Rankings 9.º ano. Menos escolas subiram a média

De notar que até ao ano anterior era preciso esperar pelo 74.º lugar para se encontrar uma escola pública regular. Ocupava-o, nessa altura, a Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim (em 2025 desceu para 120.º). No novo ranking, basta descer até à 43.ª posição. “É um bom sinal”, descreve Rodrigo Queiroz e Melo. Explica que o mais importante é olhar para o caso concreto de cada escola e que estes rankings funcionam como “um instrumento de gestão muito importante” para as escolas perceberem a sua evolução. “[É essencial] para que uma escola que, por exemplo, subiu imenso a Matemática possa ter uma conversa com o grupo da Matemática e dizer: “Olhem, parabéns, estão a trabalhar bem”. E o inverso também, ir ter com o grupo da Matemática e dizer: “O que é que se está a passar?”, diz.
Também é possível olhar para as cinco piores escolas classificadas no ranking, todas públicas, como noutros anos. Há duas repetentes: a Escola Básica Pintor Almada Negreiros, em Lisboa; e a Escola Básica da Trafaria, em Almada. Apesar de continuarem no fim da lista, foram as únicas das cinco no fundo da tabela a melhorar a média em 2025. Subiram, respetivamente, 5,13 e 6,34 pontos percentuais, sendo que no primeiro caso aumentou o número de exames realizados e no segundo baixou. Contudo, as médias mantêm-se negativas.
Ao contrário de 2024, nem todas as piores classificadas são da Área Metropolitana de Lisboa. Há uma do Porto — a Escola Básica e Secundária de Miragaia — e outra de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança — a Escola Básica Guerra Junqueiro.
Em último lugar na lista — o 1.181.º — surge a Escola Básica do Miradouro de Alfazina, Monte de Caparica, em Almada, com uma média de 1,96 (desceu quase 4 pontos percentuais). Estava anteriormente em 1.168.º, tendo de 2024 para 2025 realizado apenas menos um exame. De notar que é uma subida face à pior média registada em 2024 (1,75).
Anteriormente, estavam nas últimas posições a Escola Básica Maria Keil, em Loures (1.165.º lugar em 2025); a Escola Básica do Alto do Lumiar (1.166.º); e a Escola Básica do Bairro Padre Cruz (1.170.º).
No total, 53,6% das escolas subiram a sua média geral. Ao analisar apenas os estabelecimentos privados, o mesmo aconteceu com 58 das 171 escolas (33,9%). Já 575 escolas das 1.010 públicas (56,9%) subiram a média.
Menos escolas com média superior a 4. Três escolas onde a média mais subiu são públicas
Nos rankings de 2025 apenas 12 escolas, todas privadas, alcançaram uma média igual ou superior a 4, quando no ano anterior eram 33. Cinco conseguiram subir a nota geral: o Externato As Descobertas (Lisboa); o Colégio Didálvi (Barcelos); o Colégio de Nossa Senhora da Conceição (Guimarães); o Externato das Escravas Sagrado Coração de Jesus (Porto); e o Colégio Santo André (Mafra). As outras sete escolas com médias iguais ou superiores a 4 desceram face aos resultados de 2024.
A Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, é a que das instituições públicas tem a média mais elevada, sem ainda chegar aos 4 valores (3,85).
No sentido inverso, apenas duas escolas — a Escola Básica do Miradouro de Alfazina, em Almada, e a Escola Básica e Secundária de Miragaia, no Porto — tiveram uma nota inferior a 1,99 valores.
Nos últimos anos, a tendência tem sido de diminuição: em 2023 eram 20 escolas, e em 2024 eram 14. Em 2025, em 98,8% das escolas (1.167), a média situa-se entre os 2 e os 3,99 valores, uma subida face aos 96% de 2024.
Olhando agora para a média geral, verifica-se um aumento em 633 escolas, ou seja, em mais de metade das instituições. Em 2024, tinham sido 846, sendo que nesse ano tinham sido analisadas mais sete escolas. “A diminuição do número de escolas que melhoram as médias constitui um sinal de alerta”, considera o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Filinto Lima alerta, contudo, contra uma visão “simplista” dos rankings. Considera que a pergunta decisiva não é apenas quantas escolas pioraram: “É esta: estamos a conseguir garantir que todos os alunos chegam ao final do 9.º ano com as competências essenciais para prosseguir os estudos com sucesso?”
