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Thursday, October 8, 2026

Já não é possível salvar o PS

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Quando a 11 de Março de 1985 Mikhail Gorbatchov se tornou o líder da URSS, a sua principal missão era salvar o sistema comunista e por inerência o próprio país. A Perestroïka (Reestruturação) e a Glasnost (Transparência) eram os meios para esse desiderato, paradoxalmente, as duas palavras que pretendiam salvar o comunismo acabaram por ser o seu epitáfio.

Esta é a situação do atual Partido Socialista. Tal como a URSS, a podridão interna do PS não resulta de uma qualquer conjuntura, em vez disso, ela é profundamente estrutural, diria mesmo que é cultural.

No ano 2000, o Secretário de Estado da Administração Interna Armando Vara, atribuiu verbas públicas a uma fundação privada tutelada por si, o que culminou na sua demissão do governo. Em condições normais, isto seria mais do que suficiente para terminar com a carreira política deste socialista. Mas em 2005 Jorge Sampaio (outro socialista) entendeu, atribui-lhe a ordem do Infante D. Henrique, por prestação de serviços relevantes a Portugal. Ainda em 2005, pela mão de José Sócrates, Armando Vara entrou para a administração da Caixa Geral de Depósitos, mais tarde, numa jogada de controlo do BCP por parte do PS, Armando Vara transitaria para o banco privado.  Em suma, apesar de todos os escândalos, o PS sempre conviveu muito bem com esta personagem. Mesmo depois de preso, no âmbito do Processo Face Oculta, o PS, ao abrigo das leis do COVID 19, conseguiu que fosse libertado.

Em 1995, José Sócrates iniciou a sua carreira governativa como secretário de Estado do ambiente, mais tarde chegaria a ministro. Dessa época resultaram os primeiros rumores de corrupção, ligados ao Caso Cova da Beira. Depois disso, José Sócrates continuou a sua carreira dentro da máquina socialista, sem que o partido tivesse vontade de travar a ascensão deste tipo de criatura.

Em 2005, dias antes das eleições legislativas causadas pelo socialista Jorge Sampaio, surgiram as primeiras suspeitas do envolvimento de José Sócrates no Caso Freeport. Mesmo assim José Sócrates foi eleito primeiro-ministro com maioria absoluta. Neste caso como em muitos outros, os portugueses também saem mal na fotografia. O PS não travou a ascensão desta pessoa e os portugueses também não.

Em 2007, surgiu o caso da falsificação da licenciatura concluída a um domingo.  Nesta época o PS exercia um férreo controlo das instituições democráticas do país, tendo como alvo prioritário a comunicação social. Que tipo de partido político poderia ficar calado perante o célebre pequeno-almoço de Luis Figo com José Sócrates, depois de o internacional português ter sido contratado pela PT para uma campanha publicitária? Que tipo de partido político poderia ter ficado calado quando José Sócrates inviabilizou a OPA da SONAE à PT, para continuar a camuflar aquilo que o Grupo Espírito Santo fazia na operadora de telecomunicações? Que tipo de partido poderia ter ficado calado quando José Sócrates calou o Telejornal de Manuela Moura Guedes? Que tipo de partido político podia ter convivido pacificamente com o track record de José Sócrates, sem nunca se ter questionado, sem nunca se ter indignado? Que tipo de partido político, depois da bancarrota de 2011, se poderia vangloriar da herança de José Sócrates? A resposta é muito simples. Só um partido profundamente apodrecido poderia ter sido cúmplice de José Sócrates e de seus parteners.

​Em 2015, os acólitos de José Sócrates, voltaram a ser postos no poder por aqueles eleitores que se julgando vítimas da austeridade, eram na realidade cúmplices do governo e do partido mais pérfido da democracia portuguesa. O PS só não reabilitou Sócrates porque a Operação Marquês assim o impediu, de outra forma teria sido muito provável a sua eleição como Presidente da Républica em 2016.

Desde o Processo Casa Pia, que o PS estava num Processo de Putrefação em Curso. Só assim se justificam as tentativas de obstrução à justiça feitas por António Costa e Ferro Rodrigues, com este último a declarar que não se “importava” muito com o segredo de justiça. Num partido e num país minimamente decentes, estas duas personagens teriam ido tratar da vida delas, deixando o espaço político para pessoas com mais dignidade. Mas assim não foi, em 2015, estas duas personagens sinistras transformaram-se em presidente da Assembleia da República e em Primeiro-Ministro, com sucessivas renovações de confiança por parte do eleitorado até à maioria absoluta.

Ainda sobre o processo Casa Pia, em 2009, os vogais nomeados pelo PS no Conselho Superior de Magistratura, tentaram inviabilizar a avaliação de “Muito Bom” ao Juiz Rui Teixeira (responsável pelo processo Casa Pia, que tinha decretado a prisão preventiva de Paulo Pedroso), evitando desta forma a sua progressão na carreira. Um desses elementos era Alexandra Leitão, que mais tarde seria ministra de António Costa.

