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Wednesday, September 30, 2026

Saneamento, saúde e troca de acusações: o que marcou o debate da TV Liberal no Pará

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O debate entre Dr. Daniel Santos (Podemos), Hana Ghassan (MDB) e Araceli Lemos (PSOL) foi marcado por discussões sobre saneamento, saúde pública, segurança, meio ambiente, infraestrutura e cultura. A concessão da Águas do Pará esteve entre os principais pontos de confronto, com posições diferentes sobre a manutenção ou cancelamento do contrato. Os candidatos também trocaram acusações relacionadas a investigações, aliados políticos e gestão de recursos públicos.

Belém, do Pará — debate entre os candidatos ao Governo do Pará realizado nesta terça-feira, 29, pela TV Liberal, afiliada da Rede Globo, foi marcado pela discussão sobre propostas para áreas como saúde, saneamento, segurança pública, infraestrutura, meio ambiente e cultura, além de confrontos diretos entre Dr. Daniel Santos (Podemos), Hana Ghassan (MDB) e Araceli Lemos (PSOL).

A concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário à Águas do Pará foi um dos principais pontos de divergência entre os candidatos durante o encontro.

Ao longo dos três primeiros blocos, os candidatos alternaram a apresentação de propostas com acusações relacionadas a investigações, fornecedores, aliados políticos, segurança pública e utilização de recursos públicos. Os principais embates ocorreram entre Daniel e Hana, enquanto Araceli concentrou suas críticas em modelos de gestão pública, privatizações e políticas ambientais.

A discussão sobre saneamento começou ainda no primeiro bloco, quando Daniel questionou Hana sobre a concessão da Águas do Pará. A governadora em exercício defendeu a manutenção do contrato, mas afirmou que o governo deve fiscalizar o cumprimento das obrigações previstas.

“Não tenho compromisso nenhum com qualquer empresa e o que precisar ser feito eu farei. E caso a empresa não forneça água nos poços, vou cassar o contrato. Estou efetivamente cobrando e fiscalizando esse contrato”, afirmou Hana.

A candidata também disse que determinou a suspensão de cobranças relacionadas a poços e que não deve haver faturamento sem a efetiva prestação do serviço. Hana, porém, não defendeu a reversão da concessão como política geral para o setor.

Concessão da Águas do Pará divide candidatos

Daniel contestou a justificativa de que uma legislação federal teria levado o Estado a conceder os serviços à iniciativa privada. Segundo o candidato, a norma estabeleceu metas de universalização do saneamento, mas não obrigava a transferência da operação.

“A lei federal que vocês falam obriga a cumprir metas e não obrigava a fazer a concessão da Cosanpa. E uma dessas metas era levar água de qualidade a 99% das famílias paraenses”, afirmou.

O candidato disse que, caso seja eleito, pretende cancelar o contrato e direcionar recursos para ampliar a oferta de serviços públicos. “Vou cassar o contrato e vou, ao invés de investir 1 bilhão que vocês investiram em propaganda, eu vou investir para fazer a água chegar na sua torneira”, declarou.

Araceli criticou o modelo de privatizações e concessões adotado no Pará e citou a antiga Celpa, atualmente Equatorial, a Cosanpa e rodovias concedidas como exemplos.

“O Pará já assistiu à privatização da Celpa, hoje Equatorial. O Pará já assistiu à privatização da Cosanpa, o Pará assistiu à privatização da estrada”, afirmou.

A concessão da Águas do Pará foi formalizada em julho de 2025 entre o Governo do Pará e a Aegea, com prazo de 40 anos e previsão de mais de R$ 15,2 bilhões em investimentos ao longo do contrato.

Saúde pública e fila do SUS

A saúde pública também esteve entre os temas mais debatidos. Daniel criticou o modelo de regulação de pacientes do SUS e afirmou que pretende ampliar a oferta de atendimento próximo às comunidades.

O candidato acusou o governo estadual de utilizar politicamente a regulação dos pacientes. “No fundo, Hana, o governo de vocês, através do controle político da regulação, vocês decidiam quem morria e quem vivia nesse estado”, afirmou.

Hana apresentou como proposta a criação de uma ferramenta de transparência para que pacientes possam acompanhar a posição na fila e saber onde serão atendidos. Segundo ela, o projeto foi encaminhado à Assembleia Legislativa durante o período em que está à frente do governo.

Araceli também colocou a regulação do SUS entre suas prioridades e criticou a existência de uma fila de pacientes aguardando atendimento. A candidata defendeu que o sistema siga critérios de universalidade, equidade e transparência.

Acusações e confrontos entre Daniel e Hana

Além das propostas, o debate teve momentos de confronto direto entre Daniel e Hana. A segurança pública foi um dos temas utilizados para troca de acusações.

