'Dark Horse': polícia pediu relatório do Coaf sobre produtora após Prefeitura não ceder dados
A polícia investigava se recursos públicos de o contrato municipal do projeto Wi-Fi Livre financiaram atividades privadas da produtora Go Up, vinculada a Karina Ferreira da Gama.
Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino assumiu a investigação da polícia paulista em razão do envolvimento de um parlamentar federal e, neste domingo, 13, levantou o sigilo sobre o material coletado até agora. O relato da polícia mencionado acima consta nesse conteúdo.
Os alvos da polícia eram, além do ICB, a proprietária da empresa, Karina Ferreira da Gama, também produtora do filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Existe a suspeita de que o dinheiro do contrato municipal tenha irrigado o projeto cinematográfico da família Bolsonaro.
A investigação policial aponta existir uma diferença entre o dinheiro transferido ao ICB e os serviços executados: aproximadamente R$ 69 milhões teriam sido repassados ao instituto, enquanto os serviços prestados corresponderiam a cerca de R$ 43 milhões, uma diferença estimada em R$ 26 milhões. A polícia também menciona subcontratações que chegariam a R$ 98 milhões, envolvendo Make One, UltraIP, Complexys e Fast Future.
A Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, em 28 de agosto, exigiu que a polícia apresentasse primeiro fundamentos mais concretos e delimitasse melhor o que pretendia investigar e prorrogou o inquérito por mais 90 dias.
O juiz alega que a obtenção de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) precisa estar baseada em elementos concretos previamente existentes e ter finalidade específica. Apesar de a polícia estabelecer o marco temporal inicial em 20 de junho de 2024, o magistrado avalia que os investigadores não indicaram exatamente quais operações, pessoas jurídicas, relações negociais ou fluxos financeiros relacionados ao inquérito deverão orientar a pesquisa do Coaf.
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