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Saturday, October 24, 2026

EWZ: o ETF gringo que virou termômetro da eleição e o que ele indica para domingo

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O fundo de índice de ações brasileiras iShares MSCI Brazil (EWZ) acumulava alta de 13,87% em outubro até as 16h desta sexta-feira, 23, último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais. O avanço, atribuído por gestores à repercussão do primeiro turno, ao capital estrangeiro e à participação de investidores locais, coloca o ETF a caminho do melhor mês desde janeiro.

O iShares MSCI Brazil (EWZ), fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, acumula alta de 13,87% em outubro até as 16h desta sexta-feira, 23, último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais. O avanço coloca o ETF no caminho de seu melhor desempenho mensal desde janeiro, quando subiu 16,59%, em meio ao forte fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.

Em setembro, o fundo havia avançado 3,39%. Com a valorização deste mês, o EWZ passou a refletir a mudança de percepção dos investidores sobre o cenário político brasileiro após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do atual presidente.

O resultado surpreendeu o mercado e reforçou as apostas de parte dos investidores em uma possível mudança de governo, vista como uma oportunidade para alterações na condução da política fiscal. A perspectiva de melhora na percepção de risco do país contribuiu para a valorização das ações brasileiras e para a entrada de recursos estrangeiros.

Para Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera, o resultado eleitoral foi o principal fator por trás do desempenho do EWZ em outubro.

Segundo o gestor, a valorização não se explica apenas pela entrada de investidores internacionais. O movimento também contou com a participação de gestores locais que ainda não estavam plenamente posicionados na bolsa.

Um dos exemplos disso, segundo Fontoura, é o avanço do índice das small caps, que subiram 20,39% em outubro, a segunda maior valorização mensal em mais de 17 anos, de acordo com a Elos Ayta. Historicamente, os investidores domésticos são os maiores compradores dessas companhias de menor valor de mercado.

“Sem dúvida, o principal fator foi o resultado do primeiro turno. Ficou claro que não estava na expectativa do mercado esse cenário tão favorável para uma potencial troca de comando”, afirma.

Fontoura faz uma distinção entre os estrangeiros que se movimentam rapidamente para aproveitar oportunidades de mercado e aqueles que investem com horizonte de vários anos. Os primeiros já teriam aproveitado parte do movimento de outubro, enquanto os investidores de perfil mais estrutural ainda aguardariam maior clareza sobre o cenário político antes de ampliar a exposição ao Brasil.

“Os investidores estrangeiros estruturais, aqueles que ficam por anos e fazem investimentos geralmente até mais vultosos, ainda não entraram. Esses estão esperando o segundo turno para entrar, a consagração do cenário-base”, diz Fontoura.

O que o EWZ revela sobre as eleições

Lançado em 2000 sob a marca iShares, hoje da BlackRock, o EWZ replica o índice MSCI Brazil 25/50, composto por ações de empresas brasileiras negociadas no mercado local ou no exterior. O fundo é listado em Nova York e tem cotação em dólares.

Embora seja frequentemente utilizado como termômetro do interesse internacional pela bolsa brasileira, o EWZ não replica exatamente o Ibovespa. Sua carteira inclui empresas como Nubank e XP, listadas nos Estados Unidos, e apresenta pesos diferentes para companhias que também integram o principal índice da B3.

A cotação em dólar também faz diferença para o retorno do fundo. Além da variação dos preços das ações, o desempenho do EWZ reflete o comportamento do real frente à moeda americana. Uma valorização da moeda brasileira tende a favorecer o retorno do ETF em dólares, enquanto uma desvalorização pode limitar seus ganhos.

Para identificar quanto da valorização está associada ao Brasil, Fontoura afirma que a gestora compara o desempenho do real com o de outras moedas de mercados emergentes e com o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas.

Segundo o gestor, o real tem apresentado desempenho superior ao de outras moedas emergentes, o que reforça a leitura de que o movimento não decorre apenas de uma tendência global favorável a ativos de risco. “Mesmo dentro do Brasil, esse efeito da eleição tem atraído o fluxo de maneira importante. Já existe uma antecipação dos investidores internacionais por uma melhora, um perfil melhor de risco”, afirma.

A avaliação é semelhante à de Luis Castro da Fonseca, sócio-fundador e gestor de portfólio da Nest Asset Management. Para Fonseca, praticamente toda a valorização do EWZ em outubro pode ser atribuída à repercussão do primeiro turno.

