Lula errou em 2023
Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração.
Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.
O PT desperdiçou a oportunidade de governar com uma coligação mais inteligente e criativa do que a pobre polarização em que se caiu.
Faltando dez dias para o primeiro turno, ele acordou. O eleitor também acordou. Se não é ele, é Bolsonaro. O antipetismo que elegeu o ex-capitão em 2018 encolheu em 2026, até porque surgiram fatos que alimentam um antibolsonarismo. No início de outubro de 2018, Bolsonaro tinha 32% das preferências, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad tinha 21%. Aquele Brasil bolsonarista desmanchou-se, mas não acabou.
Lula vive um paradoxo, é o candidato que vai melhor nas pesquisas, mas seu governo é mal avaliado por 40% contra e 34% a favor, segundo o último Datafolha.
Lula revelou um certo cansaço com a campanha. Não era fadiga física, era cansaço do modo campanha. Um sinal desse cansaço é o bordão desafiador: "É esse país que vocês querem?". O eleitor sabe que é ele quem manda, não é preciso ser desafiado.
De certa maneira, Lula foi capturado pela polarização bolsonarista. Podendo ampliar sua base, estreitou-a ou engordou-a, recorrendo ao centrão.
Faltou criatividade ao petismo, mas ele teve a sorte de ganhar um adversário incapaz de formular uma ideia nova ou de buscar um novo aliado.
Tarcísio no 1º turno
Uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno pode atrapalhar a vida de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sobretudo se, no dia 25 de outubro, der praia.
A carta das apostas
As casas de apostas que compraram outorgas ao governo por R$ 2,5 bilhões vão brigar na Justiça para recuperar a franquia ou receber o dinheiro de volta.
Os deuses do jogo maltrataram as casas de apostas. Jogaram no colo da justiça a proteção às casas de tavolagem.
Era tudo o que a magistratura não precisava.
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