ESPN Deportes'Hormiga' entra en busca de romper el empateוואלהגבר כבן 50 נהרג לאחר שנפל מגובה של שלוש קומות בטמרהESPNSources: Colts' Allen faces 3-game suspension, but NFL could levy longer banThe Jerusalem PostITIM demands equal conditions for women in upcoming Chief Rabbinate examsRTP DesportoCeltic, próximo adversário do Benfica, derrotado pelo Rangers no ‘Old Firm’InquirerSara Duterte joins Iligan’s Pakanaug ritesVanguardTen-man Falconets lose to Colombia, crash out of FIFA U20 World CupFootball ItaliaFootball Italia Show: Allegri infuriated, Lautaro silences the doubtersХабрОдинаковые данные, разные p-value: почему важно правило остановки7sur7Le Premier ministre canadien accueilli par Emmanuel Macron à Saint-Pierre-et-MiquelonTagesschauLivestream: Sondersendung zu den Wahlen in MV und BerlinVilaWebUn canvi d’oratge obre la porta a un estiuet de calor intensa
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 20, 2026

"PS dificilmente conseguiria hoje garantir governabilidade"

Translate

Autarca de Matosinhos vê sondagens com otimismo, mas ciente de que valores ainda são curtos para PS. Critica inércia do Governo na descentralização, admite falhas do PS no IHRU e tem fé em Carneiro.

Luísa Salgueiro cumpre o último mandato na Câmara de Matosinhos, numa altura em que faz também parte da direção nacional do PS, pela primeira vez. Vê no líder do partido, José Luís Carneiro, “todas as condições” para chegar a primeiro-ministro, apontando para as sondagens favoráveis. Mas os mesmos dados, diz, também mostram que “muito dificilmente” o PS conseguirá criar condições de governabilidade, tendo de assegurar um apoio parlamentar se quiser chegar a ser Governo.

Em entrevista ao Observador, a autarca socialista que, até às últimas autárquicas, foi presidente da Associação Nacional de Municípios, admite que o modelo de descentralização lançado pelos governos do PS precisa de correções, mas rejeita que tenha sido mal desenhado à partida. Luísa Salgueiro sustenta que as verbas transferidas para educação, ação social e saúde foram calculadas com base em critérios objetivos, mas acusa o atual Executivo de não ter atualizado esses valores nem reativado a comissão criada para acompanhar os custos reais. Fala mesmo numa “inércia” que acredita sabotar a descentralização.

Também fala no referendo à regionalização, para considerar que o mapa das cinco regiões está consolidado. E diz que gostava de ver cair a segunda pergunta do referendo, que é obrigatória pela Constituição, mas rejeita que existam condições para fazer uma revisão constitucional nesse sentido. Defende uma nova Lei das Finanças Locais que assegure receitas estáveis e reduza desigualdades entre municípios. Critica ainda a concentração da execução da política de habitação no IHRU, reconhece que o PS não avaliou corretamente a capacidade operacional do instituto para gerir candidaturas de todo o país, avisa que o modelo pós-PRR pode aprofundar a diferença entre autarquias e alerta para riscos na gestão da Prestação Social Única pelas autarquias.

“Os municípios não devem ser prejudicados, nem num único euro, por terem assumido a descentralização”

