,56 mm mesmo sem terem certeza sobre quem estava dentro da casa. Conforme a denúncia, Marcos Daniel Nörnberg foi atingido por oito disparos e morreu em decorrência dos ferimentos.
A denúncia divide a atuação dos sete policiais entre partícipes e executores.
Para o Ministério Público, Alexandro Bersch Schröder, Guilherme Esteves Sedrez e Rafael Martins Dias contribuíram para o resultado ao realizar a identificação equivocada da propriedade.
Já Eduardo Barboza Roll, Felipe Pereira Lempek, Marcelo Silva da Silva e Michael Macedo de Moraes teriam participado diretamente da entrada na área rural e realizado os disparos.
O Ministério Público afirma na denúncia que os crimes foram cometidos mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e com emprego de arma de fogo de uso restrito.
Além da condenação criminal, o órgão pede que os sete sejam submetidos ao Tribunal do Júri, percam os cargos públicos e paguem indenização aos familiares da vítima.
O que dizem as defesas
A defesa dos policiais militares Felipe Pereira Lempek, Michael Macedo de Moraes e Eduardo Barboza Roll informou que não vai se manifestar neste momento porque ainda não teve acesso à íntegra do processo.
O advogado Jairo Luis Cutinski, que representa os policiais Alexandro Bersch Schröder, Guilherme Esteves Sedrez e Rafael Martins Dias, afirmou que "a defesa não desconhece a gravidade dos fatos, contudo, acredita que a participação de cada um dos policiais militares envolvidos deve ser verificada com resguardo, para que a situação seja devidamente apurada".
A reportagem tenta contato com a defesa de Marcelo Silva da Silva. O espaço segue aberto para o posicionamento.
Manifestação pede justiça por Marcos Nörnberg, agricultor morto pela polícia em Pelotas — Foto: Gabriel Verissimo/Agência RBS
Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas — Foto: Reprodução/RBS TV
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