Hana questionou Daniel sobre um vídeo em que ele aparece ao lado de um homem identificado por ela como um traficante conhecido como “Gordo do Aurá”. A candidata também mencionou uma suposta homenagem feita ao homem durante a gestão de Daniel em Ananindeua.

“Tem um vídeo seu, ao lado de um traficante e homicida conhecido como Gordo do Aurá. Por que o senhor, neste vídeo, faz menção de que ele é da sua família e honra a sua amizade?”, disse.

Daniel afirmou que a candidata estava utilizando o debate para atacá-lo e respondeu que o homem citado também teria apoiado o grupo político ao qual Hana pertence atualmente.

Na sequência, a atual governadora voltou ao assunto e mencionou uma praça supostamente batizada em homenagem ao homem. Daniel não reconheceu as acusações como procedentes.

Outro confronto ocorreu quando a incumbente questionou Daniel sobre acusações relacionadas à compra de um imóvel no Ceará. A candidata afirmou que o Ministério Público do Estado do Pará teria apontado suspeitas envolvendo a aquisição.

Daniel negou irregularidades e afirmou que seus bens foram adquiridos legalmente e declarados no Imposto de Renda.

“Tudo que eu tenho, eu trabalhei muito. Sou médico, sou empresário, sou produtor rural. Trabalhei muito, estudei muito para ter tudo que tenho, comprei tudo dentro da lei e venho esclarecendo essa farsa que vocês têm criado”, respondeu.

Acusações sobre dinheiro e compra de votos

Na tréplica, Daniel deslocou novamente o foco para o grupo político de Hana e mencionou uma investigação envolvendo aliados da candidata. Ele afirmou que pessoas ligadas ao grupo teriam sido presas com dinheiro em espécie às vésperas da eleição.

“Nos últimos dias não foram meus aliados políticos, os Coelhos, os Doidos, presos e com R$ 5 milhões andando nas ruas de Belém. Logo após a Secretaria de Educação ter feito um pagamento, eles sacaram. Após a Secretaria de Obras ter feito um pagamento, eles sacaram”, afirmou.

O candidato associou o episódio a uma suposta tentativa de compra de votos. “O que eles faziam com R$ 5 milhões andando? Com certeza comprar para voto com dinheiro público”, declarou.

A atual governadora negou qualquer irregularidade.

Segurança, meio ambiente e infraestrutura

Na segurança pública, Araceli defendeu uma política que combine policiamento com ações em educação, saúde e proteção às mulheres. A candidata propôs aumento do efetivo policial, uso de câmeras nos uniformes e ampliação das delegacias especializadas.

“Não é possível discutir segurança pública apenas por uma camada. Eu trago para fazer o debate sobre segurança pública, debater educação, é debater saúde e também a questão do feminicídio no Pará”, afirmou.

Na área ambiental, Araceli defendeu um modelo de desenvolvimento econômico associado à preservação da floresta. Daniel destacou a regularização fundiária e a segurança jurídica para produtores rurais, enquanto Hana afirmou que pretende ampliar a fiscalização ambiental e a emissão de títulos de terra.

Sobre infraestrutura, Daniel e Araceli defenderam o fim dos pedágios nas rodovias estaduais. Daniel afirmou que pretende acabar com as cobranças e criticou as condições das estradas. Araceli também afirmou que não haverá cobrança de pedágio em seu governo.

Cultura, regularização fundiária e propostas finais

A cultura entrou no debate a partir de questionamentos sobre a Lei Semear, programa estadual de incentivo ao setor. Araceli criticou o modelo atual e defendeu aumento da participação pública no financiamento cultural.

“O valor aplicado para a cultura é uma vergonha, 0,3% do orçamento. Isso não é um valor digno”, afirmou.

Hana concordou com a necessidade de ampliar investimentos na área e disse que pretende fortalecer políticas culturais também nos municípios do interior.

No fim, os embates do debate ocorreram em meio a uma disputa equilibrada no Pará. Segundo o agregador Inteligov/EXAME, Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel Santos (Podemos) aparecem próximos na corrida eleitoral pelo governo do estado.

Perguntas frequentes

Quais candidatos participaram do debate no Pará? +

Participaram do debate Dr. Daniel Santos (Podemos), Hana Ghassan (MDB) e Araceli Lemos (PSOL).

Qual foi o principal tema de confronto no debate? +

A concessão dos serviços de água e esgoto à Águas do Pará foi um dos principais pontos de divergência entre os candidatos.

O que Hana Ghassan defendeu sobre a concessão? +

Hana defendeu a manutenção do contrato, mas afirmou que o governo deve fiscalizar a empresa e cobrar o cumprimento das obrigações.

O que Daniel Santos propôs para o saneamento? +

Daniel afirmou que pretende cancelar a concessão da Águas do Pará caso seja eleito.

Quais outros temas foram discutidos no debate? +

Os candidatos também discutiram saúde pública, segurança, meio ambiente, infraestrutura, pedágios, cultura e regularização fundiária.

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