Tem sido uma das vozes mais audíveis do PS sobre a falta de recursos das câmaras que receberam novas competências no processo de descentralização. Quando o PS lançou esta descentralização em 2019, o PSD e vários autarcas alertaram para o risco de transferência de encargos sem uma cobertura financeira. Reconhece hoje que esse alerta tinha um fundamento?
Fazia todo o sentido lançar esse alerta, aliás foi uma das preocupações que mais inspirou a Associação Nacional de Municípios (ANMP) no sentido de garantir que esse risco não ocorreria. O diploma transferiu 22 competências e no mandato de 2021-25 nós focámos sobretudo nas transferências dos dossiês mais pesados — da educação, da ação social e da saúde — e cuidámos de estabelecer pela primeira vez critérios objetivos que nos permitissem mensurar os custos daquilo que era transferido. Por exemplo, nas escolas, nós definimos valores, objetivos, por metro quadrado, quanto custa o preço de cada refeição, quanto custa o transporte. Os vários indicadores foram quantificados pela primeira vez e foi atribuído o valor de acordo com a negociação entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios, muitos deles a título indicativo, provisório, porque nunca tinham ocorrido. Era absolutamente essencial, depois desse acordo estabelecido e da transferência que ocorreu, principalmente na educação e na ação social, o funcionamento de uma comissão de acompanhamento da descentralização para se verificar, ano após ano, se aqueles valores correspondiam ao real, ou se as estimativas estavam incorretas. E essa comissão nunca mais reuniu, portanto, os valores que neste momento estão a ser aplicados são os valores do acordo, que já está desatualizado. É natural que se conclua que os valores estão desajustados.

Mas é um problema novo que pode ser atribuído a este Governo, ou este Governo herdou do passado um modelo subfinanciado que não corrigiu a tempo?
Este Governo herdou um modelo que estava financiado de acordo com os cálculos que foram feitos entre ANMP e o Governo anterior, e que precisavam de ser atualizados, se tivessem sido atualizados e não estávamos neste momento com os défices que os autarcas denunciam. O que é certo é que o valor de uma refeição em 2023 não é igual ao valor de uma refeição em 2026.

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

A sua proposta concreta para responder ao problema passa por aumentar já o fundo de financiamento de descentralização, rever a fórmula?
O fundo é composto por vários indicadores, e cada um deles tem critérios distintos, e a importância é verificar se em cada um dos indicadores os preços estão ou não ajustados. Não defendo a revisão como um todo, proponho que se revejam aqueles vários itens que foram estabelecidos na altura, um a um, e ver quais são os que estão desajustados.

E deve haver pagamentos retroativos quando for feito esse ajustamento?
Dificilmente haverá, os orçamentos provavelmente não o comportarão, e se o Governo não pôs a Comissão de Acompanhamento da Descentralização a funcionar até agora, provavelmente é porque não quer reforçar essas regras. Portanto, deveria, em tese deveria. Os municípios não devem ser prejudicados, nem num único euro, por terem assumido a descentralização. Uma das áreas mais importantes foi dos edifícios, e quando assinámos o acordo, previmos a realização de obras em 521 escolas, foi o acordo mais ambicioso de sempre na recuperação dos edifícios do parque escolar do país. E neste momento ainda não há obras, ainda não estão analisadas as candidaturas que as câmaras apresentaram para realizar essas obras, portanto há um arrastar do processo. Entretanto, os autarcas veem-se na incontornabilidade de realizar algumas obras nas escolas, mesmo sem financiamento, e portanto, o discurso de quem não queria a descentralização, de dizer que está desequilibrada e que é penalizadora para os municípios, ganha credibilidade, porque de facto o tempo vai passando e a conta fica cada vez mais desequilibrada.

"A melhor forma de pôr em causa a descentralização é este silêncio, esta inércia que gera uma grande desconfiança"

Mas a solução passa pela constituição da comissão? É suficiente?
Ela já esteve constituída, esteve em funcionamento, foi suspensa, é só reativá-la. Se não quiserem que a comissão funcione, que o próprio Governo chegue à conclusão dos valores atuais do mercado, que lhe aplique uma fórmula e que também ponha em funcionamento os mecanismos e as respostas que estiveram previstas desde sempre. O Governo acordou com o Banco Europeu de Investimentos a atribuição de um financiamento de 1.700 milhões de euros para fazer obras nas escolas, ainda não se gastou nada. As candidaturas foram até julho deste ano e depois houve uma prorrogação até dezembro, portanto até dezembro deste ano as CCDRs ainda vão estar a analisar as candidaturas. Não se gastou nada em 2024, não se gastou nada em 2025, não se vai gastar nada em 2026 porque ainda estamos a analisar as candidaturas. E em 2027, só no segundo semestre do ano é que se poderá gastar.

