ICE investigou milhões nos EUA buscando eleitores ilegais, diz documento
A ampla operação do DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos) contra fraudes eleitorais utilizou dezenas de milhões de registros, examinou minuciosamente dezenas de grupos sem fins lucrativos de registro de eleitores e considerou o envio de agentes infiltrados para investigar organizações suspeitas de ajudar não cidadãos a se registrarem para votar, segundo documentos internos recém-obtidos pela CNN.
Os registros, divulgados na quarta-feira (7) pela organização de defesa de direitos Democracy Forward, oferecem um panorama detalhado de uma das frentes da crescente campanha da administração Trump pela integridade eleitoral — uma iniciativa que mobilizou investigadores federais, bancos de dados de imigração e registros de eleitores na tentativa de identificar não cidadãos suspeitos de se registrarem ou votarem ilegalmente.
A HSI (Setor de investigações do Departamento de Segurança Interna) — a divisão de investigações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) — descreveu a empreitada como uma iniciativa nacional realizada em etapas, envolvendo a obtenção de listas de eleitores, análise de dados, pistas investigativas e investigações de campo.
A operação baseou-se em volumes de dados extraordinariamente grandes.
Um relatório da HSI de 1º de junho informou que investigadores haviam processado 50,6 milhões de registros provenientes de um banco de dados do Departamento de Justiça e outros 48,4 milhões de registros obtidos por Heather Honey — conselheira sênior do Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin — por meio do que o relatório chamou de "fontes independentes de informação".
O documento não identifica essas fontes independentes nem esclarece se os dois conjuntos de dados continham indivíduos distintos. A HSI afirmou que os dados estavam sendo analisados mais a fundo para identificar alvos de investigação.
Os registros destacam o papel de Honey em uma iniciativa que abrangia todo o governo federal. Seu trabalho anterior, questionando a integridade da eleição de 2020, foi abraçado por Trump e seus aliados.
Internamente, funcionários do DHS buscaram incluir a equipe de Honey na lista de distribuição dos relatórios semanais da HSI sobre fraudes eleitorais, ao passo que outro relatório atribuía explicitamente a ela o conjunto de dados de 48,4 milhões de registros.
"Parece que o presidente e seus aliados querem escolher seus eleitores, ao contrário de como as coisas deveriam funcionar em uma democracia, na qual os eleitores escolhem seus líderes", afirmou Skye Perryman, presidente e CEO da Democracy Forward, em um comunicado.
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A CNN entrou em contato com o DHS para solicitar comentários.
Os documentos também revelam que os investigadores não se limitavam a analisar casos individuais de eleitores suspeitos. Uma comparação interna indicava que a HSI estava adotando uma "abordagem investigativa baseada em redes, priorizando a análise de organizações e facilitadores em detrimento de pistas individuais".
Investigadores analisaram dezenas de organizações sem fins lucrativos e entidades de registro de eleitores na Pensilvânia, em Nova Jersey e em outros estados, além de examinarem organizações ligadas a uma empresa de Ohio suspeita de fraude no registro de eleitores.
No entanto, várias dessas análises não revelaram indícios de irregularidades. Os investigadores informaram não ter encontrado informações desabonadoras sobre dezenas de grupos de Nova Jersey examinados, nem atividades financeiras suspeitas na análise de outra organização sem fins lucrativos, tendo encerrado uma investigação separada em Ohio após esgotarem as linhas de apuração.
Ainda assim, registros analisados anteriormente pela CNN mostraram que, no Condado de Franklin, Ohio, um agente da HSI pressionou autoridades eleitorais por informações sobre diversos grupos, incluindo a Ohio Organizing Collaborative — uma organização progressista de mobilização de eleitores que foi alvo de uma operação de busca e apreensão por agentes federais em junho, quatro meses após essa troca de informações.
Além disso, a HSI cogitou táticas de investigação mais agressivas. Um relatório de junho indicava que autoridades avaliavam o uso de agentes infiltrados para interagir com organizações suspeitas de incentivar ou facilitar o registro ilegal de eleitores que não fossem cidadãos.
Nova Jersey e Pensilvânia foram apontadas como áreas prioritárias. O documento mencionava que agentes infiltrados poderiam ser utilizados para coletar provas e rastrear o financiamento caso os investigadores constatassem que uma organização estava recrutando ativamente não cidadãos para se registrarem.
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