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Thursday, September 24, 2026

Ministério Público de SP denuncia falsos médicos suspeitos de envolvimento em oito mortes na capital

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O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta quarta-feira (23) Marcos Philipe de Barros e Mayke Cesar Silva, dois falsos médicos suspeitos de estarem ligados à morte de oito pessoas em um hospital particular da zona leste da capital.

Ambos eram investigados desde o ano passado pela atuação clandestina na unidade. Segundo a apuração, eles forjaram a identidade médica a partir do registro profissional de outros médicos, que não sabiam da fraude. A apuração fala em 8.000 pacientes atendidos pelos farsantes.

Procurada nesta quarta, a defesa de Mayke Cesar, representada pela advogada Rosana Machado, afirmou que não existem elementos para comprovar o dolo nas mortes citadas pela investigação. Disse, ainda, que Mayke é estudante de medicina matriculado no último período do curso, e atuava na condição de estagiário no hospital, sob supervisão de outro médico.

"Quanto aos óbitos apurados, a tese defensiva sustenta a ocorrência de causas naturais, por intercorrências clínicas decorrentes de comorbidades preexistentes, devidamente documentadas em prontuário médico. Uma das pacientes deu entrada já em estado grave, em quadro de dengue hemorrágica, inconsciente, removida por meios próprios de outra unidade hospitalar. A segunda paciente era portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica em estágio avançado" disse Rosana à Folha.

A defesa de Marcos não foi localizada até a publicação desta reportagem.

Policiais civis em campana na frente do condomínio onde Marcos morava, em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, o filmaram durante a aplicação de tirzepatida em uma paciente. Ele também dava consultas via telemedicina da própria residência.

A investigação mostrou que Mayke utilizava os documentos de um homônimo de Catanduva. Marcos usava o nome de um profissional cuja assinatura do carimbo é "Nicolas J. D. M.", de Marília. Segundo a polícia, os dois profissionais do interior paulista são vítimas e não possuem qualquer envolvimento com os investigados.

Em maio, durante uma segunda fase da apuração que prendeu Mayke, o Hospital das Clínicas Jardim Helena diz que foi mais uma vítima da atitude ilegal dos investigados e que, ainda na primeira fase da mesma operação, apresentou registro de boletim de ocorrência assim que foi procurada pelas autoridades policiais. Afirma também que os investigados são terceirizados, e que a direção iniciou sindicância interna.

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