‘Vejo o rock como resposta natural a qualquer inconformidade que o espírito humano tenha’, diz Venere Vai Venus

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, banda aposta em uma nova geração do rock brasileiro movida pela indignação, autenticidade e espírito de revolta
Karla Sthefany
O futuro do rock brasileiro passa justamente pelo inconformismo. Essa é a aposta da Venere Vai Venus, que enxerga o gênero como uma reação natural a um mundo cada vez mais caótico, acelerado e dominado pela inteligência artificial.
Para a banda, o momento atual abre espaço para artistas que buscam formas mais autênticas de expressão, e o rock tende a ocupar esse lugar.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, os integrantes falaram sobre a relação entre tecnologia, rebeldia e a nova cena independente do país.
Rock como resposta ao status quo
Para a Venere Vai Venus, o rock sempre nasceu da necessidade de romper com o que está estabelecido, e isso continua valendo em 2026.
Segundo a banda, a popularização da inteligência artificial pode até fortalecer o gênero, justamente por aumentar o valor daquilo que é humano e imperfeito.
“Eu vejo o rock como uma resposta natural a qualquer inconformidade que o espírito humano tenha. (…) Hoje em dia, com a inteligência artificial, ela vai ajudar muito a deixar o rock mais valioso, porque vai ser uma coisa mais rebelde, uma coisa mais de revolta do espírito humano mesmo com o que quer que seja o status quo.”
Na visão dos músicos, quanto mais o “status quo” limita formas de expressão, mais o rock se torna um caminho para quem deseja se manifestar de maneira genuína.
“O rock vai ser a resposta alternativa natural para qualquer espírito, corpo que queira se expressar de forma mais autêntica.”
Uma nova geração mais “porrada”
A banda também acredita que existe uma mudança acontecendo dentro da cena independente brasileira. Depois de uma fase marcada pelo indie rock, eles enxergam o surgimento de grupos com uma sonoridade mais pesada e agressiva.
“A gente está meio puto com tudo o que está acontecendo recentemente com o mundo. (…) A gente acredita que o rock é realmente uma reação óbvia a tudo o que está acontecendo, e a gente está aí como os mensageiros da parada.”
Entre os nomes citados pela Venere Vai Venus está a Rumore, além de outros artistas que, segundo eles, vêm resgatando um rock independente inspirado em referências internacionais, mas com identidade própria.
“Teve aquele tempo no Brasil de rolar muito do indie rock, tipo Terno Rei. (…) Eu acho que está vindo uma outra galera agora mais porrada mesmo, sabe? Que é uma parada diferente, que é o que a gente é. A gente espera que essa seja a tendência.”
Para a Venere Vai Venus, esse movimento pode representar o próximo capítulo do rock brasileiro: menos acomodação e mais urgência, intensidade e autenticidade.
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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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