Estudantes voltam às ruas na França em dia nacional de protestos
Estudantes franceses mantiveram os bloqueios de escolas e foram às ruas nesta terça-feira (6), durante uma jornada nacional de protestos em apoio ao movimento liderado por jovens que exige que o governo do presidente Emmanuel Macron, pressionado pela falta de recursos, enfrente os problemas das escolas com falta de funcionários e prédios em más condições.
Adolescentes, incluindo estudantes de escolas públicas e particulares e de classes preparatórias, formaram barricadas com lixeiras em frente a escolas de Paris e Estrasburgo.
“Para nós, é um apoio aos estudantes do ensino médio que começaram os bloqueios há alguns dias. Acho que todos temos um papel a desempenhar nesse movimento e, quanto mais formos, mais seremos ouvidos. Acho que esta não é uma luta de poucas pessoas, mas uma luta mais ampla da juventude”, afirmou Hugo Vetzel, estudante de uma classe preparatória.
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Os protestos desta terça-feira acontecem após duas semanas de manifestações, iniciadas nos subúrbios mais pobres de Paris antes de se espalharem pelo país. O governo respondeu com a polícia de choque e afirmou que o movimento havia se transformado em violência urbana.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu ordenou que seus ministros apresentem medidas para atender às principais reivindicações dos estudantes. Entre elas estão garantir a substituição de professores ausentes, rever a jornada escolar, atualmente das 8h às 18h, e ampliar o tempo destinado ao almoço.
O governo também vai avaliar os reparos necessários em prédios escolares antigos, segundo Lecornu, que determinou que os ministros apresentem suas primeiras propostas até o fim de outubro.
Em Estrasburgo, estudantes bloquearam a entrada de uma escola e exibiram cartazes como “Como vou terminar o ensino médio agora?” e “Armamento: um ogro que o Estado alimenta muito bem”.
Vetzel afirmou que os estudantes se sentem desprezados pela resposta do governo.
“Sentimos que somos desprezados, porque, quando a resposta é a violência, isso significa, de certa forma, que a democracia não está mais funcionando. Mas sentimos especialmente que existe uma distância tão grande entre as elites e nós que parece que estamos criando um mal-estar porque estamos atrapalhando tanto que eles usam a força para nos calar”, disse.
A estudante Mona Fallacara afirmou estar satisfeita com a dimensão nacional do movimento, mas criticou a cobertura da imprensa.
“Estou bastante feliz porque, pela primeira vez, vemos um verdadeiro movimento da juventude em todos os lugares e ouvimos falar dele. Mas o que lamento é que a mídia esteja mostrando mais a violência cometida pelos estudantes do que suas reivindicações, que são vitais. E sim, existe um pouco de violência, mas ela não está em todos os lugares”, afirmou.
Segundo ela, a expectativa é de que o governo aumente os investimentos em educação.
“O orçamento da França será votado em breve, então esperamos que haja um orçamento maior para a educação. E, para a eleição presidencial do ano que vem, também esperamos alguma mudança depois de dez anos de Emmanuel Macron à frente do país.”
Em Paris, estudantes de uma escola particular fizeram um minuto de silêncio em apoio aos colegas de escolas públicas.
Os protestos aumentaram a pressão sobre um governo que tenta reduzir um déficit orçamentário crescente. Ao mesmo tempo, investidores demonstram preocupação com o aumento da dívida francesa, o baixo crescimento e a resistência do governo em reduzir gastos, o que tem elevado os juros dos títulos públicos.
O rendimento dos títulos franceses de dez anos chegou brevemente a mais de 5% na semana passada, o maior nível em 24 anos.
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