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Sunday, October 4, 2026

Combustíveis: aumentos ameaçam apoios sociais

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A Comunidade Vida e Paz está angustiada com o aumento dos combustíveis e admite reduzir serviços e trabalhadores, enquanto a Refood enfrenta custos crescentes que podem comprometer a distribuição de alimentos a famílias carenciadas, alertaram responsáveis das duas instituições.

Em declarações à Lusa, a diretora-geral da Comunidade Vida e Paz (CVP), Renata Alves, explicou que o aumento do preço dos combustíveis agravou as dificuldades financeiras da instituição, que tem mais de 20 viaturas e registou uma subida de 11% nos custos com combustível desde o início do ano, face ao período homólogo.

A instituição, que apoia mais de 900 pessoas através de cerca de 22 respostas sociais, já tinha começado a reduzir despesas no primeiro trimestre, mas o agravamento dos custos obrigou a equacionar novas medidas, incluindo a redução de serviços e trabalhadores.

“Podemos vir a ter que prescindir de alguns serviços ou algumas respostas de alguns profissionais que já temos vindo a prescindir”, admitiu Renata Alves, alertando para as consequências na qualidade da intervenção.

A CVP acompanha diariamente entre 450 e 500 pessoas em situação de sem-abrigo, através das voltas da noite, em Lisboa, além de apoiar famílias vulneráveis e pessoas em tratamento ou reinserção social.

Para reduzir despesas, a instituição já reviu os quatro circuitos noturnos, que abrangem cerca de 100 pontos da capital, diminuindo a distribuição de ceias nos locais onde outras organizações também prestam apoio alimentar.

Renata Alves explicou que as voltas da noite representam um investimento anual superior a 400 mil euros e não têm financiamento público, dependendo exclusivamente de donativos de particulares e empresas.

Quanto ao apoio extraordinário aos combustíveis, a responsável revelou que a instituição terá direito ao montante máximo de 600 euros, que considera insuficiente face às despesas.

Disse ainda que a CVP poderá ter de reduzir algumas respostas para assegurar a sustentabilidade da instituição, numa altura em que receia um aumento dos pedidos de ajuda.

“Isto angustia-nos, não é? Imenso. Porque gostaríamos de dizer que estamos a diminuir respostas nos serviços porque não são necessários, mas não é isso que está a acontecer”, lamentou.

Também a Refood está a sentir os efeitos do aumento dos combustíveis, que se refletem nas despesas das viaturas utilizadas na recolha e distribuição de alimentos e nos custos suportados pelos voluntários.

O fundador do movimento, Hunter Halder, revelou à Lusa que o núcleo de Vila Nova de Famalicão, que dispõe de quatro carrinhas a gasóleo, registou um aumento de cerca de 40% nas despesas com combustível.

Com 69 núcleos em todo o país e aproximadamente 35 viaturas próprias, a Refood depende também dos automóveis particulares dos voluntários, que suportam os custos das deslocações.

“Os voluntários da Refood pagam pelo privilégio de fazer voluntariado”, ironizou Hunter Halder, explicando que o aumento dos combustíveis representa mais um encargo para quem assegura gratuitamente as recolhas.

Já a voluntária da Refood de Vila Nova de Famalicão Ângela Gomes apontou que os custos com as carrinhas, a sua manutenção e o gasóleo representam a maior despesa do núcleo, que conta com cerca de 250 voluntários e recolhe alimentos junto de 35 parceiros.

A instituição apoia, em média, 150 famílias, o correspondente a quase 500 pessoas, e realiza diariamente recolhas e entregas em todo o concelho.

“Se deixarmos de fazer uma recolha, os alimentos que iríamos recolher vão ser desperdiçados. E se deixarmos de entregar às famílias, estas famílias também vão ficar sem os alimentos que necessitam”, alertou.

Ângela Gomes explicou que o núcleo beneficia de um apoio anual da Câmara Municipal, que diminuiu este ano, e que o agravamento das despesas já levou os responsáveis a discutir eventuais ajustamentos nas rotas.

Embora garanta que não serão abandonadas as famílias atualmente apoiadas, admitiu que o núcleo já não consegue aceitar novos pedidos que impliquem deslocações para zonas afastadas dos percursos existentes.

A voluntária revelou ainda que chegam novos pedidos de ajuda todas as semanas e defendeu a criação de apoios específicos para as instituições que dependem dos combustíveis para assegurar a sua atividade.

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