Você sabe o que é NOLT? Entenda o conceito que está em alta
O envelhecimento ganhou uma nova sigla e ela está movimentando debates nas redes sociais, no mercado de consumo e até em estudos sobre comportamento. NOLT, abreviação de New Older Living Trend, ou “nova tendência de viver a maturidade”, surgiu para definir um grupo de pessoas acima dos 60 anos que rejeita os antigos rótulos ligados à velhice e busca uma vida mais ativa e autônoma.
O conceito NOLT está se espalhando rapidamente, impulsionado principalmente pelas redes sociais e pela crescente discussão sobre longevidade. A ideia central do movimento é simples: envelhecer não significa desaparecer socialmente. Ao contrário, os chamados “NOLTs” defendem a continuidade da vida profissional, afetiva, intelectual e cultural mesmo após a aposentadoria.
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Diferentemente das expressões “terceira idade” ou “melhor idade”, consideradas ultrapassadas por parte desse grupo, o termo NOLT tenta romper com estereótipos históricos associados ao envelhecimento. O perfil descrito pelo conceito inclui pessoas que continuam viajando, estudando, trabalhando, frequentando espaços culturais, criando conteúdo digital e mantendo uma rotina social ativa.
“O termo representa uma mudança na forma como enxergamos o envelhecimento atualmente. Diferentemente da visão antiga, que associava a maturidade à limitação ou à perda de protagonismo, o conceito de NOLT reflete uma geração de pessoas acima dos 60 anos mais ativa, conectada, independente e participativa. São indivíduos que continuam trabalhando, estudando, empreendendo, viajando, consumindo tecnologia e buscando qualidade de vida, propósito e bem-estar”, explica Marco Aurélio Nascimento, médico e professor de Geriatria na Afya Goiânia.
Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano passado, a expectativa de vida do brasileiro é de 76,6 anos, o que mostra que o país já vive uma transformação demográfica significativa. Atualmente, são mais de 32 milhões de brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais, representando cerca de 15% da população.
O crescimento da tendência acompanha uma transformação demográfica global. O Brasil envelhece rapidamente e projeções indicam que, nas próximas décadas, a população acima dos 60 anos terá participação cada vez maior na economia e no consumo. Esse cenário fez com que setores como turismo, moda, tecnologia, saúde e entretenimento passassem a olhar para o público maduro de maneira diferente.
“Vemos pessoas permanecendo mais tempo no mercado de trabalho, empreendendo, compartilhando experiência e fortalecendo relações entre gerações. Além disso, cresce a necessidade de cidades mais acessíveis, políticas públicas voltadas à longevidade e serviços pensados para esse público, o que movimenta inclusive a chamada economia prateada. Também é importante destacar que envelhecer de forma ativa contribui para reduzir isolamento, dependência e perda de funcionalidade”, acrescenta Polianna Souza, geriatra e cofundadora do canal Longidade.
Especialistas apontam que o fenômeno também expõe uma mudança cultural mais profunda e que as pessoas se preparem para chegar a essa idade com qualidade de vida. Também é necessário que o avançar da idade deixe de ser visto como fase de retração; o conceito NOLT propõe uma visão ligada à permanência, experiência e protagonismo. O envelhecimento deixa de ser tratado apenas como perda física e passa a ser associado à liberdade de escolha e à construção contínua de projetos pessoais.
“Envelhecer é um processo, e a gente vai precisar ter mais responsabilidade nesse processo. Temos que entender que nós vamos viver muito mais que 70, 80 anos, mas, para que essa velhice seja válida e com autonomia, é necessário desde cedo começar a traçar estratégias e se perguntar que tipo de velho eu quero ser. E, com isso, entender que preciso ter uma alimentação saudável, fazer atividade física regular, pensar nas noites de sono e em todas essas necessárias para ter qualidade de vida”, acrescenta Roberta França, geriatra especialista em longevidade consciente e saúde mental.
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