A academia de luxo de SC que cobra R$ 3 mil por mês e vai faturar R$ 120 milhões
RESUMO +
A rede catarinense de academias Wave vai abrir uma unidade de superluxo em Balneário Camboriú no próximo ano. Com mensalidade de R$ 3 mil, a academia terá apenas 500 alunos, serviços de beleza e um professor para cada três clientes. A Wave planeja crescer de sete para 17 unidades.
Quem terminar o treino nesta academia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, poderá sair de lá com o cabelo escovado, a maquiagem feita e um drinque de creatina na mão. Mas quem quiser apenas experimentar os aparelhos terá um problema: não haverá aulas experimentais nem entradas avulsas.
Serão apenas 500 alunos, com mensalidades de 3.000 reais.
Essa é a próxima aposta de Marcos Gracher, fundador da Wave, rede de academias que começou em uma sala de 300 metros quadrados, em 2000, e hoje reúne sete unidades e cerca de 15 mil alunos em Santa Catarina.
A nova academia terá um professor para cada três alunos, além de serviços de beleza e espaços de convivência. Tudo estará incluído na mensalidade.
O projeto faz parte de um plano de expansão que prevê dez novas unidades da Wave nos próximos anos. Para 2026, a receita do grupo será de R$ 50 milhões. Nos próximos dois, já deve chegar a R$ 120 milhões.
A aposta ocorre em um mercado no qual academias de baixo custo se multiplicaram, mas a empresa decidiu seguir pelo caminho contrário: espaços maiores, serviços personalizados e mensalidades mais altas.
“A gente não vai entrar para ser só mais um. Se for assim, preferimos não entrar”, afirma Gracher.
A unidade de 3.000 reais deve abrir entre o último trimestre de 2027 e o primeiro de 2028, a depender do andamento das obras.
Ao mesmo tempo, a Wave prepara novas academias em Santa Catarina, estado onde pretende concentrar sua expansão. O desafio é encontrar imóveis grandes o suficiente para sustentar o modelo de atendimento que Gracher quer oferecer. E clientes dispostos a pagar por ele.
Qual é a história da Wave
Antes de administrar academias, Marcos Gracher trabalhava na hotelaria. Nascido em Balneário Camboriú, começou aos 17 anos no hotel de 136 quartos do pai. A família também tinha negócios em shopping e cinema, e a expectativa era que ele continuasse à frente dessas operações.
Gracher entrou na faculdade de direito, embora não tivesse planos de advogar. No meio do curso, começou a frequentar uma academia e identificou uma oportunidade de negócio com dois amigos.
A ideia encontrou resistência dentro de casa. Na época, segundo ele, o hábito de pagar para fazer exercícios ainda era pouco disseminado na região. O setor era formado principalmente por profissionais de educação física, e havia dúvidas sobre o potencial de uma academia como empresa.
“Na época, academia nem era um negócio lucrativo”, afirma.
Os três decidiram abrir uma unidade em 2000. A primeira Wave tinha 300 metros quadrados. Com o aumento da demanda, o negócio ocupou a sala ao lado e depois ampliou a estrutura para cerca de 1.400 metros quadrados.
O ponto de virada aconteceu após uma viagem de Gracher à Austrália e à Nova Zelândia. Ele visitou grandes academias e voltou com a ideia de construir um prédio inteiro dedicado ao negócio.
Em agosto de 2003, começou a obra da nova sede em um terreno da família. A inauguração aconteceu em abril de 2005. Com as ampliações feitas desde então, a matriz chegou a 7.200 metros quadrados, distribuídos por seis andares.
A estrutura passou a contar com piscinas, sauna, áreas de musculação e espaços para atendimento personalizado. Segundo a empresa, a unidade está entre as maiores academias do país.
O crescimento continuou pela região. A Wave abriu operações em Itapema, Camboriú e Navegantes, além de outras unidades em Balneário Camboriú.
Como será a academia de superluxo
Hoje, as mensalidades das academias da Wave ficam, em geral, entre 300 e 400 reais. O novo projeto de Balneário Camboriú pretende dar um salto nesse preço.
A unidade terá cerca de 2.000 metros quadrados de área no piso térreo e aproximadamente 200 vagas de estacionamento. A capacidade será limitada a 500 alunos, com um professor para cada três frequentadores.
O pacote também prevê um salão de beleza, onde os clientes poderão fazer escova, penteado e maquiagem depois do treino. Haverá ainda um bar com bebidas proteicas e creatina, além de áreas para convivência.
A ideia é que os alunos encontrem no mesmo endereço espaços para exercício, cuidados pessoais e relacionamento com outras pessoas.
“Uma academia dessa é muito, também, sobre networking, é muito relacionamento. As pessoas que vão lá numa academia dessa buscam bastante isso também”, afirma Gracher.
Para o fundador, o mercado mudou de patamar nos últimos anos. Ele afirma que, antes da pandemia, não imaginava ser possível cobrar mensalidades de 500 reais em Santa Catarina. Hoje, segundo Gracher, já existem academias em Florianópolis com valores superiores a 1.000 reais.
Mas existe um limite geográfico para esse negócio.
Na avaliação do empresário, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília comportam mensalidades ainda maiores. Em Santa Catarina, ele vê espaço para academias desse padrão principalmente em regiões de renda elevada, como Balneário Camboriú.
