Suíça deixa de apoiar recandidatura de Gianni Infantino à presidência da FIFA
“A direção da SFV decidiu, em reunião realizada em 25 de setembro, retirar o apoio, declarado em junho, à candidatura de Gianni Infantino para mais um mandato como presidente da FIFA. A decisão surge na sequência de uma reavaliação abrangente dos acontecimentos dos últimos meses”, informou o organismo, em comunicado.
País de nascimento de Infantino, a Suíça juntou-se a Albânia, Croácia, Finlândia, Gibraltar, Grécia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Itália, Jordânia, Nova Zelândia, Noruega, País de Gales, República da Irlanda, Roménia, Sérvia, Suécia nas federações que já assumiram publicamente a sua oposição ao presidente e único candidato assumido às eleições da FIFA.
O dirigente ítalo-suíço tem enfrentado crescente oposição, após ter promovido em julho, sem consulta prévia, um projeto para vender participações dos Campeonatos do Mundo a investidores privados através de uma nova empresa comercial, proposta na qual recuaria.
A SFV mencionou esse episódio, assim como a suspensão por um período probatório de um ano do castigo de um jogo aplicado ao avançado Folarin Balogun, que tinha sido expulso com cartão vermelho direto na vitória dos Estados Unidos frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), nos 16 avos de final do Mundial2026, prova coorganizada pelos norte-americanos, México e Canadá.
O dianteiro pôde alinhar frente à Bélgica e foi titular nos ‘oitavos’, após uma intervenção junto da FIFA do Presidente norte-americano, Donald Trump, mas não evitou a eliminação dos Estados Unidos, derrotados pelos europeus (4-1).
“Para a SFV, a credibilidade, a transparência, a responsabilidade e o envolvimento efetivo dos órgãos legalmente responsáveis são indispensáveis para a confiança na gestão do futebol internacional e na integridade da FIFA. Devido aos acontecimentos verificados desde junho e às questões ainda em aberto, a direção da SFV considera que esses pré-requisitos já não estão atendidos”, sustentou.
O presidente da SFV, Peter Knäbel, viu um “sinal importante” na carta enviada na semana passada por Infantino às 211 federações-membro a propor uma consulta para reformar a governança da FIFA, mas lembra que há “questões-chave que não foram esclarecidas de forma convincente”.
Apesar do recuo no projeto de comercialização dos Mundiais, as confederações da Europa (UEFA), da Ásia (AFC) e da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF) mantêm a pressão e exigem a saída de Infantino da FIFA, assim como diversas federações-membro.
“Esta decisão não significa um afastamento da cooperação construtiva dentro da FIFA e da comunidade internacional do futebol. Como associação do país onde a FIFA e a UEFA têm as suas sedes, a SFV está ciente da sua responsabilidade especial e continuará a defender a transparência, estruturas credíveis e confiáveis, processos de tomada de decisão baseados em regras e o fortalecimento de um sistema de futebol internacional unido e ético”, terminou.
Gianni Infantino, de 56 anos, anunciou a recandidatura à presidência da FIFA em maio, num Congresso realizado antes do Mundial2026, que se disputou entre Estados Unidos, México e Canadá e foi conquistado pela campeã europeia Espanha.
Nono presidente da história do organismo, o advogado pode chegar aos 15 anos no cargo, caso seja reconduzido e permaneça em funções até 2031, num ato eleitoral que está agendado para março de 2027, em Rabat, capital de Marrocos.
Infantino foi nomeado presidente da FIFA em 2016, ao derrotar três adversários nas urnas e suceder ao suíço Joseph Blatter, que renunciou ao cargo um ano antes e foi impedido de participar nas atividades do organismo até 2027, após enfrentar acusações de fraude e corrupção, das quais seria absolvido de forma definitiva pela justiça helvética em 2025.
Depois de completar o remanescente do derradeiro mandato de Blatter, que não conta para o limite de 12 anos segundo os estatutos da FIFA, o antigo secretário-geral da UEFA concorreu sem oposição em 2019 e 2023 e foi eleito por aclamação nesses dois escrutínios.
Gianni Infantino é o único candidato assumido às próximas eleições da FIFA, cujo prazo para a apresentação de listas, que têm de ser apoiadas por, pelo menos, cinco federações-membro, terminará em 18 de novembro.
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