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Friday, September 11, 2026

Mário Frias e empresa investigada transferiram R$ 1,4 milhão para produtora de 'Dark Horse', aponta PF

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Investigadores questionam capacidade financeira de Frias para realizar repasses de R$ 645 mil em menos de dois meses

Foto: Reprodução/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) identificou transferências que somam cerca de R$ 1,4 milhão feitas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pela NTT Brasil para a Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do g1. 

Segundo a investigação, Frias transferiu R$ 645,4 mil para a produtora, enquanto a NTT Brasil enviou outros R$ 750 mil. As movimentações constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas realizadas nesta quinta-feira (10) em uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares.

Os R$ 645,4 mil foram transferidos por Frias em um período inferior a dois meses, no fim de 2025. A movimentação chamou a atenção dos investigadores, que questionaram o “lastro financeiro” do parlamentar para realizar os pagamentos.

A PF destacou que os rendimentos mensais de Frias eram de R$ 44.008,52 e afirmou que o valor coloca “em questão o lastro financeiro” para transferências de R$ 645,4 mil em menos de 60 dias.

PF analisa repasse de R$ 750 mil feito pela NTT

Os investigadores também analisam uma transferência de R$ 750 mil realizada pela NTT Brasil para a Go Up Entertainment.

A empresa é administrada pelo empresário Heric Dias e, segundo a investigação, está ligada a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da Go Up.

A PF chamou a atenção para a proximidade entre o repasse de R$ 750 mil e cerca de R$ 700 mil que o ICB havia transferido para duas empresas apontadas como integrantes do mesmo grupo empresarial: a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional.

As duas empresas foram contratadas pelo ICB no âmbito de um termo de fomento. O instituto, por sua vez, recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares de Mário Frias.

A PF ressalva, porém, que os elementos reunidos até o momento não permitem afirmar que os R$ 750 mil enviados pela NTT para a produtora tenham origem direta nos recursos recebidos do ICB. Para os investigadores, a proximidade entre os valores e o período em que as operações foram realizadas são circunstâncias relevantes para a apuração.

“No que concerne ao presente caso, como já se destacou em tópico próprio, tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB”, afirmou a PF.

A investigação também identificou vínculos anteriores entre pessoas ligadas ao grupo empresarial e Mário Frias. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela PF, Luiza Tessari Dias, mulher de Heric Dias, doou R$ 70 mil à campanha do parlamentar em 2022.

Produtora movimentou R$ 19 milhões

As movimentações ocorreram no período próximo às gravações de “Dark Horse”, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

Segundo a investigação, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro daquele ano. Foram aproximadamente R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. As operações foram classificadas como atípicas na comunicação financeira analisada pela PF.

Entre os principais destinatários dos recursos aparecem o Hotel Unique, que recebeu R$ 906,7 mil, e a Foodflix Alimentação, com R$ 653,1 mil. Também foram identificados pagamentos para empresas ligadas à área de produção.

Os investigadores destacaram a natureza das despesas, que envolviam hospedagem em hotel de alto padrão, alimentação e serviços de produção, além da proximidade temporal com as filmagens da cinebiografia.

Investigação apura emendas destinadas ao ICB

A operação realizada nesta quinta-feira investiga suspeitas de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Mário Frias e outros investigados foram alvos das buscas autorizadas por Flávio Dino.

A apuração teve origem em irregularidades identificadas na execução de emendas destinadas, entre outras entidades, ao Instituto Conhecer Brasil. Frias destinou R$ 2 milhões ao ICB por meio de duas emendas.

Segundo a PF, parte dos recursos foi posteriormente repassada pelo instituto a empresas contratadas para executar os projetos. A investigação identificou vínculos entre alguns desses fornecedores, empresários ligados a eles e pessoas próximas ao parlamentar.

A partir dessas informações, os investigadores passaram a analisar também as movimentações da Go Up Entertainment e uma possível conexão entre recursos relacionados ao ICB, empresas contratadas pela entidade e valores enviados posteriormente à produtora de “Dark Horse”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias classificou a operação como uma “cortina de fumaça”. O deputado negou irregularidades, afirmou que colaborará com as investigações e disse acreditar que o caso será arquivado.

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