Atravessa o espírito dos autarcas que se calhar era melhor devolver competências ao Estado central?
Deve atravessar, porque na verdade alguns têm um défice e têm a pressão da população. Porque uma escola que esteja em más condições e que seja da responsabilidade do Ministério da Educação tem alguma pressão por parte das famílias dos alunos; uma escola que esteja sob a gestão do autarca tem a pressão de toda a gente, dos funcionários, dos professores, da comunidade educativa. O autarca vai à escola e conhece as pessoas e conhece as famílias, a pressão é muito superior. Teríamos condições para reabilitar de uma forma transversal as escolas todas do país se o processo estivesse a andar, esta suspensão é absolutamente penalizadora para tudo aquilo que se fez antes.

Mas responsabiliza este Governo em concreto ou este é um problema estrutural? Porque a verdade é que desde que a descentralização foi feita, foi o Partido Socialista que mais tempo esteve no poder e foi o PS que iniciou este processo. 
Iniciou e concluiu, estes domínios foram concluídos, as regras entre o Governo do Partido Socialista e a Associação Nacional de Municípios. Mas era a primeira etapa.

Mas houve coisas que foram mais mal feitas? Se voltasse lá atrás, quereria alterar alguma coisa?
Sinceramente acho que foram poucas. Podíamos ter feito mais, mas o que foi feito foi bem feito. Precisava de ser atualizado e nunca mais foi e o que fica desequilibrado não avança. A melhor forma de pôr em causa a descentralização é este silêncio, esta inércia que gera uma grande desconfiança e desagrado por parte dos autarcas e das populações. Só não é mais, porque em muitos casos os autarcas estão-se a substituir e mesmo não havendo verbas disponíveis estão a fazer aquilo que as populações necessitam. E agora vai ser outro processo gravoso, porque com a criação da prestação social única, a área social que estava equilibrada também vai desequilibrar.

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

“Eu gostaria que fosse, mas não me parece que seja possível alterar a Constituição” para acabar com segunda pergunta do referendo à regionalização

Já vamos a esse ponto, antes queria falar da Convenção autárquica do PS do fim de semana passado. O partido saiu a defender que se faça o “caminho” para o referendo da regionalização. Falhou em 1998 e houve sempre a ideia de que a segunda pergunta foi fatal para esse resultado, porque obrigava a discutir fronteiras, por exemplo. O que é que deve mudar no novo referendo?
Eu penso que a questão das regiões está resolvida. Um dos temas que mais dividiu as pessoas foi a ideia da distribuição e da organização do território, do mapa geral. Com o mapa e com o tempo as cinco regiões correspondentes ao mapa da CCDR a questão está estabilizada, eu penso que ela não deve ser discutida sequer, portanto está estabilizada.

O problema é que a Constituição obriga a que exista essa segunda pergunta regional.
Mas na altura houve muita discussão em torno disso, mas o mapa está decidido e portanto é confirmar as cinco regiões, para mim é um assunto resolvido.

Mas tem de ser referendado e tem de ser referendado em duas perguntas? Ou deve ser feita uma revisão constitucional para permitir que a segunda pergunta não tenha de ser feita?
Não me parece que seja possível revermos a Constituição, eu gostaria que fosse, mas não me parece que seja possível alterar a Constituição. Portanto nós temos de preparar a sociedade portuguesa para discutir a regionalização a sério. Considero que houve dois grandes motivos pelos quais as pessoas se afastaram da vontade de regionalizar. Um tem a ver com a própria organização territorial e com as regiões que agora está, penso eu, estabilizada junto das pessoas; e outro com a criação do número de lugares, que é o fantasma que se acena. Foi demonstrado pela Comissão Cravinho que haverá cinco cargos executivos por região, são 25 novos cargos, que vão ser contrapostos pela extinção de um conjunto de direções-gerais e de organismos do Estado. Portanto, haverá um resultado negativo em termos de lugares executivos. E depois nos legislativos, nas cinco assembleias regionais, serão pessoas que já pertencem a assembleias municipais dos vários municípios e que só têm senhas de presença. Esse fantasma de que vamos criar mais lugares para políticos que se protegem e para partidos indicarem, penso que está já esclarecido. Temos condições para que a população portuguesa compreenda que tantos anos volvidos, os níveis de desenvolvimento do país mostram que estamos cada vez mais desiguais e que as políticas de coesão têm falhado e que o país é muito assimétrico e que o modelo que temos atualmente não tem contribuído para vencer essas assimetrias. E se nos compararmos com países com dimensão em termos de área e de população semelhantes ao nosso, podemos ver de que forma é que o nível de decisão regional tem contribuído para o desenvolvimento dos mesmos e que nós estamos cada vez mais centralizados. Por exemplo, ficou bem fácil de explicar isto nos dias pós-comboio de furacões que tivemos e o Christine e o que aconteceu na região centro.

