Certificação B: o que ela revela sobre os desafios da indústria da moda
Por Suelen Joner, head de sustentabilidade do Azzas 2154.
O Azzas 2154 concluiu sua primeira certificação como Empresa B. A conquista confirma, por meio de uma avaliação independente, que nossas práticas de governança, relações de trabalho, gestão ambiental e relacionamento com comunidades e clientes seguem dentro dos padrões exigidos pelo movimento B.
Para uma companhia do nosso porte, esse resultado tem um peso especial: reforça o compromisso de integrar critérios socioambientais à estratégia e às decisões do negócio.
Certificação B e transparência socioambiental
A certificação B precisa ser renovada periodicamente, e cada ciclo de avaliação aponta onde avançamos e onde ainda temos trabalho a fazer.
Ao unificar o processo para todas as marcas, passamos a medir o desempenho do grupo inteiro com a mesma régua, o que torna os compromissos comparáveis entre negócios de perfis muito diferentes e ajuda a definir prioridades e investimentos.
Para investidores, parceiros e consumidores, a certificação oferece transparência verificada por terceiros sobre aquilo que construímos na agenda da sustentabilidade.
Os desafios da sustentabilidade na indústria da moda
Essa conquista ganha relevância diante do momento que a moda atravessa. O setor tem enorme peso econômico e grande capacidade de influenciar culturas e comportamentos.
Ao mesmo tempo, enfrenta desafios urgentes, de reduzir emissões, rastrear matérias-primas e garantir o respeito aos direitos humanos em cadeias produtivas longas e fragmentadas.
A questão que se coloca para as lideranças é como estruturar modelos de negócio capazes de viabilizar essa transição na velocidade e na escala que o planeta precisa.
ESG e sustentabilidade como estratégia de negócios
Por muito tempo, o mercado tratou indicadores socioambientais como custo adicional ou como ação de reputação. A experiência do dia a dia mostra que integrar o ESG à estratégia reduz riscos operacionais, regulatórios e reputacionais.
Novos padrões internacionais de transparência e clima, como as metas baseadas na ciência (SBTi) e o reporte sob as normas IFRS, somados ao fortalecimento da devida diligência, tornaram a melhoria contínua uma condição para permanecer competitivo.
Para gerar valor duradouro, a sustentabilidade precisa fazer parte do desenho estratégico e da alocação de recursos.
Eficiência operacional e disciplina financeira sustentam os compromissos socioambientais, e esses compromissos, por sua vez, ajudam a proteger margens e a construir a longevidade do negócio.
A responsabilidade socioambiental qualifica o resultado financeiro e garante sua consistência no longo prazo.
O papel da cadeia de fornecedores na moda sustentável
Nenhuma empresa avança sozinha nessa agenda.
O desenvolvimento da moda depende do fortalecimento da cadeia de suprimentos, formada por uma rede ampla de parceiros das indústrias têxtil e calçadista que lidam diariamente com desafios de gestão, formalização e conformidade.
Acreditamos em corresponsabilidade e entendemos que apoiar os fornecedores no desenvolvimento de suas capacidades produz avanços mais sólidos e duradouros do que um modelo baseado apenas em auditoria e restrição.
Programa de desenvolvimento da cadeia de fornecedores do Azzas 2154
Com esse olhar, estruturamos o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Fornecedores, em parceria com o Sistema B Brasil e a consultoria Numerik.
A primeira edição, de caráter piloto, prevê a participação de 50 fornecedores diretos de produtos acabados em uma jornada de diagnóstico, desenvolvimento e acompanhamento, utilizando o B Impact e os novos padrões do B Lab como referências.
A partir das oportunidades identificadas, serão construídos planos de evolução que considerem diferentes níveis de maturidade e necessidades, com atenção especial a Trabalho Justo e Direitos Humanos.
O objetivo é fortalecer a gestão e o desempenho socioambiental dos fornecedores; e os aprendizados do piloto contribuirão para construir uma metodologia replicável de desenvolvimento da cadeia, com potencial de expansão e de contribuição para o avanço da indústria da moda no Brasil.
Alcançar a certificação B é renovar um compromisso público, que volta a ser avaliado a cada novo ciclo, e que reforça a importância de colocar a sustentabilidade no centro do modelo de negócios da indústria da moda.
Executivos, fornecedores, investidores e consumidores têm papel nesse movimento, para que a potência criativa da moda esteja a serviço de um futuro viável e responsável para todos.
'Perguntas frequentes'
O que significa a certificação B conquistada pelo Azzas 2154? +
Segundo Suelen Joner, head de sustentabilidade do Azzas 2154, a avaliação independente confirma que as práticas de governança, relações de trabalho, gestão ambiental e relacionamento com comunidades e clientes atendem aos padrões exigidos pelo movimento B.
A certificação B do Azzas 2154 é permanente? +
Não. A certificação B precisa ser renovada periodicamente, e cada ciclo de avaliação identifica avanços e pontos que ainda exigem melhorias.
Por que a certificação B é importante para investidores e consumidores? +
De acordo com Suelen Joner, a certificação oferece transparência verificada por terceiros sobre os compromissos de sustentabilidade do Azzas 2154. O processo também permite avaliar o desempenho das marcas do grupo com critérios comparáveis.
Como o Azzas 2154 pretende apoiar seus fornecedores? +
O Azzas 2154 estruturou o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Fornecedores em parceria com o Sistema B Brasil e a consultoria Numerik. A iniciativa prevê diagnóstico, desenvolvimento e acompanhamento, com planos de evolução adaptados às necessidades dos participantes.
Quantos fornecedores participarão do programa-piloto do Azzas 2154? +
A primeira edição prevê a participação de 50 fornecedores diretos de produtos acabados. O programa utiliza o B Impact e os novos padrões do B Lab como referências, com atenção especial a Trabalho Justo e Direitos Humanos.
Quais são os principais desafios de sustentabilidade da indústria da moda? +
O texto destaca a necessidade de reduzir emissões, rastrear matérias-primas e garantir o respeito aos direitos humanos em cadeias produtivas longas e fragmentadas. Segundo Suelen Joner, integrar a sustentabilidade à estratégia também é fundamental para reduzir riscos e sustentar a competitividade do setor.
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