Vitor Escária já tinha um rasto de suspeitas do Ministério Público no caso da Operação Marquês. Mandava a higiene política que uma criatura de José Sócrates se mantivesse afastada da atividade governativa. O problema esteve no facto de o PS estar dominado por uma cultura, onde ser suspeito de um crime ou ter sérios problemas éticos, são curriculum e não cadastro. Não foi por isso de estranhar que uma personagem sinistra como António Costa, tivesse chamado para seu chefe de gabinete alguém como Vitor Escária. Não foi também estranho que tenham aparecido 75 000€ na residência oficial do Primeiro-Ministro. Esta situação deu muito jeito a Antonio Costa. Teve finalmente um motivo para se livrar do antro em que tinha transformado o PS e o seu governo.

Em 2014, Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra da educação de José Sócrates, foi condenada a três anos de prisão por prevaricação. É muito curioso que o motivo deste processo tenha sido a contratação por ajuste direto de João Pedroso (irmão de Paulo Pedroso) por 220 mil euros, para prestação de serviços ligados ao Ministério da Educação. Em sede de recurso, o tribunal da relação absolveu a antiga ministra. Outra curiosidade, está no facto da juíza relatora do coletivo que proferiu esta decisão, ser casada com um membro do PS. Maria de Lurdes Rodrigues acabaria como presidente da madraça socialista, o ISCTE.

Outro caso que mostra bem a decadência moral do PS, prende-se com o que aconteceu com o deputado Ricardo Rodrigues em 2010.  Foi constituído arguido por um crime contra a liberdade de imprensa e de informação. Neste caso o PS nem precisou de esperar pelo fim do processo. Em 2011 foi indicado pelo Partido Socialista para representante do parlamento no Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários. Para quem não sabe, é a escola onde são formados os juízes e magistrados do ministério público. Em 2012 acabaria por ser condenado.

O caso da nomeação do Procurador Europeu por parte do Governo de António Costa, foi no mínimo curioso. O comité de peritos independentes instituído pelo Conselho da União Europeia, considerou a magistrada Ana Carla Almeida como a candidata mais qualificada, colocando o magistrado José Guerra em segundo lugar. Ao contrário da maioria dos Estados, Portugal não seguiu a recomendação do Conselho da União Europeia. Para justificar a sua decisão, o governo português falsificou o curriculum de José Guerra. Outra curiosidade, está no facto de o procurador José Guerra, ser irmão de João Guerra, o magistrado a quem António Costa ligou para tentar inquinar o Processo Casa Pia. As feministas do PS também não se importaram muito com o facto de uma mulher com melhor avaliação, ter sido preterida por um homem a quem foi preciso falsificar o curriculum. Certamente que Isabel Moreira estava entretida a pintar as unhas ou estava sob influência de “drogas legais” e não se deu conta desta situação.

Aquando das recentes buscas à sede do PS, José Luis Carneiro afirmou de forma pueril que “o partido não foi visado nestas buscas”. O problema é que as pessoas visadas faziam parte do departamento de contabilidade do partido. O arguido Duarte Moral está na máquina partidária há cerca de 30 anos e era assessor de imprensa de José Luis Carneiro. Manuel Coelho foi deputado 24 anos e fez três mandatos como presidente da junta de Santa Maria Maior.

Quando José Luis Carneiro se tornou líder do PS, pensei que ele seria o redentor e por consequência o salvador do Partido Socialista. Infelizmente para o PS assim não foi. José Luis Carneiro provou que o PS não tem solução. A sua viagem à Venezuela, mas principalmente a visita que fez a Pedro Sanchez, provaram que tal como a URSS, também o PS não tem redenção possível. Só o líder de um partido moralmente decadente poderia considerar Pedro Sanchez como uma referência política. José Luis Carneiro não precisava de ir apoiar Pedro Sanchez, mas fê-lo porque o PS é um partido profundamente amoral. Na sua generalidade, os socialistas acham que o comportamento de Pedro Sanchez é altamente positivo, alguns até o apelidaram de novo Churchill.

Como é óbvio todos os partidos têm casos de corrupção e má gestão da coisa pública. Embora isso seja um problema, se o partido souber expurgar as maçãs podres, elas não vão contaminar as restantes. A originalidade do PS, está na capacidade que os socialistas têm para conviverem com situações anómalas como se fossem normais. Nesta situação, pessoas honestas não se aproximam de uma máquina partidária putrefacta, por este motivo o PS só consegue atrair moscas.

Para limpar os estábulos do rei Augias, Hécules desviou os rios Alfeu e Peneeu, mas para limpar o PS, nem desviando o Douro e o Tejo.

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