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Wednesday, November 4, 2026

A impopularidade de Trump levou a uma vitória histórica

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E os sinais não vinham apenas das duas Carolinas. Na Flórida, a candidata apoiada pelos socialistas democráticos (DSA) Angie Nixon não conseguiu conquistar o lugar no Senado, mas bateu-se melhor do que o esperado — o que ilustra a queda do movimento MAGA até no estado que ao longo dos últimos anos se tornou o expoente máximo do trumpismo. Apesar do gerrymandering na Flórida que alterou as fronteiras dos círculos eleitorais (deixando-os, em teoria, mais favoráveis aos republicanos), os democratas tiveram três vitórias de peso para a Câmara dos Representantes, nos distritos 14.º, 22.º e 25.º.

A onda azul foi varrendo múltiplos distritos por todo o país. Na Pensilvânia, Page Cognetti e Bob Brooks roubavam lugares na Câmara a candidatos republicanos; na Virgínia, Shannon Taylor derrotou um incumbente que estava no cargo há quase 20 anos, enquanto a veterana da Marinha Elaine Luria virou o 1.º distrito; o mesmo fizeram Jamie Ager na Carolina do Norte e Zach Dembo no tradicionalmente republicano Kentucky. E Manny Rutinel foi outro democrata a conseguir virar um distrito (o 8.º do Colorado).

Apesar de Rutinel e o bombeiro Brooks não serem formalmente parte da ala dos socialistas democráticos (DSA), são políticos cujas ideias se enquadram no discurso de crítica à desigualdade económica, personificado nos milionários e grandes empresas, que se tem tornado popular dentro do Partido Democrata — e que se tem revelado também popular entre muitos eleitores. Os resultados de alguns candidatos do DSA em territórios favoráveis aos democratas confirmam que não leram mal a sala: a Alexandra Ocasio-Cortez, Rashid Tlaib, Ilhan Omar e Ayanna Pressley (a famosa “The Squad”), juntam-se agora na Câmara dos Representantes figuras como Darializa Avila Chevalier (por Nova Iorque), Melat Kiros (Colorado) e Donovan McKinney (Pensilvânia).

Texas e Kansas. Talarico e Hamilton provam que é possível conquistar até os estados mais republicanos

Ainda não eram onze da noite na costa leste dos Estados Unidos quando, dentro do Partido Republicano, já se reconhecia que a noite estava a ser um desastre: “É muito pior do que se pensava”, desabafou um responsável do partido ao Washington Post. Menos de meia hora depois, a imprensa norte-americana confirmava que a Câmara dos Representantes tinha sido conquistada pelos democratas.

Sobrava a dúvida do Senado: iria o Partido Democrata conseguir conquistar os quatro lugares de que precisava para a maioria (sem perder nenhum noutros estados)? A noite encarregar-se-ia de responder rapidamente à pergunta. Uma hora depois do desabafo do republicano ao Post, chegava uma avalanche de resultados que punha fim à dúvida: Texas, Ohio, Kansas, Iowa. Todos os lugares do Senado nestes estados foram para os democratas.

A dimensão da vitória é histórica, mas o simbolismo de algumas corridas também. A última vez que um democrata foi eleito para o Senado no Texas foi em 1988 — ano em que o agora vencedor James Talarico ainda não tinha nascido. O jovem de 37 anos é um dos rostos da mudança no Partido Democrata, como ficou claro pelo tempo de antena que os canais de televisão concederam ao seu discurso de vitória. Nem os milhões injetados na campanha do adversário Ken Paxton por Elon Musk conseguiram travá-lo.

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