As três primeiras escolas onde a média mais subiu são públicas: a Escola Básica Sá Couto, em Espinho (23,26 pontos percentuais); a Escola Básica do Couço, em Coruche (21,20 pontos percentuais); e a Escola Básica Dr. Abranches Ferrão, em Seia (15,60 pontos percentuais). “Isso é ótimo”, sublinha Rodrigo Queiroz e Melo. A explicação tanto pode ser uma mudança de professor que surtiu melhor efeito ou uma medida implementada nesse ano letivo ou em anteriores e que permitiu aos alunos criar boas bases. É por isso que os rankings são um instrumento essencial, defende: “Mesmo que para o público em geral os resultados não variem muito, para as escolas os resultados dão ótimas indicações de gestão pedagógica”.
As três escolas mencionadas têm mais de 75% de professores nos quadros: a Sá Couto conta com 84,6% dos docentes nesta condição. É preciso olhar para a sexta posição para encontrar a instituição privada, o Colégio Didálvi, com a maior subida de média: 14,41 pontos percentuais.
Passando aos dados relativos aos exames de Português, 660 escolas desceram a média nesta disciplina (55,88% das instituições de ensino). Quanto às provas de Matemática, a média desceu em 502 escolas (42,51% das instituições de ensino). Em 2024, 782 tinham descido a Português e 151 a Matemática.
A escola com a maior quebra na média das provas finais a Português foi a Escola Básica Guerra Junqueiro, em Freixo de Espada à Cinta (-20,38 pontos percentuais), e a que mais subiu foi a Escola Básica Sá Couto, em Espinho (13,76 pontos percentuais).
Quanto à Matemática, a escola que mais desceu a média foi o colégio privado Bernardette de Jesus Romeira, em Olhão (-32,20 pontos percentuais), e a que mais subiu foi novamente a Escola Básica Sá Couto (32,59 pontos percentuais).
Equidade. Primeiro lugar é de colégio em Leiria que baixou média em 2025
Também são disponibilizados dados sobre as escolas onde se verificou um melhor desempenho escolar dos alunos mais carenciados. O ranking de equidade, que o Observador analisou em parceria com a Nova SBE, é baseado no indicador do InfoEscolas (2023/24) e vários dados de contexto, que só existem para as escolas públicas do continente. Os privados no ranking de equidade, que têm contratos de associação com o Ministério da Educação, não disponibilizam dados sobre a percentagem de alunos com Apoio Social Escolar (ASE). Está disponível, no entanto, a percentagem de alunos com ASE que concluíram o curso nos três anos previstos, pelo que os colégios são também contabilizados para a lista.
Em primeiro lugar da lista está precisamente uma escola privada, seguida por duas públicas. Trata-se do Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, em Leiria (968.º lugar do ranking global), seguido da Escola Básica de Lousada Este, em Lousada (598.º), e da Escola Secundária Frei Rosa Viterbo, em Sátão (217.º).
Olhando para as questões de equidade: 94,74% dos alunos com Ação Social Escolar (ASE), ou seja, apoiados pelo Estado, deste colégio que tem contrato de associação com o Ministério da Educação completaram o 3.º ciclo de ensino básico em três anos. Em 2024, a instituição não entregou os dados necessários para que figurasse no ranking da equidade. Este ano enviou dados, mas não indicou o número de alunos com ASE. Serão pelo menos 15, já que esse é o valor mínimo para que uma instituição seja considerada no ranking de equidade.
Em 2025, a taxa de retenções desta escola fixou-se nos 9% (acima da média entre as escolas que figuram neste ranking, de 7,44%) e no geral, as notas dos exames fixaram-se nos 48,23% (ou seja, 2,56 valores). Das três escolas, só o colégio baixou a média face a 2024, ainda que menos do que um ponto percentual.
No top 3 segue-se, pelo segundo ano consecutivo, a E.B. de Lousada Este. Nesta escola, 35,2% dos alunos têm ASE, uma diminuição de 9,2 pontos percentuais face ao ano anterior. A média geral é de 54,05% (2,81 valores), ou seja, abaixo da média nacional (55,1%). Verifica-se uma taxa de 0% de retenções, o que acontece em outras 27o escolas, incluindo a que fecha o top 3 da lista de equidade. Tanto na escola de Lousada Este como no estabelecimento escolar que se segue, 100% dos alunos com ASE concluíram o terceiro ciclo no tempo previsto.
Em terceiro lugar está, então, a Escola Secundária Frei Rosa Viterbo — na 217.ª posição do ranking global. Tem uma média geral de 61% (3,12 valores), ficando assim acima da média nacional.
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