Como Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao fim das campanhas nas redes sociais
RESUMO +
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à votação deste domingo, 25, com desempenhos distintos nas redes sociais: o presidente ampliou o engajamento no Instagram, enquanto o senador manteve ligeira vantagem nas menções de influenciadores. Segundo a plataforma de análise de dados e marketing de influência HypeAuditor, Lula somou 136,5 milhões de interações após o primeiro turno, ante 39,4 milhões de Flávio.
Um balanço do desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais mostra como os candidatos chegam ao dia da votação, neste domingo, 25, com movimentos distintos de engajamento e mobilização de influenciadores. Desde o primeiro turno, Lula ampliou o engajamento em seu perfil oficial no Instagram, enquanto o senador manteve uma ligeira vantagem no volume de publicações de influenciadores que mencionam seu nome.
Os números são de um levantamento da HypeAuditor, plataforma de análise de dados e marketing de influência, que comparou o desempenho das contas oficiais dos candidatos entre 20 de setembro e 3 de outubro e entre 5 e 18 de outubro.
O balanço também identificou uma concentração de alcance na campanha de Flávio: uma publicação do deputado Nikolas Ferreira respondeu por 39% da estimativa entre os criadores analisados.
Na conta de Lula, a média de curtidas por publicação passou de 190 mil para 704 mil. A média de comentários saltou de 18,6 mil para 168 mil. O avanço ocorreu mesmo com a redução da frequência de postagens: o presidente passou de 12,2 publicações diárias para 9,5.
Flávio, por sua vez, manteve uma média de curtidas superior à de Lula, mas a diferença diminuiu. Nas duas semanas anteriores ao primeiro turno, suas publicações recebiam cerca de três vezes mais curtidas: 591 mil, contra 190 mil do adversário. No período seguinte, a média chegou a 783 mil, enquanto a de Lula alcançou 704 mil.
A diferença também aparece no volume total de interações. Como publica com mais frequência, Lula acumulou 136,5 milhões de curtidas e comentários nas duas semanas posteriores ao primeiro turno, ante 39,4 milhões de Flávio. Antes da votação, os números eram de 49,4 milhões e 28,7 milhões, respectivamente.
Influenciadores ampliam a disputa
Fora das contas oficiais, os dois candidatos registraram uma redução nas menções feitas por criadores de conteúdo após o primeiro turno. As publicações que mencionavam Lula caíram 36%, enquanto as que citavam Flávio recuaram 20%.
Mesmo com a queda, Flávio terminou o período com uma ligeira vantagem: foi mencionado em 2.076 publicações de criadores, contra 1.934 de Lula. A diferença mais significativa, entretanto, está na distribuição do alcance.
Uma única publicação do deputado federal Nikolas Ferreira respondeu por 39% do alcance estimado de Flávio entre os criadores analisados após o primeiro turno. No caso de Lula, a repercussão ficou mais distribuída entre artistas e personalidades do entretenimento, com destaque para Anitta.
Os formatos de apoio também diferem. Lula recebeu declarações públicas de voto de artistas e personalidades do entretenimento. Já Flávio contou com publicações recorrentes de políticos e criadores ligados à direita, algumas acompanhadas de pedidos para que os seguidores compartilhassem os conteúdos.
Caso Meta expõe risco de concentração
Na reta final da campanha, a controvérsia envolvendo a Meta também colocou em evidência a dependência das candidaturas em relação às plataformas digitais. Relatos de restrições nas contas ligadas à campanha de Lula e problemas técnicos envolvendo ferramentas da empresa levantaram questionamentos sobre a continuidade da comunicação eleitoral nesses canais.
Para Maria Marques, gerente de marketing para a América Latina da HypeAuditor, o episódio reforça a importância de diversificar tanto as plataformas utilizadas quanto os criadores mobilizados por uma campanha.
"O caso da Meta mostra o risco de concentrar toda a comunicação de uma campanha em uma única plataforma. É algo que sempre falamos no marketing de influência: você precisa diversificar os canais e estar onde o seu público está. Assim, a comunicação fica menos dependente de possíveis falhas técnicas. Se um canal apresentar um problema, a conversa pode continuar nos outros", afirma.
Na avaliação da especialista, o mesmo princípio vale para a escolha dos influenciadores. Mesmo quando um nome tem grande capacidade de alcance, concentrar a comunicação em uma única pessoa deixa a campanha mais vulnerável. No caso de Flávio, a participação de Nikolas Ferreira ilustra esse risco.
"Ter vários influenciadores falando no Instagram amplia a rede de apoio, mas a comunicação continua dependendo da mesma plataforma. Diversificar os mensageiros e os canais reduz essa dependência e dá à campanha mais caminhos para manter contato com o público. Isso vale tanto para candidatos quanto para marcas", finaliza.
'Perguntas frequentes'
Quem teve mais curtidas por publicação após o primeiro turno? +
Flávio Bolsonaro manteve a maior média de curtidas por publicação, com 783 mil, ante 704 mil de Lula, segundo a HypeAuditor. Antes do primeiro turno, as médias eram de 591 mil para Flávio e 190 mil para Lula.
Como aumentou o engajamento de Lula no Instagram? +
A média de curtidas nas publicações de Lula passou de 190 mil para 704 mil, enquanto a média de comentários subiu de 18,6 mil para 168 mil, segundo a HypeAuditor. O avanço ocorreu mesmo com a redução da frequência diária de 12,2 para 9,5 publicações.
Quem acumulou mais interações nas contas oficiais? +
Lula acumulou 136,5 milhões de curtidas e comentários nas duas semanas posteriores ao primeiro turno, ante 39,4 milhões de Flávio Bolsonaro, segundo a HypeAuditor. Antes da votação, os totais eram de 49,4 milhões e 28,7 milhões, respectivamente.
Qual candidato teve mais menções de influenciadores? +
Flávio Bolsonaro teve ligeira vantagem, com menções em 2.076 publicações de criadores, contra 1.934 de Lula, segundo a HypeAuditor. Após o primeiro turno, o volume de publicações caiu 20% para Flávio e 36% para Lula.
Quanto Nikolas Ferreira representou no alcance de Flávio Bolsonaro? +
Uma única publicação do deputado federal Nikolas Ferreira respondeu por 39% do alcance estimado de Flávio Bolsonaro entre os criadores analisados após o primeiro turno, segundo a HypeAuditor. No caso de Lula, a repercussão ficou mais distribuída entre artistas e personalidades do entretenimento, com destaque para Anitta.
Qual é o risco de concentrar a campanha em uma plataforma ou influenciador? +
A concentração deixa a comunicação mais vulnerável a falhas técnicas e limitações de uma plataforma ou à dependência de um único criador, afirma Maria Marques, porta-voz da HypeAuditor. Segundo Marques, diversificar canais e influenciadores permite manter o contato com o público diante de eventuais problemas.
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