Maroon 5 agrada, mas não empolga no Rock in Rio com show calculado até demais

Em nova visita ao festival carioca, banda abriu mão de músicas mais recentes para oferecer repertório quase inteiro de hits; eficiência convenceu, ainda que sem provocar catarse
Igor Miranda (@igormirandasite)
Maroon 5 meio que se tornou o Jota Quest gringo: alvo fácil de críticas, mas inegavelmente eficiente no que faz. No caso de Adam Levine e companhia, é ainda mais flagrante a intenção de soar o mais comercial possível, ainda que uma parcela do público anseie pela retomada de uma sonoridade mais orgânica como a ouvida no bom álbum de funk/soul Songs About Jane (2002). De certa forma, eles até tentaram isso no trabalho mais recente, Love is Like (2025), mas o fato de não ter rolado nenhuma canção desse disco no show deste sábado, 12, no Rock in Rio explica muita coisa.
Também é esclarecedor notar que, mesmo com críticas constantes, o grupo completo por Jesse Carmichael (guitarra), James Valentine (guitarra), Matt Flynn (bateria), PJ Morton (teclados) e Sam Farrar (baixo) foi headliner da segunda data a esgotar ingressos mais rapidamente — atrás apenas do dia 6. Claro, as outras atrações também ajudaram nas vendas, mas é fato que o público brasileiro, em especial, curte Maroon 5.
E há razões para isso. Eles são realmente eficazes. Construíram um enorme catálogo de hits. A performance é azeitada. Adam, fiapo de voz à parte, se apresenta como uma figura carismática — e uma parcela dos fãs também aprecia sua estética, dados os gritos ouvidos quando ele tira a camiseta em “Don’t Wanna Know”. Tudo meio burocrático? Claro. Mas funciona.
Até a incursão ao rock com a abertura “Harder to Breathe” (iniciada numa dinâmica que remete a “War Pigs”, do Black Sabbath) é feita para convencer. Iluminação vermelha, quente, mantida parcialmente para a dançante sequência com “Lucky Strike”. Nada avassalador, mas diverte.
O show começa a engrenar mesmo a partir de “This Love”, terceira e uma das mais interessantes do set, com direito a solo de guitarra de Levine executado num modelo EVH Wolfgang, idealizado por ninguém menos que Eddie Van Halen. Tocou melhor do que cantou.
A partir daí, hit atrás de hit. Raras bandas podem lançar mão de um sucesso como “Animals” logo nos primeiros 20 minutos. Imediatamente vêm a grudenta “One More Night”, a classuda “Sunday Morning”, a balada “She Will Be Loved” e a envolvente “Maps” para lembrar da força desse catálogo.

De tão eficiente, por vezes fica moroso. Talvez por isso o Maroon 5 não tenha provocado o mesmo tipo de catarse que Demi Lovato, no mesmo palco, pouco tempo antes. É tudo calculado demais. Mas pode ser justamente isso que assegure a eles a posição de headliner.
E não é sempre que a performance traz ares formulistas. Um exemplo se dá logo após “Sunday Morning” com as execuções do funky-blues “Heavy”, canção solo de PJ Morton integrada ao set do grupo, e “Won’t Go Home Without You”, semibalada esquecida em turnês anteriores e resgatada para o giro atual. Outra boa passagem conta com Adam descendo para a plateia em “She Will Be Loved”. Ao menos na grade, houve euforia.
Entre “Don’t Wanna Know” — momento em que os presentes pareciam mais preocupados em vestir capas de chuva do que apreciar a performance — e o encerramento “Sugar”, houve sete hits incontestáveis, incluindo “Moves Like Jagger” e “Payphone”. Poucos momentos de excitação coletiva por parte da plateia. Ainda assim, dificilmente alguém sairia reclamando. O show foi bom.
O sábado esgotado no Rio já sugeria, aliás, que o público não estava procurando reinvenção. Queria exatamente aquilo que a crítica tantas vezes condenou: o Maroon 5 sendo inescapavelmente Maroon 5. Nas qualidades e nos pontos em que muitos veem como falha.

Setlist:
- Harder to Breathe
- Lucky Strike
- This Love
- Stereo Hearts
- Animals
- One More Night
- Misery
- Sunday Morning
- Heavy (original de PJ Morton)
- Won’t Go Home Without You
- Memories
- She Will Be Loved
- Maps
- Love Somebody
- Don’t Wanna Know
- What Lovers Do
- Makes Me Wonder
- Girls Like You
- Moves Like Jagger
- Payphone
- Sugar
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Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.
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