Eleições no Inter: o que disse o candidato à presidência Leonardo Aquino sobre futebol, finanças, gestão e SAF

Foram abordados temas relevantes para o clube como futebol (masculino e feminino), categorias de base, finanças, gestão, governança, infraestrutura e SAF, entre outros.
Leonardo Aquino, candidato à presidência do Inter — Foto: Jonathan Heckler/Grupo RBS
Participaram da entrevista os comunicadores Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio.
O primeiro turno da votação, no Conselho Deliberativo, está marcado para o dia 9 de novembro. Em caso de necessidade, a eleição no pátio, com participação dos sócios, será em 12 de dezembro.
Confira as respostas de Leonardo Aquino por tema
Finanças

Eleições do Inter: Leonardo Aquino responde sobre finanças
O Inter tem uma dívida de um bilhão de reais. Um valor a curto prazo que é preocupante. O senhor tem a solução, a fórmula para resolver ou pelo menos melhorar a situação financeira do Inter?
– A situação financeira do clube é gravíssima e não será resolvida da noite para o dia; exige nova gestão e ataque em várias frentes. Como a dívida de curto prazo é alta, o que gera atrasos em salários e direitos de imagem, precisamos aliviá-la. Uma medida é buscar recursos com fundos de investimento. O fundo não aporta dinheiro para contratar dois jogadores e agravar o problema; ele exige regras de governança para garantir a quitação de passivos, oferecendo juros atrativos e prazos alongados. Outra ação, em parceria com uma instituição financeira, é desenhar um produto (como um título de capitalização) para investidores e torcedores. O valor retido libera crédito ao clube para pagar passivos. Esse recurso alivia o caixa e zera o "esgoelamento", sem ser usado no futebol. No futebol, a política focará em atletas com potencial de revenda, a exemplo do Brighton e do Ajax. Com pés no chão e reestruturação, é possível renegociar prazos e montar um time competitivo com menos recursos.
Que política de contratações é possível fazer? Com finanças tão estranguladas como estas que foram apresentadas a você e aos candidatos de modo geral?
– Sempre busco manter minha credibilidade. Não faremos investimentos altos em atletas com idade mais avançada, pois a tendência é não haver retorno financeiro. Contrataremos um diretor de inteligência esportiva para cuidar do mercado e de negociações. Trata-se de um profissional experiente em tirar clubes de situações falimentares para a disputa de títulos em médio prazo. O acordo já está firmado e seu nome será anunciado no segundo turno, sem criar atrito no ambiente atual. Ele atuará no departamento de futebol ao lado de um diretor técnico, responsável por validar comissão técnica e transição da base (papel similar ao exercido por Abel Braga), e de um diretor de futebol, focado na gestão operacional e diária. O diretor de inteligência esportiva cuidará de janelas e de vendas estratégicas, fundamentais para a saúde financeira. Fiscalizado pela ANRESF devido a acordos na CNRD, o clube não poderá gastar no mercado mais do que arrecadar com vendas.
Sobre um fundo no valor de 200 milhões. Houve uma discussão no Inter de algo parecido. Os fundos também exigem garantias. Até o Beira Rio foi citado como garantia. Como aprovar esse fundo? E 200 milhões são suficientes?
– Sempre fui favorável à captação de recursos com garantias para aliviar o caixa, como no modelo das debêntures. O problema daquele projeto específico eram as incertezas: não sabíamos a taxa de juros da operação e havia a exigência de alienação fiduciária do Beira-Rio — nosso maior patrimônio. Dar o estádio como garantia num cenário de inadimplência, transferindo a propriedade ao credor, só seria cogitável se a dívida do clube fosse completamente zerada, e ainda assim com ressalvas. Além disso, não havia obrigatoriedade formal sobre a destinação da verba. Um exemplo foi o aporte da Liga Forte: questionou-se onde o dinheiro foi aplicado porque, em vez de abater passivos, viu-se a contratação de atletas caros para disputar títulos. O time quase ganhou a Libertadores, mas a consequência foi um colapso financeiro nos anos seguintes, com salários atrasados e lutas contra o rebaixamento.
Onde vai cortar gastos e que receitas novas tu pode trazer para o Inter?
– É preciso ter responsabilidade em todas as áreas. O custo de operação do futebol profissional é o que menos deve sofrer cortes para não comprometer a competitividade do time. Porém, não faremos compras elevadas de atletas. Na base, nos comprometemos a destinar 10% do orçamento — proposta do nosso movimento que amplia o patamar mínimo anterior de 4%. Trata-se de um investimento com retorno garantido, inclusive focado na captação de atletas sub-17 e sub-20. Preferimos investir no desenvolvimento e na chegada de jovens a gastar grandes somas com jogadores veteranos. Nas demais áreas do clube, o corte de despesas deve ser rigoroso. Como me disse o Eduardo Bandeira de Mello, é preciso ter coragem para "cortar na carne" e reequilibrar as contas, sem excessos em nenhuma pasta.
Gestão e Governança

