Protestos? Eu chamo-lhe vandalismo

Muitas vezes me perguntam o que é o conservadorismo. Os episódios de violência que têm acompanhado os protestos escolares em França ajudam a explicar a minha resposta: o conservadorismo começa por reconhecer que não podemos melhorar uma sociedade destruindo as instituições de que ela depende.
Os alunos franceses apresentam reivindicações que merecem ser ouvidas: melhores instalações, mais escolas, mais professores e condições dignas de aprendizagem. Defender a escola é uma causa legítima, eu que o diga. Mas uma causa legítima não justifica todos os meios usados em seu nome.
As notícias de escolas vandalizadas, incêndios, ataques com engenhos pirotécnicos, violência a civis e ao corpo de segurança mostram uma contradição difícil de ignorar: exigir melhores condições de ensino enquanto se danificam os espaços onde esse ensino deve acontecer é no mínimo irônico e no máximo incriminatório. Cada instalação destruída precisa de ser reparada. Cada interrupção prolongada custa na aprendizagem. Cada pessoa atacada é uma vida que se fere. A destruição consome precisamente os recursos cuja escassez se denuncia e afeta toda uma sociedade já fragilizada.
É aqui que a perspetiva conservadora faz falta.
O conservadorismo defende a preservação das instituições, dos costumes e dos valores que sustentam a vida em comunidade. Não exige imobilismo. Exige prudência, responsabilidade e respeito pelo que foi construído antes de nós. Uma escola pode precisar de reformas profundas sem deixar de merecer proteção.
Do outro lado temos a esquerda radical onde a crítica recai sobre a sua filosofia base: demasiadas vezes, a transformação do “coletivo” aparece como resposta para tudo, enquanto a responsabilidade individual fica em segundo plano. Fala-se em mudar o sistema inteiro, mas pouco se exige sobre aquilo que cada um deve fazer para melhorar a comunidade a que pertence.
A direita que defendo deve começar por essa exigência. Melhorar a própria vida, cuidar da família, cumprir compromissos, trabalhar bem e criar uma empresa são formas concretas de contribuir para o bem comum. Não esgotam a participação política, mas dão-lhe fundamento. A responsabilidade individual e a preocupação coletiva podem reforçar-se mutuamente, mas sem eu saber cuidar das minhas quatro paredes não saberei cuidar do mundo.
O direito à manifestação deve ser protegido. Os atos de violência devem ser responsabilizados. Distinguir ambos é essencial para que haja justiça e quem protesta pacificamente não fique refém de quem procura o confronto.
Por fim, há uma diferença entre mobilizar uma rua e receber um mandato para governar. Numa democracia, o voto continua a ser o instrumento decisivo para transformar uma vontade de mudança em poder legítimo. Muitos destes alunos ainda não podem votar, mas podem participar, organizar-se e apresentar propostas. Nenhuma dessas formas de intervenção precisa da violência para ter valor. A dimensão de um protesto não permite concluir, por si só, que representa a maioria do país.
O conservadorismo que defendo pede essa disciplina. Ouvir as reivindicações, reformar o que falha, proteger aquilo de que todos dependemos e respeitar todos os que nos rodeiam.
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