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Saturday, October 31, 2026

Jorja Smith entrega espetáculo chique e dançante em sua aguardada volta ao Brasil

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Sete anos após se apaixonar pelo país no Lollapalooza 2019, a cantora britânica voltou com o repertório mais eletrônico da carreira e entregou uma noite elegante no Espaço Unimed

Kadu Soares (@kadusoares__)

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Jorja Smith
Jorja Smith no Espaço Unimed, em outubro de 2026 (Foto: Kadu Soares | @kadusoares__)

Em algum momento da noite desta última sexta, 30, no Espaço Unimed, em São Paulo, Jorja Smith pausou o show para lembrar da sua primeira passagem no Brasil, no Lollapalooza 2019. Sem hesitar, declarou que aquela tarde havia sido um dos shows mais importantes da carreira e seu favorito de toda a vida.

De lá para cá, muita coisa mudou na trajetória da cantora de Walsall. Lost & Found (2018), lançado poucos meses antes daquela passagem pelo Brasil, havia recebido indicação ao Mercury Prize e firmado seu nome como uma das vozes mais singulares do R&B britânico. Nos anos seguintes, o reconhecimento só cresceu. Recebemos dois novos álbuns — Be Right Back (2021) e falling or flying (2023) —, singles interessantíssimos, mas nada de um show por aqui. Uma apresentação até havia sido marcada para 2025, no mesmo Espaço Unimed, mas foi cancelada por motivos pessoais da cantora, sem maiores explicações.

Ainda bem! Porque se o show tivesse acontecido no ano passado, a plateia desta sexta não teria ouvido o que ouviu. Nos meses seguintes ao cancelamento, Jorja lançou What Are The Odds (2026) e mudou de direção com uma radicalidade que poucos antecipavam: o R&B de harmonias suaves deu lugar ao drum n bass, ao UK garage, ao funky house, ao afro house e ao 2-step — ritmos que ela absorveu crescendo nas Midlands. A nova vertente agradou — e muito — os fãs, mas trouxe consigo uma pergunta: como isso funcionaria ao vivo? Todos sabiam do potencial live do R&B de Jorja, mas como equilibrar esses dois mundos?

“Blue Lights” abriu o espetáculo em terreno familiar. A primeira parte do show — “Teenage Fantasy”, “Addicted”, “Feelings”, “Where Did I Go?” e “Greatest Gift” — exibiu o que todos já sabiam: aquela voz. Potente, característica, reconhecível em menos de um segundo. Ela preencheu o Espaço Unimed sem esforço aparente e foi o ponto mais alto da noite do início ao fim.

Quando chegou a vez de “Try Me”, “For Life” e “Alive” — as faixas mais eletrônicas de What Are The Odds —, Jorja ainda buscava o equilíbrio. “Try Me” foi reproduzida praticamente idêntica ao streaming, sem reinterpretação. Entretanto, “For Life” e “Alive”, irresistíveis no disco, não transferiram a mesma energia para o palco. A convivência entre os dois mundos ainda estava sendo negociada na frente do público.

A partir de “I Lied You Lied”, o show encontrou o seu passo. “Dancing” saiu melhor do que no disco — batuques adicionais e uma textura rítmica mais viva que justificou a experiência ao vivo.

Tudo isso, embalado com interações com o público, que iam de risos impressionados a histórias, como a de “Don’t Watch Me Cry”, em que Jorja conta que escreveu a música aos 18 anos, numa época em que, ela brinca, nunca havia namorado. De lá em diante, ela foi se soltando: passou a dançar mais, a interagir com mais desprendimento.

A sequência, sem pausa, de “The One”, “Come Over”, “London City”, “This City”, “What’s Done Is Done” e “Little Things” marcou a entrega definitiva à pista — dessa vez, sem reservas. “On My Mind” e “Be Honest” fecharam o set principal com o ânimo lá em cima, mais energéticas do que qualquer momento da primeira metade havia entregue.

O bis surpreendeu. “Tomorrow” em versão acústica — voz e piano — foi o momento de maior intensidade da noite e o encerramento perfeito. Uma demonstração do que aquela voz consegue sozinha. O Brasil esperou mais de um ano por esse show. Valeu a espera.

Setlist Jorja Smith

  1. “Blue Lights”
  2. “Teenage Fantasy”
  3. “Addicted”
  4. “Feelings”
  5. “Where Did I Go?”
  6. “Greatest Gift”
  7. “Try Me”
  8. “For Life”
  9. “Alive”
  10. “I Lied You Lied”
  11. “Dancing”
  12. “Falling Or Flying”
  13. “Burn”
  14. “Feb 3RD” (versão acústica)
  15. “Don’t Watch Me Cry”
  16. “The One” / “Come Over” / “London City” / “This City” / “What’s Done Is Done” / “Little Things”
  17. “On My Mind”
  18. “Be Honest”

Bis:

  1. “Tomorrow” (versão acústica)

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Kadu Soares (@kadusoares__)

Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.

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