“A alta de 14% nesse mês pode ser atribuída praticamente em sua totalidade à repercussão dos resultados no primeiro turno”, afirma o gestor.

“O restante dos emergentes está com performance mista, alguns com fortes quedas como Coreia do Sul, China e Turquia. Os produtores de commodities estão indo bem no mês, como México e Austrália, mas com alta bem inferior à do Brasil, algo em torno de 5%”, complementa.

Nos últimos dias, porém, o rali passou a conviver com mais incerteza sobre o resultado da disputa. As pesquisas mais recentes passaram a indicar um cenário mais apertado entre os candidatos, levando investidores a questionar quanto da expectativa de mudança de governo já está incorporada aos preços dos ativos.

Para Fonseca, o desempenho da bolsa após o segundo turno dependerá principalmente do resultado eleitoral e das diretrizes que forem apresentadas para a política fiscal e o plano de governo.

Caso o desfecho esteja alinhado às expectativas do mercado, novas altas são possíveis, especialmente se houver queda nas taxas de juros e fortalecimento do real.

O gestor ressalta, porém, que as ações brasileiras já não estão tão descontadas quanto no início de 2025 (o índice subiu 34% no ano passado). Por isso, uma valorização adicional dependeria mais da concretização de expectativas positivas do que de uma correção de preços considerados excessivamente baixos.

“Nossa visão é que 2027 deve ser marcado por um fluxo expressivo de entrada de recursos no Brasil. Existe muito capital no exterior à procura de oportunidades, e o país pode se beneficiar tanto de uma melhora na percepção sobre sua situação fiscal quanto de um cenário global mais favorável aos mercados emergentes, com dólar mais fraco e menor preferência por mercados desenvolvidos”, afirma.

Na véspera da votação, Fonseca avalia que o risco de queda é maior do que o potencial de alta no curto prazo, diante do avanço acumulado no mês. Em um cenário favorável às expectativas do mercado, a bolsa poderia subir na abertura da segunda-feira, 26. Caso o resultado seja diferente do esperado pelos investidores, a reação negativa poderia ser mais intensa.

“Dado o movimento que tivemos ao longo do mês, o downside é hoje certamente maior do que o upside na véspera da eleição”, afirma. “Por mais que o custo seja alto, estratégias com opções ou que ofereçam algum tipo de proteção caso o resultado não seja em linha com a expectativa nos parecem melhores do que apostas direcionais”.

Perguntas frequentes

Quanto o EWZ subiu em outubro? +

O iShares MSCI Brazil (EWZ) acumulava alta de 13,87% em outubro até as 16h de sexta-feira, 23. O desempenho colocava o fundo a caminho do melhor resultado mensal desde janeiro, quando avançou 16,59%.

Por que o EWZ valorizou antes do segundo turno? +

Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera, atribui a valorização principalmente ao resultado do primeiro turno, que reforçou as expectativas de mudança de governo e de alterações na política fiscal. Luis Castro da Fonseca, gestor da Nest Asset Management, também associa praticamente toda a alta de outubro à repercussão eleitoral.

O que é o iShares MSCI Brazil (EWZ)? +

O EWZ é um fundo lançado em 2000 sob a marca iShares, hoje da BlackRock, e replica o índice MSCI Brazil 25/50. Negociado em Nova York e cotado em dólares, o ETF reúne ações de empresas brasileiras listadas no Brasil ou no exterior.

Qual é a diferença entre o EWZ e o Ibovespa? +

O EWZ não replica exatamente o Ibovespa porque inclui empresas como Nubank e XP, listadas nos Estados Unidos, e atribui pesos diferentes a companhias presentes no principal índice da B3. O desempenho do fundo também reflete a variação do real frente ao dólar.

Os investidores estrangeiros já ampliaram a exposição ao Brasil? +

Os investidores estrangeiros de perfil mais tático já aproveitaram parte da alta de outubro, segundo Fernando Fontoura. O gestor afirma que investidores estruturais, que aplicam volumes maiores por vários anos, ainda aguardam o resultado do segundo turno antes de ampliar a exposição ao Brasil.

O que pode acontecer com a bolsa após o segundo turno? +

Segundo Luis Castro da Fonseca, novas altas são possíveis se o resultado eleitoral corresponder às expectativas do mercado e vier acompanhado de perspectivas de juros menores e real mais forte. O gestor avalia, porém, que o risco de queda no curto prazo é maior que o potencial de alta após o avanço acumulado em outubro.

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