Na Assembleia Geral da ONU, Trump espalha ameaças, fala em aniquilar o Irã e em voltar a usar força militar na América Latina

Faltando seis semanas para as eleições pro Congresso dos Estados Unidos, Donald Trump abriu o discurso com uma mensagem aos eleitores americanos. O presidente diz que já criou mais de 1 milhão de novos empregos e que o mundo sente inveja da economia americana. Esta semana, a aprovação do governo Trump caiu para 32%, o índice mais baixo para o presidente.
A guerra contra o Irã foi o assunto que tomou mais tempo no discurso de quase 40 minutos. Trump acusou o Irã de financiar grupos terroristas e planejar ataques contra países aliados e tropas americanas no Oriente Médio. O presidente reafirmou que nunca permitirá que o governo dos aiatolás tenha uma arma nuclear e diante do representante iraniano, ameaçou aniquilar o país.
"Mas tenho uma grande decisão a tomar... Vou firmar um acordo com o Irã que lhe permita se reconstruir e criar um país muito mais grandioso do que jamais foi, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, para nunca mais deixar que eles voltem a matar e destruir pessoas e países?", disse Donald Trump.
Na Assembleia Geral da ONU, Trump espalha ameaças, fala em aniquilar o Irã e em voltar a usar força militar na América Latina — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Trump celebrou a captura de Nicolás Maduro em janeiro. O ditador venezuelano está preso em Nova York. Diante da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, Trump afirmou:
"Nossas ações na Venezuela são uma prova de que os EUA não permitirão mais que ameaças aos americanos se instalem em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental".
Trump ameaçou usar a força militar na América Latina:
"E, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos".
Trump afirmou que depois que voltou à Casa Branca, classificou cartéis de drogas nas Américas como organizações terroristas estrangeiras. O presidente defendeu os ataques contra embarcações de traficantes no Caribe e comparou os cartéis aos terroristas do Estado Islâmico. Trump disse ainda que o México é o epicentro da violência. Ele não mencionou o Brasil.
A delegação cubana se retirou da assembleia quando Trump afirmou que os Estados Unidos buscam uma mudança fundamental na ilha. Trump disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, que é filho de dissidentes cubanos, está negociando com o governo comunista. Em outras ocasiões, o presidente ameaçou fazer uma intervenção militar em Cuba. Nesta terça-feira (22), reforçou que está pressionando o regime:
"É a maior pressão que eles já sofreram. É um Estado completamente fracassado. Ele está fracassando como nunca e vai cair".
Sobre inteligência artificial, Trump disse:
"Vamos encorajá-la e não restringi-la. Não vou coibir o crescimento de algo que será maior do que a revolução industrial, ou talvez até do que a internet".
O presidente rejeitou a ideia de criar um sistema global pra controlar o setor.
Na Assembleia Geral da ONU, Trump espalha ameaças, fala em aniquilar o Irã e em voltar a usar força militar na América Latina — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Quem também discursou nesta terça-feira (22) foi o secretário-geral da ONU, António Guterres, que deixará o comando das Nações Unidas em 2026 após uma década no cargo. No último discurso pra Assembleia Geral, ele também falou sobre o futuro da tecnologia. Guterres disse:
"Estamos testemunhando uma transferência de poder dos governos para um punhado de empresas privadas, das pessoas para as máquinas, com a inteligência artificial saindo do controle".
O secretário-geral defendeu a cooperação global no setor para que os países adotem os mesmos padrões de segurança. Ao se despedir, foi aplaudido de pé por quase todas as delegações. A americana não se levantou.
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