No pós-Christine foram criados "mecanismos extraordinários e feitas candidaturas para dotar as entidades supermunicipais de mais recursos, mas ainda não avançaram. Portanto, está tudo ainda em fase de preparação. Se houver um novo comboio de tempestades no próximo inverno acontece igual"

Desta vez os autarcas estarão preparados para responder a uma situação dessa dimensão do comboio de tempestades?
Já houve dois momentos recentes que mostraram que quando é necessário são as autarquias locais que respondem às pessoas, foi na Covid e foi agora na zona centro com as tempestades. São os autarcas que respondem às necessidades de habitação, de alimentação, de cuidados. O país está organizado de uma forma que a administração central nunca consegue suprir, são os autarcas. Poderíamos estar mais bem preparados se houvesse outro tipo de responsabilização ao nosso nível, mas somos nós que acudimos, vamos sempre em reação a salvar as pessoas.

Os autarcas estão preparados, a administração central é que pode não estar.
Não está. Quando estamos naquele nível imediato de resposta rápida, os autarcas respondem.

É natural porque estão mais próximos das populações.
Estamos mais próximos e acionamos os meios.

Mas estava também a querer perceber em termos de prevenção, preparação prévia.
Prevenção é normalmente uma escala supramunicipal, é muito difícil tomar medidas em termos de proteção civil município a município, portanto aí são as áreas metropolitanas, são as comunidades intermunicipais.

Desde a última tragédia até à preparação do inverno seguinte, este que se seguirá, houve alguma nesse sentido?
Houve uma decisão de se criar mecanismos extraordinários, o chamado PTRR, para responder e foram feitas as candidaturas, cuja intenção é dotar as entidades supramunicipais de mais recursos, mas ainda não avançaram. Portanto, está tudo ainda em fase de preparação.

Portanto, se formos atingidos por novas tempestades…
No próximo inverno acontece igual.

Falta de recursos das câmaras para gerir PSU pode “pôr em causa verificação dos requisitos para receber a prestação”

Tem criticado o Governo por transferir para as autarquias a gestão da Prestação Social Única, o que é que falta concretamente às câmaras? É dinheiro? São técnicos?
Quando houve a primeira leva da transferência de competências na área social, nós fomos colocados perante um enorme desafio, porque nessa área nunca se tinha feito um diagnóstico relativamente à resposta que existia da Segurança Social às populações. Fizemos um levantamento exaustivo, chegando à conclusão que, por exemplo, no rendimento social de inserção havia situações em que um técnico fazia acompanhamento de mais de mil processos. E noutros, um técnico fazia acompanhamento de 30 processos. Era uma situação absolutamente desigual, e foi importante e imprescindível criar regras que garantissem igualdade de tratamento e ficaram definidas várias medidas. Em primeiro lugar, que em todos os municípios havia pelo menos um técnico, caso contrário, pelo número de processos, poderia haver municípios sem ninguém da Segurança Social. Depois que, nos casos de rendimento social de inserção, cada técnico não podia tratar mais do que 100 processos, e no caso do serviço de atendimento e acompanhamento social, cada técnico não podia ter mais do que 250 processos. Isto significou um enorme reforço, houve mais de 340 técnicos que foram contratados para garantir esta capacidade de resposta, e um reforço orçamental. Ora agora, em vez desta única prestação, que é o RSI, que passou para as câmaras, as câmaras vão gerir todas, são mais de 12 prestações sociais. Ora, a questão é, como é que se vai garantir um acompanhamento social real a todos os beneficiários da prestação, porque a prestação inclui todas as outras.

