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Sunday, September 13, 2026

Tragédias também se "comemoram"? O caso do 11 de setembro

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Português Suave", sempre na Rádio Observador, edição de domingo com o João Costa e Silva e também com o Marco Neves.

Olá, tudo bem.

Em estúdio. Olá, Marco. Estamos a matar saudades.

Durante o último mês estive em falta, andei a fazer o programa mais à distância.

À distância higiênica.

Sim, mas pronto. Cá estou outra vez. Eu gosto muito de estar no estúdio, gosto muito de rádio. E cá vamos falar sobre notícias. O que aconteceu nesta última semana. Aconteceu muita coisa, mas vamos falar de uma notícia já com 25 anos, do 11 de setembro, e depois vamos avançar por aí fora, incluindo aqui uma grande mensagem que recebemos de um ouvinte que eu gostava muito de ler e de comentar. E vamos então avançar pra língua das notícias. Devo dizer que eu disse a língua das notícias, mas é a língua nas notícias.

Vamos repor a verdade.

Tivemos o 25º aniversário do 11 de setembro. É daqueles acontecimentos que quem estava vivo nessa altura sabe onde é que estava naquele momento, quando ouviu falar do que aconteceu.

Tu lembras-te bem desse momento, Marco?

Lembro. Eu ia fazer 21 anos dias depois, ainda tinha 20, mas lembro-me muito de telefonar à minha mãe. Ela estava na escola de primeiro ciclo. Nós já tínhamos telemóveis, mas minha mãe não tinha telemóvel na escola. Já não me sento bem, nesse aspecto, em que ponto é que estávamos, mas lembro que telefonei pra escola mesmo, pro telefone fixo, a dizer que queria falar com minha mãe, a dizer: "Os Estados Unidos estão a ser atacados, nós não sabemos". E ela ficou em pânico, mandou todas as pessoas da escola pra casa, ninguém ficou na escola. Foi um dia um pouco triste e diferente. Aproveito, já que estamos a falar de ser triste e diferente, eu já ouvi várias vezes a dúvida da palavra comemoração, porque às vezes as pessoas dizem que na sexta-feira comemoramos o 11 de setembro. E há pessoas que ficam incomodadas.

Pelo fato de ser algo mau e estarmos a fazer uma comemoração. Eu, por acaso, penso muitas vezes nisso e digo "assinalamos".

Assinalamos, mas a comemoração não é um problema, eu vou te explicar porquê.

Isso é uma ótima questão.

Comemoração vem de comemorar, ou seja, recordar em conjunto, ter uma memória conjunta. Não tem necessariamente que ser uma coisa positiva. Nós podemos comemorar a morte de alguém e por mais estranho que isto pareça.

Aliás, há culturas que fazem essa celebração da morte.

Mas, neste caso, o comemorar. Tal como há palavras que ganham conotações negativas, a comemoração começou a ganhar uma conotação positiva. Nós comemoramos alguma coisa positiva.

Mas eu confesso que me faz alguma confusão.

As palavras mudam, lá está.

Até porque há essa perceção das pessoas. Ou seja, se eu em rádio disser: "Vamos comemorar os 25 anos do 11 de setembro", as pessoas vão achar do gênero: "Mas vais comemorar o quê? Estamos a falar de um acontecimento..."

É como ilusão. A palavra ilusão, acho que já falamos dela aqui, ganhou uma conotação negativa em português. Nós dizemos que uma pessoa iludida ou uma pessoa com ilusão é uma pessoa que está enganada, enquanto que a mesma palavra, em castelhano, ganha uma conotação positiva. Uma pessoa com ilusão, "ilusion", está com esperanças, acha que vai conseguir fazer aquilo que tem pra fazer e é normal que o faça. A palavra comemoração parte de uma base neutra e nós começamos a dar-lhe esta conotação positiva, que depois não se encaixa bem com eventos como o 11 de setembro. Mas, na sua base, não é um erro dizer comemorar o 11 de setembro, mas eu percebo que haja esta hesitação de dizer assinalar. É uma boa solução. Até que também começa a ganhar uma conotação positiva.

Não, porque às vezes nós falamos de, assinalamos, não é, lá está, eventos que, por exemplo, os quatro anos da guerra na Ucrânia. E pra mim faz muita confusão. Mas lá está, é uma questão de perceção, dizer comemorar, até porque sei que as pessoas não vão levar isso a bem, porque acham que estamos a festejar e não é esse o objetivo.

