Janones descontruiu comunicação de Lula e assumiu protagonismo na campanha

Janones conduziu a live com a participação de diversas personalidades, como os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG) e Guilherme Cortez (PSOL-SP), o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB-PE), a influenciadora Laura Sabino, as atrizes Ana Hikari e Mel Lisboa e o ator e ex-parlamentar Alexandre Frota.
"Obrigada, meu general", afirmou a ministra Margareth Menezes ao entrar na live, direto de um ato na rua —desde que assumiu a linha de frente da campanha digital, Janones foi tratado como "meu general", inclusive por Lula.
Orgulhoso de ter alcançado quase 11 milhões de membros no Exército do Lula, no WhatsApp, o parlamentar elogiou o engajamento da militância, citando como exemplos as mobilizações para o panelaço na noite em que Flávio foi sabatinado na Globo e para a profusão de fotos de artistas e ativistas "fazendo o L" e vestindo verde, amarelo ou azul, como um resgate à bandeira do Brasil, no Instagram.
"É rede e rua. Só rede não vence eleição", afirmou Janones na live.
Em 2022, o deputado desistiu de concorrer à Presidência e se tornou um dos líderes da campanha digital do PT. Na época, Lula admitiu que era muito "analógico".
De lá para cá, Janones quase foi cassado, acusado de "rachadinha" no Congresso: em 2024, Guilherme Boulos (PSOL-SP), relator da denúncia no Conselho de Ética, deu parecer favorável ao colega, e o caso acabou arquivado. Entretanto, na esfera criminal, no STF (Supremo Tribunal Federal), o parlamentar admitiu a prática e fez acordo para pagar cerca de R$ 158 mil, como ressarcimento dos valores desviados e multa.
Em 2026, o parlamentar foi deixado de lado pela campanha petista até o primeiro turno, no dia 4 de outubro.
Em abril, quando foi aberto, o "Exército do Lula" tinha apenas 50 mil inscritos, Janones estimou ao jornal Folha de S.Paulo.
Nos dias seguintes ao primeiro turno, com Flávio (47,03%) à frente de Lula (45,16%), o deputado tomou a iniciativa de impulsionar a campanha de vira-voto, deu uma guinada no tom "fofo" do discurso da esquerda e convocou a militância para a "guerra" —as metáforas bélicas se multiplicaram, e a Lula coube a insígnia de "marechal Silva".
Após vaivéns judiciais em uma queda de braço envolvendo a rival "Tropa do Flávio", liderada pelos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG) no WhatsApp, a campanha oficial do PT registrou o "Exército do Lula" no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
'Não tem precedente'
"O que Janones está fazendo não tem precedente no Brasil, especialmente vindo da esquerda", afirmou o diretor de inteligência da consultoria Quaest, Guilherme Russo, ao UOL News na quarta-feira.
Lula virou e ultrapassou Flávio em popularidade digital, segundo dados do IPD (Índice de Popularidade Digital), indicador da Quaest que considera 175 variáveis de Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube, Google e Wikipédia.
Não é de hoje a crítica de que a esquerda fica atrás da direita quando o assunto é estratégia digital.
Comandada pelo ministro da Secom, Sidônio Palmeira, e pelo presidente do PT, Edinho Silva, a comunicação da campanha é considerada ultrapassada e foi alvo de críticas internas.
Petistas históricos criticaram o que consideram um certo "encastelamento" do presidente, tratado como um "ídolo" distante do povo.
Janones não pediu licença para liderar o "Exército" —Edinho, que inicialmente se referiu à iniciativa como "autônoma", entrou na live de ontem para parabenizar o parlamentar.
No WhatsApp, o deputado passou a orientar os inscritos no WhatsApp com impactos, por exemplo, com o aumento de buscas no Google. Neste mês, a procura por "caso Ana Clara" subiu 5.000%, segundo o Google Trends.
O jargão "procure no Google" marcou presença na TV: Lula disse diversas vezes a frase durante o debate da Globo, incentivando o público a buscar mais informações sobre casos envolvendo o adversário. "Quem governa o Brasil, você ou o Google?", respondeu Flávio.
Na live, Janones se referia à iniciativa do Exército como uma "loucura".
Os últimos dias foram intensos, e ele chegou a ser internado com arritmia cardíaca na madrugada de segunda-feira (19), após acompanhar o debate da Band. Ele não foi ao debate da Globo, na sexta-feira, pois sua ex-mulher, a prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes (Avante-MG), estava lá, a convite de aliados de Flávio —ela tem uma medida protetiva ancorada na Lei Maria da Penha contra ele, o que quer dizer que ele poderia ser preso em flagrante.
Ontem, Janones pretendia participar do último ato do PT na véspera do segundo turno, mas preferiu continuar na live de 24 horas.
"Trump, Xi Jinping e Putin estão com inveja do nosso exército", disse Lula, ao entrar na transmissão, a caminho da avenida Paulista.
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