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Saturday, October 17, 2026

Livre no Porto: "brutalidade inaudita" exige responsáveis

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O porta-voz do Livre Jorge Pinto considerou esta sexta-feira evidente que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) teria de abrir um processo administrativo aos incidentes ocorridos na madrugada de quinta-feira no Porto e que causaram 39 feridos.

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“Era evidente que a IGAI teria de averiguar aquilo que aqui se passou e, na verdade, o Livre, logo imediatamente a seguir a ter acontecido aquilo que aconteceu aqui na madrugada de quinta-feira, enviou uma série de perguntas ao ministro da Administração Interna, onde, entre outras coisas, exigíamos esclarecimentos em relação à cadeia de comandos, quem é que afinal deu ordens para acontecer aquilo que aconteceu e quem é que tem a responsabilidade por toda a violência gratuita e completamente desproporcional que aqui vimos”, disse no Porto onde se juntou ao protesto do movimento pela habitação.

E prosseguiu: “este processo que a IGAI agora irá abrir faz todo o sentido, é o processo natural das coisas, esperaremos ansiosamente pelas suas conclusões”.

Jorge Pinto criticou também a “desproporcionalidade de uma brutalidade inaudita”, verificada naquela madrugada, “algo que é, eu julgo, inédito na história” da democracia em Portugal, “contra manifestantes pacíficos (…), que continuam a ser pacíficos e, se calhar, é isso que também não agrada ao Governo”.

Para o deputado, o Governo tem “feito declarações quase provocatórias” em relação ao que aconteceu no Porto, “seja o primeiro-ministro quando fala de razões egoístas para aqui estar, seja hoje mesmo o ministro Carlos Abreu Amorim uma vez mais a tentar provocar os manifestantes quase que parecendo que querem que haja violência”.

Para o político, aquilo que “estas pessoas no Porto têm mostrado é que são pacíficas, que estão a exercer o seu direito legítimo e democrático à manifestação de uma maneira pacífica“, afirmando, ainda, “muito convencido que vai continuar a ser assim”, dessa forma mostrando que “o Governo não está a agir corretamente.”

Jorge Pinto atribuiu também responsabilidades pelo sucedido ao presidente da Câmara do Porto, quando “vem dizer que é preciso ser implacável, é evidente que aquilo que acontece no dia a seguir a estas declarações não pode ser desligado destas declarações de Pedro Duarte”.

“E no dia a seguir vir chorar sobre o leite derramado, quase fazendo um mea culpa em relação àquilo que aqui aconteceu, bem, se calhar devia tê-lo feito antes. Deveria ter pensado como é que podia haver um diálogo mais eficaz com as pessoas que aqui estão e assumir as suas responsabilidades enquanto Presidente da Câmara”, apontou o deputado.

Na noite de quinta-feira, a partir das 19h00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para se manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve “resistência”.

A última concentração deslocou-se, durante alguns minutos, até à Câmara do Porto, em frente à qual o protesto decorreu antes de regressar à Praça D. João I em que tem decorrido desde que começou.

Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.

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