E os jornalistas ou quem trabalha em rádio, tem que ter em conta a língua como ela existe. Porque nós não estamos a falar uma língua artificial, estamos a falar uma língua que as outras pessoas também usam.

E nós falamos muitas vezes disso aqui no "Português Suave".

Exatamente. Bem, mas isto foi aqui um pequeno desvio em relação ao plano, mas acho que é muito útil. Em relação ao 11 de setembro, é uma daquelas datas que ganham um significado próprio, como o 25 de abril, 11 de setembro, 5 de outubro. Ou seja, nós sabemos do que estamos a falar quando falamos daquela data em particular. Há que dizer que a cidade em si também é linguisticamente muito importante, porque é provavelmente, e há muitas pessoas que dizem isto, mesmo em Nova York, o território com mais concentração de línguas que há no mundo. Calcula-se que chegam a quase mil línguas maternas de pessoas que vivem em Nova York, dos nova-iorquinos. É curioso, porque nós associamos a uma só língua, o inglês, e ao mesmo tempo, é um território tão plurilingue. Devo dizer antes de avançar, isto é só uma curiosidade relacionada com a cidade onde aconteceu o 11 de setembro, começou por se chamar Nova Amsterdã, isto é bastante conhecido, passou pra Nova York e tem uma ligação a Évora, o nome da cidade.

Gostava que isto agora tivesse vídeo pra verem minha cara de espanto. O que Évora está aqui a fazer em ligação com Nova York?

Nova York está ligada à cidade de York, na Inglaterra, porque é Nova York. Muitas vezes temos estes nomes que são nova qualquer coisa. York em si Vem de uma velha palavra de origem celta, que era "Eburacum", isto já na sua versão latina, que estava relacionada com o teixo, uma árvore. Este nome deu origem a York e também deu origem cá em Portugal, o mesmo nome celta, tanto quanto se sabe, não há 100% de certeza, mas há uma forte probabilidade de ser assim, é o nome de Évora. Portanto, na origem, Nova Iorque e Évora têm a mesma raiz celta em relação ao nome. Se calhar vamos avançar pro mapa da língua.

Já fiquei surpreendido. Vamos ao mapa.

Já que estamos a falar de uma cidade muito plurilingue, lembrei-me de ver quais são as 10 línguas mais faladas, não em Nova Iorque em particular, mas nos Estados Unidos, que também é um país muito plurilingue, ao contrário do que nós às vezes imaginamos, porque associamos só a uma língua. É claro que essa língua é a mais falada, de longe, e é a língua que para todos os efeitos é oficial, embora não seja. Há uma grande discussão agora jurídica, porque o presidente Donald Trump declarou a língua inglesa como língua oficial, mas não sabemos até que ponto é que isso pode ser considerado legítimo. É uma discussão jurídica interessante, mas não é pra aqui chamada agora. As 10 línguas mais faladas nos Estados Unidos. Fui ver os dados do gabinete dos censos dos Estados Unidos, que têm dados de 2024. Perguntam às pessoas com mais de cinco anos que língua é que falam em casa. E dá um certo resultado. Esta lista que eu vou dizer agora, rapidamente, tem alguns problemas. Mas eu vou dizer os problemas à medida que vou dizendo. Já agora, eu vou deixar na cabeça dos nossos ouvintes a dúvida: será que o português está nesta lista ou não? Vamos ver. Em primeiro lugar, o inglês, obviamente, com 247,7 milhões de pessoas que declaram ser o inglês a língua que é falada em casa. Devo dizer que mesmo todas as outras línguas são faladas por pessoas que no trabalho e na rua provavelmente também falam inglês. O inglês será a segunda língua de praticamente todas as outras pessoas. Mas como primeira língua, língua doméstica, é de 247,7 milhões. A segunda língua também não é surpresa nenhuma, é o espanhol. E uso espanhol e não castelhano, porque é o termo usado nos Estados Unidos de forma unânime. A terceira língua, e aqui temos um dos problemas, os censos dos Estados Unidos, o gabinete junta as várias línguas da China. Portanto, se uma pessoa diz cantonês, vai parar a este grupo, se diz mandarim. São línguas muito diferentes, mas para os censos dos Estados Unidos é a mesma coisa e por isso o chinês aparece na lista com 3,73 milhões de falantes. Em quarto lugar, temos o tagalo, a língua da Filipina. Língua muito falada. As Filipinas foram controladas pelos Estados Unidos durante muito tempo, portanto é normal haver pessoas que vivem nos Estados Unidos e que vêm das Filipinas, 1,92 milhões. Em quinto lugar, muito por causa dos refugiados da guerra do Vietname, temos o vietnamita. Em sexto lugar, temos o árabe, com 1,48 milhões. Estive a ver e o árabe já está presente como língua minoritária nos Estados Unidos desde o século XIX. Há jornais escritos em árabe nos Estados Unidos, em Filadélfia, o que é também muito curioso. Em sétimo lugar, o francês, língua tradicional da Louisiana.

