Antonelli campeão: a trajetória do jovem italiano que cresceu admirando Senna
Aos 20 anos, Kimi Antonelli conquista seu primeiro Mundial de Fórmula 1 e encerra uma espera de 73 anos da Itália. No México, administrou a corrida e garantiu o título em um domingo de vitória de Verstappen e novos problemas entre os pilotos da Ferrari.
Andrea Kimi Antonelli é o mais novo campeão mundial e também o mais jovem da história da Fórmula 1. Aos 20 anos e 68 dias, o italiano conquistou seu primeiro título com o terceiro lugar no Grande Prêmio do México, superando o recorde de Sebastian Vettel, campeão em 2010 aos 23 anos e 134 dias. A Itália volta a ter um campeão de pilotos depois de 73 anos, desde Alberto Ascari, em 1953.
Antonelli fez uma corrida segura, administrando o que precisava para confirmar o campeonato, mas sem deixar de disputar posições. A ultrapassagem sobre Leclerc após a bandeira vermelha mostrou isso. Mesmo com tanto em jogo, aproveitou a oportunidade e seguiu para o pódio. Na minha leitura, soube equilibrar a vontade de competir com a responsabilidade de terminar uma corrida que poderia definir sua carreira.
Enquanto isso, Russell voltou a se complicar na largada, e a Ferrari protagonizou mais um episódio difícil de entender. Leclerc disputou com Hamilton logo no início, os dois saíram da pista e Verstappen aproveitou a situação. O monegasco recebeu uma punição de cinco segundos por sair do traçado e obter vantagem. Hamilton terminou em segundo, atrás do holandês.
Para mim, a Ferrari facilitou uma corrida que poderia ter sido conduzida de outra forma. Hamilton mostrou seu incômodo durante a prova, e é compreensível. Uma equipe que quer voltar a ser campeã precisa administrar melhor a disputa entre seus pilotos. Eles podem competir, mas não faz sentido comprometer as chances de vitória da própria equipe logo no início. Verstappen soube aproveitar e administrar a oportunidade, mesmo pressionado por Hamilton no final.
Com a vitória, Verstappen chegou a 261 pontos, contra 259 de Hamilton. A Ferrari deixou escapar a oportunidade de um resultado melhor, importante tanto para a disputa pelo vice-campeonato de pilotos quanto para o Mundial de Construtores. Mas o domingo foi mesmo de Antonelli. E, para entender como ele chegou até aqui, precisamos voltar alguns anos.
Nascido em Bolonha, em 25 de agosto de 2006, Antonelli cresceu perto das pistas. Seu pai, Marco, foi piloto e dirige a equipe Antonelli Motorsport. O automobilismo fazia parte da rotina da família antes mesmo de Kimi começar a competir. E uma curiosidade: apesar do nome, ele não foi batizado em homenagem a Räikkönen. Kimi foi uma sugestão de um amigo da família.
Ainda criança, acompanhava o pai nos circuitos e assistia às corridas em casa. Aos sete anos, começou sua trajetória no kart. Em abril de 2019, aos 12 anos, entrou para o programa de jovens pilotos da Mercedes. A equipe que agora comemora seu título já acompanhava seu desenvolvimento muito antes de ele dirigir um carro de Fórmula 1.
Os resultados vieram em sequência. Antonelli foi campeão europeu de kart em 2020 e 2021, estreou nos monopostos em 2021 e conquistou os campeonatos italiano e alemão de Fórmula 4 em 2022, com 22 vitórias somadas nas duas competições. Em 2023, venceu a Fórmula Regional do Oriente Médio e a europeia. Era uma trajetória curta em tempo, mas já bastante consistente em resultados.
Em 2024, deu um salto importante: foi diretamente para a Fórmula 2, sem disputar o campeonato de Fórmula 3 da FIA. Pela Prema, venceu a sprint de Silverstone debaixo de chuva e a corrida principal da Hungria. Uma única temporada depois, estava a caminho da Fórmula 1 para assumir a vaga de Lewis Hamilton na Mercedes.
Não era uma responsabilidade pequena. Além de estrear em uma equipe acostumada a vencer, ele ocuparia o lugar de um heptacampeão. E sua primeira participação em um treino livre, em Monza, em 2024, terminou com uma batida depois de aproximadamente dez minutos. Toto Wolff manteve a confiança e deixou claro que aquele acidente não mudava a avaliação sobre o jovem.
Esse é um ponto que considero importante na história. A Mercedes tinha anos de acompanhamento para sustentar sua decisão. Apostar em um piloto jovem também exige dar espaço para que ele aprenda, erre e evolua. A equipe fez isso mesmo, com toda a exposição que a substituição de Hamilton provocava.
Na estreia em 2025, Antonelli terminou em quarto na Austrália. O primeiro pódio veio no Canadá, e ele encerrou a temporada com três pódios e 150 pontos. Houve oscilações, mas também resultados que mostravam por que a Mercedes havia escolhido seu nome.
Em 2026, a primeira vitória veio na China, seguida por triunfos no Japão, em Miami, no Canadá e em Mônaco. Foram cinco vitórias consecutivas. Antes mesmo de chegar ao México, já havia vencido nove vezes e construído uma vantagem de 123 pontos sobre Russell. O companheiro mais experiente, com o mesmo equipamento, acabou sendo sua referência mais direta na conquista.
Há também uma ligação nessa história que chama minha atenção como alguém que começou a acompanhar Senna em 1988. Antonelli nasceu mais de 12 anos depois da morte de Ayrton, mas o escolheu como seu principal ídolo. Conheceu suas corridas por vídeos e passou a admirar tanto o piloto quanto a pessoa. Entre os momentos que cita está a vitória em Donington, em 1993.
Para quem viu Senna correr, é especial perceber que sua história continua inspirando pilotos que nem eram nascidos naquela época. Antonelli também reconhece a importância dos pais, da Prema e da Mercedes em sua formação. O título veio cedo, mas houve um percurso de aprendizado, apoio e resultados até chegar a ele.
Agora, Antonelli chega ao Brasil como campeão mundial. Ainda temos a disputa pelo vice-campeonato e a definição do Mundial de Construtores, com pontos importantes em jogo. Que venha Interlagos, desta vez recebendo um jovem italiano que cresceu admirando Senna e que acaba de escrever seu próprio nome entre os campeões da Fórmula 1.
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