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Wednesday, November 4, 2026

Cientistas descobrem evidências surpreendentes sobre a eficiência da cannabis no sono

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A cannabis medicinal pode não oferecer os benefícios esperados para pessoas com insônia. Uma revisão científica da Cochrane identificou evidências insuficientes de que o tratamento melhore a qualidade do sono, aumente a duração ou reduza os impactos da falta de descanso durante o dia.

A análise reuniu nove estudos clínicos com 537 adultos, entre 18 e 76 anos. Os resultados, publicados em outubro na Cochrane Database of Systematic Reviews, também apontaram uma maior ocorrência de efeitos colaterais leves, como tontura e boca seca.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados não comprovam que a cannabis medicinal seja ineficaz. A principal conclusão é que os estudos disponíveis ainda não permitem determinar com segurança seus benefícios para o tratamento da insônia.

O que o estudo descobriu sobre a cannabis e o sono?

Para investigar a eficácia do tratamento, pesquisadores da Universidade de Manitoba, no Canadá, e do Hospital Italiano de Buenos Aires, na Argentina, analisaram estudos envolvendo adultos com insônia.

A maioria dos participantes apresentava insônia primária, condição em que as dificuldades para dormir não são atribuídas a outra doença.

Dos nove estudos avaliados, oito compararam produtos regulamentados de cannabis medicinal com placebo, substância sem efeito terapêutico utilizada para avaliar os resultados de um tratamento. O estudo restante comparou a cannabis com a amitriptilina, antidepressivo também utilizado em alguns casos de problemas de sono.

Na comparação com placebo, os pesquisadores encontraram pouca ou nenhuma melhora clinicamente relevante na qualidade do sono, na satisfação com o descanso, no total de horas dormidas e no funcionamento durante o dia.

Segundo Lucia Varela, autora principal da revisão e pesquisadora da Universidade de Manitoba, as evidências atuais não são suficientes para estabelecer se a cannabis medicinal funciona como tratamento para a insônia. A pesquisadora ressalta que essa incerteza não significa ausência de eficácia, mas falta de dados confiáveis para determinar os possíveis benefícios.

Efeitos colaterais da cannabis medicinal

Além de investigar os benefícios para o sono, os pesquisadores avaliaram os possíveis efeitos adversos do tratamento.

Os participantes que receberam cannabis medicinal apresentaram maior probabilidade de relatar tontura e boca seca em comparação com aqueles que utilizaram placebo. Entretanto, essa conclusão foi baseada em um número relativamente pequeno de estudos, o que limita sua confiabilidade.

A revisão também identificou indícios de possíveis benefícios para a qualidade de vida. Nesse caso, porém, os resultados foram considerados muito incertos, com estimativas que variaram de uma pequena piora a uma melhora significativa.

Por isso, os pesquisadores não conseguiram estabelecer se o tratamento proporciona benefícios consistentes além dos efeitos sobre o sono.

Por que ainda faltam evidências sobre cannabis e insônia?

Uma das principais limitações identificadas foi a baixa qualidade das evidências disponíveis. Os pesquisadores classificaram sua confiança nos resultados como baixa ou muito baixa, devido ao número reduzido de participantes, às diferenças entre os estudos e ao risco de viés.

Outro problema foi a variedade de produtos utilizados nos ensaios clínicos. As pesquisas avaliaram diferentes formulações de cannabis medicinal, dificultando a comparação dos resultados e a identificação de possíveis diferenças de eficácia.

Além disso, os estudos tiveram duração relativamente curta. O acompanhamento mais longo foi de apenas 12 semanas. Esse período não permitiu determinar se os possíveis benefícios seriam mantidos ao longo do tempo ou se o uso prolongado poderia provocar outros efeitos.

Estudos ainda não representam todos os pacientes com insônia

A composição dos grupos analisados também limita a aplicação dos resultados à população em geral. As mulheres representaram 72,66% dos participantes, enquanto a maioria dos estudos se concentrou em adultos mais jovens.

Dessa forma, ainda não está claro se os resultados seriam semelhantes entre homens, idosos ou pessoas cuja insônia está associada a outras condições médicas.

Segundo os autores, são necessários ensaios clínicos maiores, mais rigorosos e com acompanhamento prolongado para avaliar a eficácia e a segurança da cannabis medicinal.

Para Luis Garegnani, autor sênior da revisão e pesquisador do Hospital Universitário Italiano de Buenos Aires, as evidências atuais não permitem recomendar ou descartar definitivamente o tratamento.

O especialista destaca que médicos e pacientes devem considerar essa incerteza e avaliar as circunstâncias individuais enquanto novos estudos não oferecem resultados mais consistentes.

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