Fiquei um bocado surpreendido com o francês tão embaixo, por acaso.

Pensavas que era mais. É uma língua que nós associamos muito à Louisiana, mas não é assim tão falada, não há tanta imigração também. Não nos podemos esquecer que há aqui, em várias destas línguas, eu esqueci-me de dizer que no espanhol temos dois grupos de falantes de espanhol. Os imigrantes que vieram de outros países, falavam espanhol e vieram para os Estados Unidos, e a parte da população nas zonas dos Estados Unidos que já foram do México, que foram conquistadas e que continuaram a falar espanhol, não mudaram de língua, ainda hoje é a língua habitual. Depois do francês, temos o coreano e em nono lugar, o português.

Estamos aqui representados.

Temos aqui um problema parecido com o chinês, curiosamente. Porque o gabinete dos censos dos Estados Unidos junta o português a outra língua, que não é português, que é o crioulo caboverdiano. O crioulo caboverdiano é uma língua muito diferente do português, tem muito léxico português, obviamente, mas não tem a mesma origem, é diferente. No entanto, aqui nesta contagem está reunido ao português e, por isso, nós não sabemos exatamente. O português terá a maioria destes 1,10 milhões, mas não serão tantas as pessoas que falam português em casa.

Ainda assim, é um número considerável.

Sim, é um número considerável e os que falam crioulo caboverdiano em casa também saberão português, mas não será a língua que é falada em casa, que é a pergunta que nós estamos a fazer. E a última, em décimo, hindi. Também é falado. Vamos avançar e havemos de voltar a isto, porque há aqui alguns aspetos engraçados, noutros episódios sobre as línguas dos Estados Unidos. Vamos aos mitos e à origem. João, quantos minutos é que temos?

Deixa-me confirmar aqui o nosso cronômetro. Temos sete minutos.

Então vai dar para eu ler uma grande mensagem que recebemos do Luís Soares. Não sei se vou ter de resumir aqui alguma parte ou não, mas vou começar. Luís Soares diz-me que se chama Luís Soares, tem 42 anos, cresceu no Porto. Eu vou citar mesmo. Entre aspas: "E resido hoje em Vila do Conde e sou ouvinte regular do Português Suave. Queria deixar-vos uma pergunta a partir da fala da minha avó materna, Salvina Gonçalves, de 97 anos, nascida em Bagunte, Vila do Conde, em novembro de 1928. A pergunta em resumo é esta: a minha avó diz sistematicamente formas como 'eles iam', 'eles faziam', 'eles estavam', 'eles abriram', 'eles fizeram', em vez de 'eles iam', 'eles faziam', 'eles estavam', 'eles abriram' e 'eles fizeram'. O que é que linguisticamente está a acontecer com estas terminações?", pergunta ele. "Qual é a origem histórica deste fenómeno? Até que ponto estamos hoje a assistir ao seu desaparecimento? A minha avó teve 13 filhos e apesar da pouca mobilidade atual, continua lúcida e lê livros regularmente, frequentou a escola primária e escreve corretamente, pelo que terá sido aí que aprendeu a escrever estas formas de maneira diferente daquela que sempre usou e continua a usar espontaneamente na fala. Vive há muitos anos em Macieira da Maia, também em Vila do Conde, no baixo Vale do Ave. Há uma dimensão geracional que também me parece interessante. Alguns dos filhos ainda conservam estas terminações, mas de forma muito menos marcada e já com maior recurso ao ditongo. Entre os netos, o fenómeno ou desapareceu ou ficou mais ténue, parecendo conservar-se sobretudo nos que continuaram a viver naquela zona. Portanto, dentro da própria família, é possível observar o enfraquecimento de um traço regional e a sua relação com o território." Também me interessa o mundo em que esta fala se formou. Segundo a minha avó, nos anos 30, 40 e 50, grande parte da vida cotidiana e do pequeno comércio naquela região era feita a pé ou de bicicleta, entre freguesias e povoações, muitas vezes pelos caminhos das bolsas. Fala com absoluta naturalidade de deslocações de horas pra vender, comprar, tratar de assuntos ou visitar alguém. Tempos de viagem que fala com naturalidade. No caso do Luís, nasceu no Porto e depois teve uma vida profissional com contato frequente com pessoas de várias regiões do país e com inglês. Sempre quis falar um português relativamente neutro, mas ao ouvir a avó, e agora já não estou a citar, ele pensa, o Luís, no reverso desse processo, que fomos perdendo riqueza histórica com a uniformização das pronúncias e do vocabulário. Pergunta ele: "Será que as pessoas da geração e da região da minha avó aprenderam na escola a escrever uma língua bastante mais distante da sua fala espontânea do que acontece hoje conosco? Até que ponto formas que tinham história, coerência e raízes regionais foram sendo classificadas como incorretas ou provincianas apenas por não corresponder à pronúncia prestigiada ou urbana? E quanta desta diversidade ainda conseguimos compreender antes de desaparecer com as últimas gerações que a conservam naturalmente?" Ele envia-nos também um pequeno excerto. Não sei se é possível passar.