Mas que consequências práticas é que podem existir para as pessoas?
O rendimento social de inserção é uma prestação que gera muita controvérsia, que só é eficaz se para além de se transferir a verba houver acompanhamento da pessoa, verificar se a pessoa cumpre as regras de emprego, se os filhos vão à escola, se está integrado. Nós não queremos só transferir prestações sociais, nós queremos que através da intervenção do Estado e do apoio financeiro as pessoas melhorem a sua vida, que tenham a responsabilidade social, caso contrário é apenas uma operação financeira.

Está em risco haver uma desadequação entre a pensão e quem e recebe?
Claro, é preciso verificar se as pessoas continuam a cumprir os requisitos para receber a prestação, isso tudo pode estar posto em causa depois de tanto trabalho que se fez, sobretudo na área social. Esta área vai ficar mais fragilizada e depois dir-se-á que é a transferência de competências na área social que foi prejudicial para o país e para as pessoas. Estamos no momento de corrigir.

O PS defende a alteração à lei das finanças locais, considera que deve ser alterada para garantir que nenhuma competência é transferida sem uma cláusula de compensação integral?
Não é o PS que defende a alteração da lei das finanças locais, todos os partidos com assento na Associação Nacional de Municípios até estas eleições defendiam, era unânime. Não é uma questão partidária, é transversal a todos os partidos e ao Governo também que defende a necessidade de não só alterar, mas de aprovar uma nova lei das finanças locais. Porque o país tem situações muito díspares de município para município. Há municípios com grande poder de arrecadação de receita e com orçamentos em crescimento, como aquele a que presido, mas também há municípios em que esse crescimento não se verifica e que dependem da transferência do Orçamento do Estado para responder a receitas correntes. As regras que estão em vigor neste momento já demonstraram que não são as necessárias e suficientes para quebrar este ciclo de assimetrias e nós precisamos de transferir mais verbas para alguns municípios que têm menos capacidade de arrecadação de receita, por fruto de outros critérios que não sejam só o número de habitantes ou que não seja só a área. Por força, por exemplo, do contributo que dão para a transição energética, porque disponibilizam equipamentos que são de proveito de toda a população. Precisamos de garantir que as receitas provêm de verbas estáveis e que não dependem da negociação anual entre a Associação Nacional de Municípios e o Orçamento.

"Reconheço" que Governo PS não garantiu capacidade ao IHRU para as novas responsabilidades que lhe atribuiu

Na habitação, tal como várias outras autarquias, usou verbas no PRR. Depois do fim do plano, qual é o risco de os municípios ficarem com projetos que estão aprovados, terrenos disponíveis, tudo identificado, mas sem fonte de financiamento?
O Governo criou condições para que não fosse obrigatória a inicialmente prevista devolução das verbas dos projetos que não estivessem prontos até 31 de agosto. Até dezembro estão garantidas condições para que os projetos sejam terminados e depois de dezembro o Governo já garantiu que vai encontrar mecanismos de financiamento para que nenhuma obra fique por executar.

Aguarda medidas nesse sentido no Orçamento do Estado, por exemplo?
É uma das condições do Partido Socialista para viabilizar o Estado é que sejam dados aos autarcas mecanismos que garantam o fim do financiamento. O ministro da Coesão tem dito que haverá garantias e que estará a acautelar que no orçamento do Estado sejam dadas as condições para que os financiamentos, para que o que está em curso, possam ser terminados.

