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Wednesday, November 4, 2026

Livre, BE e PAN lamentam falta de autocrítica de Montenegro

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Livre, BE e PAN lamentaram esta terça-feira que o primeiro-ministro não tenha feito autocrítica nem pedido desculpa pelas cargas policiais aos manifestantes pela habitação, enquanto o PCP alertou para o risco de um “diálogo vazio” nesta matéria.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, após a comunicação ao país do primeiro-ministro, a porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes lamentou que Luís Montenegro não tenha anunciado um recuo nas alterações à lei do arrendamento ou pedido desculpa aos manifestantes pela atuação da polícia nos protestos das últimas semanas.

“Nenhuma destas duas coisas Luís Montenegro disse ao país e, portanto, isso deixa-nos muito pouco tranquilos em relação ao direito à habitação e à maneira como as manifestações vão continuar a ser encaradas por parte do Governo”, alertou.

Sobre o facto de o chefe do executivo ter anunciado que vai reunir-se com os líderes do Chega e PS, e marcar encontros com os restantes partidos através de ministros, a porta-voz do Livre lamentou esta opção.

“Volta a diferenciar partidos na Assembleia da República quando o que é preciso é um largo consenso e encontrarmos uma base comum. E isso faz-se com o espetro do parlamento e não apenas com dois partidos da oposição”, criticou.

Pelo PCP, o dirigente Bruno Dias acusou o primeiro-ministro de “escamotear responsabilidades” e de querer “impor uma política de repressão e violência” para “desviar as atenções e abrir caminho ao ataque ao direito à manifestação”.

Interrogado sobre a abertura de Montenegro para debater propostas com as restantes forças políticas, o ex-deputado do PCP considerou que “o problema é que o diálogo que se estabelece entre a especulação e o direito à habitação é um diálogo vazio”.

“Se a abertura para o diálogo fosse genuína, as políticas que nos trouxeram aqui não estariam a ser agravadas como estão. Se nós tivéssemos uma abertura ao diálogo que fosse genuína, nós não teríamos a repressão e a violência e os feridos e as pessoas detidas como resposta do governo à exigência das pessoas por outra política. E, portanto, o diálogo e o consenso entre a especulação e o direito à habitação é uma fantasia que não vai seguramente durar muito tempo”, defendeu.

O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, considerou que se “aguardava esta terça-feira um primeiro-ministro humilde, que tivesse percebido a mensagem que milhares de portugueses lhe foram passando ao longo das últimas semanas”.

“Uma mensagem de que era preciso inverter o rumo das políticas do Governo em matéria de habitação, mas nada disto aconteceu, nem acontecerá em negociações do Bloco Central ou com a extrema-direita”, advogou.

O deputado do BE desafiou o primeiro-ministro a colocar de lado “a arrogância com que se enche e se fecha no seu palácio e ouvir as portuguesas e os portugueses”.

“Esta terça-feira, devíamos ter ouvido o primeiro-ministro a dizer que retirava a lei dos despejos. E devia ter pedido desculpa por ter mandado bater nos jovens que pacificamente protestaram no Porto e em Lisboa. A única importação de violência que existiu em Portugal foi do primeiro-ministro quando decidiu reprimir, à margem da lei, do Estado de Direito e das regras da democracia”, declarou.

Perante os jornalistas, a deputada do PAN, Inês de Sousa Real, considerou incompreensível que o primeiro-ministro convide para dialogar sobre habitação “as forças políticas que tanto critica”, o Chega e o PS.

“O Chega foi quem viabilizou a lei das rendas, conjuntamente com PSD e o CDS, sendo também responsável por empurrar a população para as manifestações. Por outro lado, convidou o PS, partido que o primeiro-ministro se refugia para dizer que é o grande responsável pela crise pela habitação. Uma coisa é certa, o primeiro-ministro tem que se habituar e saber reconhecer que o povo português quis um parlamento plural”, contrapôs.

A porta-voz do PAN saudou o Presidente da República, António José Seguro, por ter conseguido fazer com que Luís Montenegro quebra-se o seu silêncio.

“Luís Montenegro estava encurralado pela vontade popular e por uma decisão do tribunal. É lamentável não ter uma palavra de desculpa aos manifestantes e de disponibilidade para o diálogo”, acrescentou.

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