Moradia, custo de vida e educação: entenda os principais protestos que estão acontecendo na Europa
A Europa vive semanas de tensão com as manifestações que tomaram o continente nas últimas semanas. Multidões estão indo às ruas para reivindicar direitos como melhores condições de educação, moradia, salários e a renúncia dos líderes de seus governos. Embora cada uma tenha um estopim e motivações particulares, a frustração e o desejo de mudança são similares.
Veja a seguir cinco pontos essenciais para entender as manifestações.
Onde estão acontecendo as manifestações?
Os principais protestos estão acontecendo na França, onde mais de 140 cidades e a capital Paris estão envolvidas. Além dos franceses, a Espanha é o segundo maior epicentro no continente, com mobilizações em Madri, Barcelona, Valência e outras 50 cidades.
A viralização de táticas de protesto nas redes sociais dos dois países impulsionou movimentos de menor escala em algumas cidades de Itália, Bélgica, Grécia e Portugal.
A indignação também atingiu o litoral dos Bálcãs, principalmente no Kosovo e na Albânia, com contornos mais específicos. Autoridades albanesas registraram confrontos intensos na capital, Tirana, na praia de Zvernec e na ilha de Sazan.
Euro Radar
Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris
Quais são as principais motivações dos manifestantes?
As mobilizações expõem, acima de tudo, uma insatisfação generalizada com a situação econômica de seus países. Eles destacam a inflação, a alta do custo de vida, disparada no preço dos combustíveis e perda do poder de compra como fatores.
Além da crise financeira, os protestos também miram a alta abusiva do preço dos imóveis e aluguéis, gerada principalmente por grandes imobiliárias que focam seus investimentos para o turismo.
Na Espanha, um caso gerou revolta: o despejo de Maricarmen Abascal, 87. Ela morava em um apartamento no centro de Madri há mais de 70 anos e, mesmo com baixa mobilidade, foi retirada do local. Ela conseguiu na Justiça o direito de voltar para casa, mas pouco depois, morreu no hospital.
Na Albânia, o estopim envolveu acusações de corrupção em um projeto imobiliário de luxo em áreas de preservação ambiental ligadas à filha do presidente dos Estados Unidos, Ivanka Trump, e seu marido Jared Kushner despertaram a chamada "Revolução dos Flamingos".
Na França, um movimento estudantil herdou as características dos Coletes Amarelos para reivindicar maior orçamento e infraestrutura escolar, também pedindo o fim de reformas que dificultam o acesso dos jovens ao ensino superior. Os Coletes Amarelos são um movimento de protesto surgido em 2018, inicialmente contra o aumento dos combustíveis, que passou a reunir reivindicações contra o custo de vida e as desigualdades sociais.
Em todos os países, há semelhanças na insatisfação popular com os respectivos governos, alimentada pela repressão policial e por repetidos cortes nos gastos públicos
Quem está organizando e participando desses protestos?
De estudantes do ensino médio e universitários a ativistas políticos, a juventude europeia da geração Z tem ganhado destaque nos acampamentos e marchas iniciais contra os governos.
Após a popularização das atividades, sindicatos e centrais trabalhistas como o Sindicato dos Inquilinos (Espanha) e a Confederação Geral do Trabalho (França) anunciaram apoio direto às reivindicações.
Apesar de serem liderados por movimentos sociais, alguns protestos contam com a presença de suspeitos mascarados, envolvidos em saques e vandalismo nas cidades segundo autoridades locais.
Quais são as características em comum entre as manifestações nos países?
Um dos principais traços em comum entre os movimentos é o efeito contágio. Em quase todos os protestos, as revoltas iniciais começaram a aparecer nas capitais, e rapidamente se espalharam para outras cidades e até para países vizinhos.
Todos ocupam massivamente o espaço público, marcado por uma escalada de violência com incêndios causados com coquetéis molotov, barricadas e ataques a prédios públicos.
Esse caos está fazendo com que os governos tenham uma queda brusca na popularidade, e partidos de oposição estão aproveitando a insatisfação popular para alimentar a polarização, com foco nas próximas eleições.
Como os governos têm reagido e o que eles dizem?
Devido à instabilidade causada pela onda de vandalismo nos protestos, os governos envolvidos mobilizaram os agentes de segurança para reprimir as manifestações, com uso de gás lacrimogêneo, projéteis de borracha e, em algumas situações, tomando medidas de emergência, como os toques de recolher franceses anunciados pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu.
No caso francês, o presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento à nação onde disse que "nada justifica a violência" nas marchas, indicando que não cederá à pressão nas ruas. Quem está aproveitando é o partido opositor de ultradireita Reunião Nacional, onde a candidata à Presidência Marine Le Pen usa o caos para propor a "lei e ordem".
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