Tem-se queixado muito do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), que refere até como um “gargalo” na execução do PRR. O PS reforçou o financiamento da habitação e colocou o IHRU como parte central da execução do PRR. Reconhece que o Governo PS não garantiu ao Instituto a capacidade operacional para essas novas responsabilidades?
Reconheço. Eu creio que centralizar os processos no IHRU é errado, mas não responsabilizo o IHRU em si. Foi um instituto que tinha competências reduzidas e que rapidamente ficou a lidar com todas as candidaturas a nível nacional e não conseguiu responder. Depois foi reforçado o próprio IHRU através de técnicos que foram suportados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, mas terminaram funções em agosto e agora está ainda mais fragilizado, não tem capacidade de resposta. E este anúncio do Governo de que o próximo ciclo de financiamento da habitação ficará também todo coordenado pelo IHRU, creio que é uma má notícia, porque já sabemos que ficará ali retido. Porque as autarquias têm um dinamismo grande e ficam a aguardar que o IHRU aprove. As autarquias que têm mais capacidade financeira não ficarão a aguardar pela aprovação, como aconteceu no PRR, no caso da Câmara de Matosinhos não esperámos pela aprovação, avançámos e conseguimos concluir tudo antes do fim do prazo do PRR. O que vai acontecer, se se confirmar esta regra de que tudo depende do IHRU neste novo ciclo, é que as autarquias maiores vão avançar e as mais pequenas têm de continuar a aguardar que o IHRU aprove a sua candidatura. Isto agravado pelo facto de, nesta nova fase, só haver financiamento para 60%, enquanto que o PRR financiou a 100% a construção da nova habitação. Agora, nesta nova fase, neste ciclo pós-PRR, o Estado só financia 60% e os outros municípios vão ter de se financiar em 40%.

Houve uma falta de visão do Partido Socialista quando deu tantos poderes ao IHRU para a execução do PRR?
Houve uma falta de informação sobre o modus operandi e a capacidade de resposta que o IHRU tinha. Houve uma grande expectativa de que fosse possível responder e depois constatou-se que o tempo de resposta não era compatível com as necessidades.

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

“José Luís Carneiro tem todas as condições para ser primeiro-ministro”

José Luís Carneiro, o atual líder do Partido Socialista tem uma missão que é sempre muito espinhosa que é ser líder do partido quando o partido está na oposição. Ele tem condições para ser primeiro-ministro?
Tem todas as condições e o que temos visto é que os portugueses o consideram também. Não são só os socialistas que pensam isso, a maioria dos portugueses também considera que o José Luís Carneiro é a pessoa que tem mais condições para ser o futuro primeiro-ministro.

Está a apontar para as sondagens?
São o instrumento que temos para fazer essa avaliação, não é uma opinião minha, é aquilo que as várias sondagens têm dito.

Mas os dados também não mostram que o PS não está assim tão à frente para conseguir, por exemplo, condições de governabilidade?
Não está muito à frente, mas é melhor estar pouco à frente e estar à frente.

Era possível criar condições de governabilidade com os números que temos hoje?
Muito dificilmente. O PS terá sempre que ter um apoio parlamentar para poder ser Governo, não tem condições de maioria, portanto isso dependerá dos resultados eleitorais e da distribuição de mandatos que houver na Assembleia da República, sendo certo que governar sozinho com um acordo de base parlamentar é sempre possível.

O PS está a trabalhar hoje para ter uma reciprocidade do PSD caso venha a estar também em condições de falta de apoio parlamentar para governar?
O PS está a trabalhar para garantir condições de estabilidade para que o país possa funcionar. Para que os portugueses possam ter mais qualidade de vida, o funcionamento das instituições democráticas é requisito essencial. Provocar eleições sucessivas é fragilizar o funcionamento de um Estado tão centralizado e, portanto, o PS tem uma atitude responsável de garantir essa estabilidade e permitir que o Governo governe. Não é numa lógica de reciprocidade, é numa lógica de responsabilidade.

Se o PS chegar ao poder em condições de fragilidade como as que a atual maioria tem, vai pedir ao PSD que lhe dê aquilo que deu?
Creio que é razoável que o faça, que não peça para o PS, mas peça para o país. A mesma responsabilidade que o Partido Socialista demonstra neste momento, de que dá condições ao Governo para governar e não provocar crises que seriam prejudiciais para o país. Se o Partido Socialista estiver em igual circunstância, é razoável que peça o mesmo.