É por isso que a Wave não pretende transformar todas as novas unidades em academias de 3.000 reais. O projeto será uma aposta específica dentro da expansão.
A concorrência das academias baratas virou um desafio?
O crescimento da Wave acontece em um mercado disputado por redes que trabalham com mensalidades menores.
Gracher cita empresas como Smart Fit, Bluefit e Skyfit, que ampliaram a presença no mercado brasileiro. Na região de Balneário Camboriú, ele afirma que boa parte das novas academias compete por consumidores interessados em pagar entre 100 e 150 reais por mês.
A Wave pretende manter distância dessa disputa por preço. “A gente não briga por isso”, afirma Gracher.
Segundo o fundador, mensalidades maiores permitem contratar mais profissionais, acompanhar os resultados dos alunos e oferecer uma variedade de serviços que seria difícil sustentar com preços menores.
A estratégia, no entanto, cria outra dificuldade: convencer os consumidores de que vale a pena pagar mais para treinar.
E a concorrência também começa a crescer no mercado premium. Gracher reconhece que novas operações com mensalidades elevadas estão surgindo e que a Wave precisará continuar investindo para preservar sua posição.
Uma das ferramentas da rede é a Universidade Corporativa Wave, criada para treinar os profissionais das diferentes unidades.
Os funcionários recebem capacitação sobre atendimento, fisiologia, biomecânica e procedimentos técnicos. Os novos integrantes passam por conteúdos obrigatórios e avaliações. O objetivo é evitar que um aluno receba orientações diferentes dependendo da unidade ou do horário em que frequenta a academia.
Qual é a estratégia de crescimento
Uma das apostas recentes da Wave ajuda a mostrar outro caminho de crescimento da rede: a aproximação com o mercado imobiliário.
Em outubro de 2025, a empresa inaugurou uma unidade no Vivapark Porto Belo, bairro planejado no litoral norte de Santa Catarina. A operação recebeu investimento superior a 3 milhões de reais, tem cerca de 1.200 metros quadrados e capacidade para atender mais de 2.000 alunos.
A academia está instalada no Vértice, edifício de uso misto dentro de um empreendimento que ocupa aproximadamente 1 milhão de metros quadrados.
O Vivapark reúne moradias, comércio, restaurantes, escolas, serviços e áreas de lazer. Diferentemente de um condomínio fechado, o bairro é aberto à circulação de pessoas de outras regiões.
Segundo a incorporadora Vokkan, responsável pelo projeto, o bairro registra mais de 130 mil acessos por mês, entre moradores e visitantes. Para a academia, a localização oferece a possibilidade de atender moradores e pessoas que trabalham ou frequentam a região.
Além disso, a Wave prevê inaugurar três academias em 2027. O plano inclui ampliar a presença em Balneário Camboriú, onde o empresário pretende chegar a seis unidades.
Apesar da meta de crescer de sete para 17 academias, Gracher descarta, por enquanto, levar a operação para outros estados.
O motivo é o custo de manter o atendimento e supervisionar os profissionais à distância. Para o fundador, crescer em um território mais concentrado é uma forma de preservar o controle do negócio. A escolha também impõe um limite à expansão. Enquanto redes de mensalidades mais baixas conseguem crescer em diferentes mercados, a Wave depende de cidades com público disposto a pagar mais e de imóveis que comportem estruturas maiores.
É nessa combinação que Gracher aposta para elevar o faturamento de 50 milhões de reais, previsto para 2026, a 120 milhões de reais nos próximos dois ou três anos.
'Perguntas frequentes'
Quando será inaugurada a academia de R$ 3 mil da Wave? +
A academia de superluxo da Wave deve abrir entre o último trimestre de 2027 e o primeiro trimestre de 2028. A data dependerá do andamento das obras em Balneário Camboriú.
O que estará incluído na mensalidade de R$ 3 mil da Wave? +
A mensalidade incluirá acompanhamento de um professor para cada três alunos, salão de beleza, maquiagem, penteado e um bar com bebidas proteicas e creatina. A unidade também terá áreas de convivência e não oferecerá aulas experimentais nem entradas avulsas.
Quantos alunos poderão frequentar a academia de superluxo da Wave? +
A nova academia da Wave terá capacidade limitada a 500 alunos. O espaço contará com cerca de 2 mil metros quadrados no piso térreo e aproximadamente 200 vagas de estacionamento.
Quantas academias a Wave pretende abrir? +
A Wave pretende abrir dez academias e ampliar sua rede de sete para 17 unidades. A empresa prevê três inaugurações em 2027 e quer chegar a seis operações em Balneário Camboriú.
Qual é a previsão de faturamento da Wave? +
A Wave prevê receita de R$ 50 milhões em 2026. Segundo Marcos Gracher, fundador da rede, o faturamento deve alcançar R$ 120 milhões nos dois ou três anos seguintes.
Por que a Wave concentrará sua expansão em Santa Catarina? +
A Wave concentrará sua expansão em Santa Catarina para preservar o controle do atendimento e da supervisão dos profissionais. Segundo Marcos Gracher, operar em outros estados elevaria o custo de acompanhar as equipes à distância.
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