CEO da AZ Quest defende que eventual governo Flávio priorize cortes de gastos com aposentados e servidores
São Paulo Eleitor declarado de Flávio Bolsonaro, o empresário Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest, defende que o candidato do PL, se eleito, comece seu mandato cortando gastos com aposentados, servidores públicos e Judiciário.
Maciel, que tem atuado como uma espécie de cabo eleitoral de Flávio em vídeos nas redes sociais, sugere que o combate às emendas dos parlamentares e às renúncias fiscais fique para depois.
"Eticamente, do ponto de vista do que é correto, a primeira coisa é pensar nas emendas, o que era antigamente chamado de orçamento secreto e virou emenda Pix. Mas isso tudo vai dar R$ 60 bilhões. O maior gasto que temos hoje não é esse. Se eu fosse eleito presidente, diria: 'Vamos pegar as frutas baixas, o que está na mão, o que dá para fazer mais rápido'", afirma.
Por outro lado, ele calcula que o ajuste na Previdência geraria economia maior. Na opinião de Maciel, não faz sentido que o reajuste da remuneração dos aposentados se equipare ao do trabalhador na ativa.
Publicidade
"Não existe o aposentado receber o crescimento futuro mais inflação. O cara participou do crescimento passado. Você tem que protegê-lo da perda real. A inflação tem que ser corrigida. Se você descruzar a Previdência e os benefícios do salário mínimo, a economia é de R$ 1,2 trilhão", estima o gestor da AZ Quest, que diz ter contato com membros da campanha de Flávio, como Adolfo Sachsida e Daniella Marques.
Ele próprio, afirma, já teve o nome mencionado em reportagens que especulam quem serão os ministros em eventual vitória do senador candidato, o que ele nega.
Publicidade
Na quinta-feira (8), Flávio Bolsonaro afirmou a jornalistas que, se eleito, fará o reajuste das aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) acima da inflação.
"Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria", anunciou o candidato.
Maciel também defende uma reforma administrativa que reduza o salário de entrada de servidores públicos.
"O que você tem que fazer hoje é segurar, botar de volta na caixinha, os gastos com aposentadorias. Tem que fazer uma reforma administrativa de verdade, tem que diminuir o salário de entrada, tem que controlar crescimento de carreira. Aí vai ganhando bônus por produtividade. Tem que tirar os penduricalhos do Judiciário, que são enormes", diz.
Sobre as renúncias fiscais, Maciel sugere cautela.
Publicidade
"Vai brigar no dia 1 para acabar com a Zona Franca de Manaus? Vai arrumar uma quizumba? Deixa isso para quando estiver mais popular", diz.
"Eu estimo que o problema do Brasil hoje seja de 4% do PIB. Ninguém vai cortar 4% no primeiro ano. Não tem como. O que tem de fazer é um ajuste de 1%, mas convencer o mercado de que você vai continuar ao longo do tempo. O maior gasto do governo hoje, acima da Previdência, é o juro. Só que você não reduz como Lula quer. Você reduz fazendo esse sinal", diz.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Na opinião de Maciel, se eleito, o governo de Flávio também não deveria comprar briga logo de cara com o STF (Supremo Tribunal Federal).
"Napoleão e Hitler perderam. Foi atacar Europa, ficou de costas para Rússia, dançou. Tem que abrir poucas frentes. Não dá para fazer muita guerra ao mesmo tempo", diz
Maciel afirma que vê desequilíbrio entre os poderes, com abusos que comprometem a segurança jurídica e espantam o investidor estrangeiro.
Publicidade
"O gringo fala: 'Não entro mais'. Veja essa história das bets. É claro que eu sei o mal social que as bets representam. Mas se você regulamentou, vendeu outorga e depois mudou numa canetada sem falar com o Congresso, a nove dias da eleição, o cara que vai investir numa estrada ou numa concessão de saneamento vai pensar que esse país não tem lei, que um contrato não vale", diz em referência à recente decisão de Lula que proibiu as apostas online.
"Eu sei que temos esses problemas, mas se você quiser brigar pela liberdade do Jair Bolsonaro, que eu acho que é um tema importante, claro que é para eles, impedir ministro do Supremo, fazer o ajuste fiscal, é muita coisa. Se eu fosse eleito presidente, ia tocar o fiscal e bombar de popularidade depois. E com a popularidade alta depois e o Congresso na mão, você faz o que você quiser", afirma.
Uma das principais promessas de campanha de Flávio é conceder indulto ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentar dar um golpe para permanecer no poder após ser derrotado por Lula em 2022.
Questionado sobre o que achou do áudio de Flávio pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Maciel diz que achou "feio".
"Achei muito feio, impróprio. Agora, eu me faço a pergunta de Cícero em Roma: a quem beneficia? O Flávio não conseguia influenciar o Supremo, a PGR, a Polícia Federal, o Congresso, o governo. [Por outro lado], apareceram contratos de gente que está no poder e tem capacidade direta de ajudar o Vorcaro e o Master. [Com Flávio], seria a compra de uma promessa futura de uma ajuda? Como no filme 'Minority Report', com Tom Cruise, em que três videntes visualizavam o crime futuro e já prendiam o cara antes de cometer [o crime]", diz.
Publicidade
Para Maciel, a euforia do mercado financeiro na segunda-feira após o primeiro turno foi apenas uma amostra.
"Você só viu o trailer. O filme nem começou. Se começa a ter um ajuste fiscal de verdade, os juros realmente começam a baixar e o real, a se valorizar. Investimentos crescendo. Você começa a ver o país sair dessa sinuca. Eu acho que vai ter uma explosão de crescimento do PIB", diz.
Carregando...
RAIO-X | AZ QUEST
- Patrimônio sob gestão: R$ 35 bilhões
- Fundos: mais de 180
- Fundação: 2001
- Principais concorrentes: SPX Capital, Ibiuna Investimentos, Legacy Capital
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.