Eles abriram ali uma porta e fizeram uma entrada direta à escada que vai lá pra cima, que ia pra sala. Pra entrar por ali e ir direto pra escada lá do templo. Eu nunca fui lá, mas sei que abriu. Sei que abriram lá uma porta, ali naquela direção.

Muito bem. Eu gostava primeiro de cumprimentar o Luís e a avó, e dizer que tenho muitas coisas a comentar sobre isto. Nem sei se vamos ter tempo pra tudo. Eu não sei a origem particular daquela terminação, mas é muito natural. Nós sabemos que uma vogal é só um gesto que nós fazemos com a boca, ou seja, é uma forma de abrir a boca, e um ditongo é uma forma de abrir a boca que vai deslizando pra outra forma. E há muitas mudanças ao longo do território, e há uma maior tendência para a ditongação mais pra sul em certos casos, mas também para a monotongação, que é outro grande, noutros casos. Mas agora eu gostava de falar daquilo que ele diz no final. Primeiro, ele está aqui a preservar, de facto, um traço daquela região. E nós sabemos que a forma de falar pode ser diferente numa terra, numa família. Ou seja, o que ele está a fazer é registrar esta forma, que provavelmente se está mesmo a perder. Eu posso dizer que sim, tudo aquilo que ele diz, eu concordo. O português relativamente neutro dele é um português baseado na fala de determinada parte da população, nas cidades entre Lisboa e Coimbra. Esta é a definição.

Aliás, diz-se muitas vezes que em Coimbra é onde se fala o melhor português.

As cidades de grande dimensão entre Lisboa e Coimbra, que incluem cidades como Leiria. Mas nós saímos de Coimbra, de Lisboa e de Leiria, pra dois ou três quilômetros ao lado, pra uma aldeia, a forma de falar já é completamente diferente. E mesmo dentro destas cidades, depende do bairro, depende da classe social.

Esta questão que o Luís falava aqui, regional. Ou seja, eventualmente, algo dito muitas vezes, e pode não ser algo institucionalizado, mas em casa dessa família pode se tornar normal.

Sim, pode se tornar um familioleto. Mas neste caso eu penso que é mais uma forma dialetal. Quando eu digo dialetal, não estou falando de um dialeto no sentido de uma coisa já definida, mas uma variação daquela região. O que eu queria dizer é que há esta forma relativamente neutra, que na verdade, por motivos históricos e por motivos fora da língua, acabou por ser a forma mais prestigiada, como ele próprio diz. E estamos, de facto, a perder tudo o resto, e acho que é muito importante que pessoas como o Luís vão registando e vão tendo este carinho também por essas formas que já estamos a perder.

É isso mesmo, e este registro é, de facto, muito bonito e que podemos ouvir aqui também no "Português Suave". E Marco, agora está na hora, vamos ao livro da semana. Um dia quero fazer isto com esta banda ao vivo. Sempre uma entrada grandiosa.

Já temos muitas promessas. Temos de fazer o "Português Suave" ao vivo e se calhar temos que fazer ao vivo com uma banda, que vai fazer os acordes.

Mas vêm lá só pra isto.