Eleições do Inter: Leonardo Aquino responde sobre gestão e governança
A prioridade realmente será buscar jogadores com perfil jovem, com potencial de crescimento e de revenda no futuro?
– Almejamos que o Internacional volte a ter capacidade para grandes investimentos no futuro, mas no momento atual isso é inviável. A prioridade é adquirir atletas que gerem lucro em futuras vendas. Para evitar uma equipe exclusivamente inexperiente, que possa sentir a pressão em jogos decisivos e clássicos, faremos uma mescla com atletas mais rodados. No entanto, esses jogadores veteranos — acima dos 30 anos, dos quais não se espera valorização financeira, devem vir por oportunidades de ocasião, como empréstimos ou em fim de contrato. Gastar 5 milhões de dólares em um atleta de 32 anos no atual cenário financeiro do clube seria um ato irresponsável.
Quais vão ser os papéis dos dirigentes abnegados, como o presidente, que é um advogado, que acompanha futebol e tudo, mas não tem o nível de profissionalismo de quem vai ser contratado.
– Nosso plano de gestão foi estruturado tecnicamente antes da definição dos nomes. Os profissionais precisam conhecer o plano e se adequar a ele, como no caso do Abel Braga, a quem estimamos muito, mas cuja permanência depende do encaixe na nova estrutura. Os dirigentes políticos e vices atuam como o "olho do clube", cobrando metas do executivo profissional. Como o presidente e o conselho de gestão não conseguem acompanhar tudo em tempo integral, a presença dos diretores específicos em cada categoria e setor garante o alinhamento diário.
Futebol Masculino e Base

Eleições do Inter: Leonardo Aquino responde sobre futebol masculino e de base
Caso o Inter caia, a redução de custos vai ter que ser ainda maior, principalmente um time que já tem muitos problemas. Você citou que quer investir em jogadores de 17 a 20 anos, como que o Inter vai ser mais atrativo que clubes como Flamengo e Palmeiras, por exemplo?
– O Internacional tem condições de ser mais atrativo para jovens de 17 a 20 anos do que clubes como Flamengo e Palmeiras porque oferece perspectiva real de aproveitamento no time principal. Enquanto em elencos muito abastados o espaço para a base é reduzido, nossa proposta é dar rodagem a esses atletas no time de cima. O futebol moderno exige intensidade, e a combinação de juventude com peças experientes é o caminho ideal para manter o clube competitivo no cenário atual.
O Inter não tem conseguido produzir grandes jogadores, a base tem sofrido muito. Como que vai fazer para o Inter voltar a produzir jogadores que tragam muito dinheiro para o clube?
– Reorganizaremos a base priorizando as instalações do Parque Gigante e o CT de Guaíba para aproximar as categorias jovens do time profissional. As categorias serão divididas em três nuvens: Iniciação (sub-8 ao sub-13), focada na ludicidade e na permanência da criança; Formação (sub-13 ao sub-16), com uso do futsal para o desenvolvimento técnico e acompanhamento da maturação física; e Transição. A maturação tardia frequentemente faz o clube perder talentos nascidos no fim do ano. A base não deve servir apenas para revelar "extraclasses" raros, mas para rechear o elenco profissional de forma competitiva, evitando a contratação de atletas custosos que comprometa o desempenho do time.
Futebol Feminino

Eleições do Inter: Leonardo Aquino responde sobre futebol feminino
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