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Tuesday, September 15, 2026

Cientistas encontram mais de 1.000 variantes genéticas ligadas à personalidade

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Você é naturalmente ansioso? Muito aventureiro? Mais briguento do que gostaria de admitir?

Essas tendências costumam ser medidas por meio do que psicólogos chamam de as dimensões dos "Cinco Grandes" da personalidade: extroversão, agradabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Cada traço existe em um continuum e tende a permanecer relativamente estável ao longo da vida adulta.

Mas o que determina onde você se situa nesses espectros? Cientistas sabem há muito tempo que a personalidade é influenciada por uma série de fatores —incluindo o DNA. O desafio tem sido decifrar os caminhos específicos pelos quais um projeto genético direciona, de forma sutil, o rumo da vida de uma pessoa.

Para mapear essa arquitetura vasta e complexa, um grupo de especialistas formou um consórcio de pesquisa e analisou mais de 1 milhão de genomas, em busca de variantes associadas à personalidade. Os pesquisadores também compararam os genes de milhares de irmãos e de pares formados por pais e filhos para descartar outros fatores que poderiam estar em jogo. Com dados de 46 diferentes coortes de estudo, eles encontraram uma sinfonia de 1.260 marcadores genéticos ligados à personalidade, quase dois terços deles identificados pela primeira vez.

As descobertas, publicadas recentemente na revista Nature, reafirmaram o entendimento dos cientistas de que o temperamento e a disposição são moldados não por alguns genes específicos, mas por milhares de pequenas variantes que podem se expressar em diferentes circunstâncias. A escala impressionante do projeto também trouxe novo poder estatístico ao estudo da genética da personalidade, dando aos pesquisadores um conjunto de ferramentas para investigar os mecanismos biológicos por trás de como pensamos, sentimos e nos comportamos.

"Vejo as 1.260 variantes como uma espécie de prova de que agora temos poder para responder a todas essas outras perguntas que não conseguíamos responder antes", disse Elliot Tucker-Drob, professor de psicologia da Universidade do Texas em Austin e um dos líderes do estudo.

As diferenças genéticas comuns identificadas neste estudo ainda explicam apenas cerca de 5% a 10% da variação de personalidade entre as pessoas. Mas especialistas alertam contra a ideia de pensar nos determinantes da personalidade como um gráfico de pizza, dividido em percentuais bem definidos de genes versus ambiente.

Na realidade, o DNA de uma pessoa e seu contexto estão em constante interação; as experiências são a própria ferramenta que as predisposições genéticas usam para moldar quem uma pessoa se torna.

Em estudos sobre a influência genética no nível de escolaridade, muito do que parece ser determinado pelo DNA frequentemente se revela, na verdade, privilégio dos pais ou ambiente doméstico disfarçado. Com a personalidade, porém, estudos de comparação familiar que buscaram essas variáveis de confusão revelaram que cerca de 96% da influência genética de fato vinha diretamente do próprio DNA. Isso faz sentido intuitivamente: crescer na mesma casa pode dar a irmãos pontos de partida semelhantes, mas quase nunca lhes dá temperamentos semelhantes.

A publicação é, de certa forma, uma revitalização. No fim do século 20 —a era dos estudos clássicos com gêmeos—, a personalidade era um foco central da genética comportamental. Mas, na última década, a genética da personalidade não foi estudada com intensidade nem de longe comparável à dedicada a outros traços, como o risco de desenvolver esquizofrenia, em parte porque a maioria dos traços de personalidade não era considerada clinicamente relevante.

"Era uma ausência meio evidente", disse Tucker-Drob, cujo trabalho acadêmico se concentra nas "diferenças individuais", um campo da psicologia que examina as formas pelas quais as pessoas divergem em seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Para ele, personalidade não é apenas um conceito abstrato: a maneira como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com o mundo pode ajudar a determinar quanto dinheiro ganham, os tipos de atendimento médico que procuram e a força de suas amizades.

A personalidade está "significativamente relacionada a todos os tipos de desfechos que, acho, todos na sociedade valorizam", disse ele.

A equipe de pesquisa examinou cerca de 10 milhões de variantes genéticas em todo o genoma para mapear os "Cinco Grandes". Ao agregar estudos distintos sobre vários traços, os pesquisadores conseguiram descobrir as maneiras pelas quais predisposições de personalidade se refletiam na saúde, nos hábitos e nas escolhas de estilo de vida.

Os pesquisadores encontraram 258 variantes genéticas diferentes ligadas à extroversão, por exemplo, um aumento de 15 vezes no número de variantes conhecidas anteriormente. Um perfil genético com alta extroversão parecia reduzir o risco de uma pessoa ter ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, todos os quais envolvem internalização do sofrimento. Mas o traço também foi associado a condições do neurodesenvolvimento, como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

Pessoas predispostas à conscienciosidade —ou a uma capacidade de produtividade e organização— pareciam mais propensas a se exercitar, escolher alimentos de baixa caloria e dormir bem. Escores genéticos de conscienciosidade ajudaram a prever quem sairia dos centros urbanos e se mudaria para subúrbios abastados até os 50 anos.

O neuroticismo, definido como uma tendência à instabilidade emocional, esteve previsivelmente correlacionado a 10 transtornos psiquiátricos diferentes, além de um índice de massa corporal mais alto e taxas maiores de tabagismo. Participantes do estudo com perfis genéticos elevados em neuroticismo pareciam duvidar de si mesmos em tempo real, escolhendo com frequência opções como "não sei" em perguntas de pesquisas.

Como o neuroticismo pode ser um forte preditor de doença mental, alguns pesquisadores estão particularmente interessados em como as novas descobertas iluminam possíveis gatilhos e caminhos da doença.

Dalton Conley, sociólogo da Universidade Princeton que não participou da pesquisa, ficou especialmente intrigado com a forma como os resultados do consórcio desafiaram uma teoria há muito sustentada entre psicólogos de que o neuroticismo é impulsionado principalmente por diferenças nos níveis de serotonina. Depressão e ansiedade costumam ser tratadas com sucesso com medicamentos que aumentam essa substância química.

A nova análise mostrou que as variantes de neuroticismo eram, de fato, especialmente ativas nas células cerebrais —mas não revelou nada pronunciado sobre o sistema de serotonina em particular. "Eu não diria que isso enterra essa teoria para sempre", disse Conley, "mas certamente lança dúvidas".

Outra descoberta inesperada surgiu no contexto dos relacionamentos. Geneticistas comportamentais sabem que as pessoas tendem a escolher parceiros de vida com perfis de DNA semelhantes em áreas como nível de escolaridade. Mas, no novo estudo, os traços de personalidade quase não apresentaram o chamado "acasalamento seletivo": na verdade, as variantes de personalidade entre parceiros eram combinadas, em sua maioria, ao acaso.

Em contraste, as personalidades reais dos cônjuges —especificamente, sua abertura à experiência— às vezes estavam correlacionadas, talvez porque compartilhar a vida cotidiana torne as pessoas mais parecidas com o tempo. Conley, que estuda a interação entre genes e ambiente, disse que esses fenômenos ocultos, espalhados pelo conjunto de dados, são úteis para pesquisadores como ele, interessados em compreender causa e efeito.

"O próximo estudo que tiver o dobro do tamanho da amostra encontrará 3.000 variantes, sem surpresa", disse ele. "Mas o fato de agora podermos observar a dinâmica entre personalidade e estabilidade conjugal, ou personalidade e mercado de trabalho, ou personalidade e sistema educacional — é isso que torna esta uma ferramenta realmente útil."

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