Só pra isso. Depois estão sumidos. O livro que eu trago hoje é um livro que, por acaso, começou no "Observador", num artigo escrito no "Observador" há alguns anos, por Rui Passos Rocha, que depois deu em livro. O livro chama-se "Histórias que as ruas contam", que eu vou tentar ver qual é a editora, que é um livro sobre os nomes que nós damos às ruas. E é da editora Planeta. O que o Rui Passos Rocha faz neste livro é olhar pra todos os nomes que nós damos, os nomes que se repetem. Há muitos nomes que se repetem pelo país fora. Há nomes que mudaram, como nós sabemos. Há muita comemoração, como nós já falamos hoje, do 25 de Abril. Por exemplo, isso, claro, são nomes que só puderam ser dados depois do 25 de Abril. Há nomes de pessoas, há nomes de praças também. Como ele explica no fim, isto é um livro sobre os topônimos. Mas centrado não nos nomes das terras, mas sim nos nomes das ruas, das avenidas. E eu já encontrei por lá histórias muito curiosas que não vou aqui revelar, mas que aconselho a ler. O livro tem uma história pessoal. Eu recebi o livro, tive muita curiosidade pra ler, mas não sei se isso acontece com mais pessoas, e até gostava de perguntar. Ficou em cima de uma De um livro, entretanto apareceu outro que o escondeu e nunca mais me lembrei dele. Durante meses e meses, até que depois, de repente, numa desarrumação ou arrumação, o livro lá me apareceu à frente.

Essa sensação é boa, não é? A sensação de que encontramos um pequeno tesouro.

É como se nós tivéssemos a novidade de um livro duas ou três vezes quando ele nos aparece depois de o termos visto pela primeira vez. E já me aconteceu encontrar livros que eu não fazia a mínima ideia que tinha lá em casa, que também foram grandes surpresas. Fica aqui a recomendação, "Histórias que as ruas contam", de Rui Passos Rocha. E faço aqui um desafio para quem nos está a acompanhar em podcast, que façam também sugestões de livros sobre línguas ou línguas que acharam interessante.

Sim, de livros que leem, que acham que façam sentido.

Claro que tem que ter alguma ligação à língua, mas pode ser assim numa forma muito vaga. Por isso, fica aqui também o meu pedido.

Olha, na semana passada gostaram muito da sugestão do livro da Joana Bertolo. Estou a ver aqui nos comentários do Spotify. E lembras-te que falámos das várias formas de dizer pão ou para diferentes variedades de pão. A Lúcia Fonseca diz: "Eu chamo pão a tudo e só sei que o pão tem cada vez menos qualidade".

Se calhar tem menos qualidade porque as pessoas chamam a tudo. Ela começa a distinguir os vários tipos de pão que existem, se calhar as pessoas vão começar: "Para esta cliente eu tenho que buscar aquele pão especial".

O Nuno Silva diz que no Porto se diz molete. Também já tinha ouvido esta expressão, por acaso. O Tiago Castro diz: "Roca ao domingo e molete no resto da semana, pelo menos em Ponte de Mar é assim".

Parece uma noção temporal.

Não, pode ser tipos de pães de fim de semana.

Já falámos disto há muito. Eu lembro-me que há uns meses nós tivemos um episódio em que falámos precisamente de como há um pão especial para determinada altura da semana.

A Júlia Ferreira diz: "Eu cresci a comprar moletes em Vila do Conde e papos secos ou bicas em Vila Nova de Poiares. Quando dei aulas em Lagoa, no Algarve, pedia um pão, perguntaram-me se queria de quilo ou meio quilo, então percebi que ali tinha de chamar papo seco. Entretanto, já ninguém sabe o que é um molete."

Ainda há pessoas que sabem, como estamos a ver.

Sim. O Francisco Fernandes diz que em Vale do Ave se diz trigo e a minha avó também dizia sempre trigo.

Como ainda estamos a falar de um livro, eu acho que deveria haver um livro só com os nomes do pão.

É verdade.

E se calhar até há.

E sabes quem é que ia gostar muito desse livro? Porque eu sei que gosta imenso de pão, o Nuno Marko. É uma pessoa que faz questão de, em todos os seus trabalhos, ter uma referência ao pão. Ele é uma pessoa que adora pão.

Eu ouço muitas vezes, nunca tinha reparado nessa intenção.

Sim, como ele diz muitas vezes: "Gosto muito de pão". E ficamos aqui com esta referência também.

Quarta-feira temos as dúvidas. Temos as dúvidas que podem ser enviadas para o portuguesfaca@observador.pt. Acho que já tínhamos dito hoje, mas fica sempre bem.

Sim, e o número de telefone, que é o 91 002 41 85. Podem enviar-nos áudios, mensagens de voz, até 30, 40 segundos. Já neste episódio ouvimos a voz Albina e gostamos muito sempre de ouvir os nossos ouvintes. Marco, um abraço e até quarta-feira.

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