E enfia na gaveta o episódio da “geringonça em 2015”. Era o que isso significaria.
A geringonça foi um cenário que ocorreu num determinado momento da vida política nacional.

A direita pode vir a utilizar o mesmo argumento.
A direita pode fazer o mesmo, pode juntar-se e ter maioria parlamentar, isso dependerá muito do equilíbrio da distribuição de mandatos na Assembleia da República depois do ato eleitoral.

Carneiro será o candidato nas legislativas? "Não é garantido, porque se há eleições diretas há sempre, em tese, uma possibilidade de haver outro secretário-geral. É preciso trabalhar para isso, é preciso que o secretário-geral seja reeleito"

O PS prepara-se para viabilizar o Orçamento do Estado, não apoia uma comissão parlamentar de inquérito a um ministro que está especialmente fragilizado nesta altura, que é Luís Neves, qual o risco do PS ficar colado ao Governo e deixar o Chega solto para reclamar a liderança da oposição?
O PS vota hoje uma proposta de constituição de outra comissão parlamentar, que foi proposta pelo Bloco de Esquerda e que visava esclarecer uma matéria que consideramos relevante e que pretende que o ministro da Educação dê finalmente os esclarecimentos de que tem vindo a fugir. E o PS decide a votação dos vários diplomas em função dos seus próprios princípios e não deve estar refém de determinadas táticas, que eu penso que são prejudiciais para o PS e para as pessoas.

Mas se aprova essa comissão de inquérito, porque é que não aprova a outra?
Porque os pressupostos são diferentes. Enquanto que neste caso o PS tinha requerido várias vezes que o senhor ministro da Educação prestasse esclarecimentos, que fosse ao Parlamento dar informação aos deputados, que esclarecesse o país e o ministro foi fugindo dessas respostas, pondo em causa a própria legitimidade da Assembleia da República e dos deputados, o cenário que ocorria relativamente à comissão de inquérito do ministro da Administração Interna não era o mesmo. E portanto o PS defende que deve haver comissões de inquérito em função da realidade subjacente a cada uma das propostas e não em função de ser apenas a figura da comissão de inquérito.

Há pouco dizia que José Luís Carneiro tem condições para ser primeiro-ministro, a outra questão é se o partido vai permitir-lhe chegar até lá, porque há eleições internas antes das legislativas. Se o calendário político se mantiver como previsto, é seguro que seja ele o próximo a disputar legislativas?
Não é garantido, porque se há eleições há sempre, em tese, uma possibilidade de haver outro secretário-geral antes do calendário previsível das legislativas. As eleições legislativas serão pós-eleições internas do Partido Socialista, portanto é preciso trabalhar para isso, é preciso que o secretário-geral seja reeleito.

Não pode encostar-se à sombra da banana, é isso?
Ele não é pessoa de se encostar à sombra da banana, chegou a secretário-geral fruto de muito trabalho, muito empenho e dedicação pessoal.

"Não quero mais ser candidata a câmaras municipais"

Mas era desejável que houvesse um desafiador nessas eleições internas?
Depende, se for uma pessoa que venha contribuir para a discussão interna… As candidaturas únicas não são necessariamente melhores para as organizações partidárias, dependendo do tipo de discussão que viesse a trazer. Também não considero que pudesse ser prejudicial. As discussões são sempre motivo de aprofundamento das posições e, portanto, na democracia é normal que isso aconteça e no Partido Socialista, que é um partido tão grande, isso é, aliás, frequente.

Este é o seu último mandato em Matosinhos, já está a preparar a sucessão na Câmara, que tem sido sempre um socialista a liderar?
Estou a preparar pessoas que estão em condições de me suceder com grande competência.

E quer continuar a ser autarca?
Em cargos executivos, não. Já fiz a minha parte, já estou há muito tempo em funções, comecei a minha vida autárquica em 1993 em Matosinhos, estive sempre em Matosinhos e estou feliz assim. Não quero mais ser candidata a câmaras municipais.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.