Ataques a supermercados e bancos de sangue. Guerra híbrida?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É altura de conhecermos do que vai o José Manuel Fernandes falar no "Contra-Corrente" desta sexta-feira. Para participar e nos dar a sua opinião em direto, só tem de ligar 91 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, o seu áudio, para o mesmo número, 91 002 41 85. Carla.
Primeiro foi a sabotagem de sistemas de refrigeração de supermercados europeus, depois a sabotagem de um sistema de refrigeração de sangue, por fim, uma sucessão de ameaças de bomba em aviões que sobrevoavam o continente. Coincidência, brincadeiras de mau gosto ou estaremos antes perante sinais ou testes do que possa vir a ser uma guerra híbrida movida pela Rússia ou pelo Irão? Estas são algumas das questões para que procuraremos respostas no "Contra-Corrente" de hoje. Bom dia, José Manuel. Preocupado com esta sucessão de anomalias?
Sim, estou por duas razões. Primeiro, porque nós não conhecemos a sua origem. Há várias especulações. Há quem diga que possam ser hackers russos, há quem diga que possam ser hackers iranianos. Portanto, que isto seja uma manifestação de uma espécie de teste para guerras híbridas, mas há também a ideia de que podem ser apenas brincalhões, pessoas que exploram fragilidades. E aqui é o segundo ponto que me deixa bastante preocupado, que é perceber-se que há enormes fragilidades nestes sistemas. Portanto, aquilo que se foi sabendo ao longo destes dias, destas semanas, foi que uma parte destas redes de frio, estamos a falar de redes de frio que num caso são para alimentos em cadeias de supermercados, mas noutros casos estamos a falar também de redes de frio para sangue, que foi o que aconteceu em França, são comandadas por mecanismos que estão ligados à internet, antiquados, sem seguirem protocolos de segurança, sem encriptação suficiente. Inclusivamente, aquilo que aconteceu agora, pelo que eu percebi, não sou especialista nisso nem nada que se pareça, mas pelo que fui lendo, já tinha havido sinais de que estes sistemas eram frágeis, que podiam ser penetrados, e que a partir dessa penetração, com passwords, às vezes, não sei se seria uma daquelas clássicas que é um, dois, três, quatro, cinco. Já vi pessoas a usar, por incrível que pareça. Portanto, estes sistemas acabam por ser acessíveis a quem ataca. É a inteligência artificial? Não, aparentemente não é necessário sequer qualquer tipo de inteligência artificial. Entra-se e depois não é só deitar abaixo, não é só desligar os frigoríficos, aparentemente. Nalguns casos, em vez de estarem a -20 graus, passarem a estar a mais 30 ou mais 40 ou mais 50, e portanto estragar tudo o que lá está dentro, que no caso da comida, felizmente, nos dias que correm, é apenas um prejuízo, mas quando podemos estar a falar de outros bens mais críticos, como por exemplo, disponibilidade de sangue, pode sempre haver uma emergência, ficamos um pouco mais assustados. E não se percebe até que ponto é que as entidades que nos devem proteger destes ataques estão a atuar de forma suficientemente enérgica. Alguns destes dispositivos são máquinas antigas, com dispositivos antigos. Isto evolui tudo muito depressa. Portanto, vamos tentar perceber um pouco melhor isto e vamos tentar perceber até que ponto é que estas perturbações, estes incidentes, podem ou não ter ligação com algo que também aconteceu nos últimos dias. De repente, começou a haver uma quantidade de mensagens a dizer que havia bombas em aviões, os aviões a serem obrigados a aterrar. Nada se concretizou, não foi descoberto nenhuma bomba, era tudo falso alarme. Lembra-me do tempo em que quando havia um miúdo que não se tinha preparado para um exame, telefona para a escola a dizer que havia lá uma bomba, e parava tudo e não havia exame nesse dia.
Também me aconteceu algumas vezes.
Está a rir, não é?
Nunca fiz esse perfumema, mas já deixei de ter aulas por conta disso.
Eu também me lembro disso.
Isto é mais grave.
Isto é mais grave, é um bocado mais grave e os tempos são outros e a ameaça da Rússia também é outra. E portanto, espero que não seja apenas uma coisa deste género, mas também, mais uma vez, não se consegue perceber bem a origem. Vamos tentar, com a ajuda de especialistas, perceber o que possa estar em causa, porque nós temos ouvido falar muito de guerra híbrida. Sabemos que não é uma ficção. Na Ucrânia é todos os dias. Ataques de um lado e outro, a tentar perturbar as infraestruturas eletrónicas e de comunicações, e nós dependemos delas, mas dependemos em absoluto delas. Imagine que de repente cai o sistema GPS. Os Ubers param. Eles não conhecem as cidades. Os Ubers e hoje em dia também boa parte dos táxis. Acho que já aconteceu há pouco tempo numa cidade qualquer, que por uma razão qualquer o sistema foi abaixo, já não sei se foi o satélite, se foi outra coisa qualquer, e os táxis pararam. "Não sei o caminho, não sei onde é que fica essa rua ou esse sítio". Nós temos uma dependência enorme, e não é só para nós. Já não sei se as pessoas ainda conseguem ler mapas ou ter sentido de orientação, mas quando temos toda a gente dependente destes sistemas. Penso que os nossos frigoríficos e nossas casas não estão ligados à internet, pelo menos a maior parte deles. Mas a ideia é que um dia esteja tudo ligado. Portanto, as chamadas casas inteligentes. Este futuro parece um futuro glorioso, mas é preciso perceber até que ponto é que estas fragilidades nos obrigam a ter mais cuidado. Porque se acontece um ataque global e se a penetração não é apenas em sistemas frágeis, marginais e antiquados, e vai ao coração de sistemas mais sofisticados, podemos de repente ficar um fim de semana sem comida nas prateleiras. E nem toda a gente tem reservas em casa.
Claro. Pois é. Grandes reflexões, grandes questões. Vamos desenvolver, até já.
Grandes questões. Até já.
91 002 41 85 para entrar em direto, mas também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.